O cofundador Augusto Massena, hoje com 27 anos, conta que a ideia surgiu a partir de um projeto de faculdade do irmão Guilherme. Anos depois, ele, o primo Eduardo Hommerding e o irmão decidiram tirar o projeto do papel — literalmente. Com R$ 3,5 mil investidos em uma impressora, material e estiletes, começaram a produzir artesanalmente as carteiras comTyvek, em uma rede de costura local. Tudo sob demanda.
A partir daí, eles passaram a enxergar a Dobra como um laboratório de experimentos culturais, sociais e organizacionais. Marcas como a Reserva, conhecida pela comunicação ousada, e a norte-americana Zappos, referência em atendimento humanizado, também serviram de inspiração para este movimento.
“Desde o começo, a gente acreditava que o produto era só uma ferramenta para concretizar o que a gente acreditava”, diz Massena. E as práticas mostravam isso: artistas independentes criavam as estampas e ganhavam comissão por venda, salários eram iguais entre os colaboradores, os números da empresa eram abertos e ações sociais faziam parte do modelo, como doar R$ 1 por produto vendido e criar Black Fridays que só funcionavam com doações a projetos sociais.
Além da cultura organizacional, um dos diferenciais da marca sempre foi o espírito maker. “Desde o dia 1, a gente tinha esse impulso de ir lá e aprender na marra o que não sabia fazer”, diz Massena. “Não sabíamos fazer site, aprendemos. Não sabíamos fazer automação, estudamos e viramos referência. Aprendemos tráfego sozinhos e estouramos vendendo no Facebook. Era tudo na unha", acrescenta o primo Eduardo Hommerding.
Nos anos seguintes, já remodelada, a Dobra chegou a faturar entre R$ 200 mil e R$ 300 mil por mês. Mas o modelo artesanal e sob demanda, com produção local, começou a encontrar dificuldades para escalar. “Produzir assim dentro do e-commerce é desafiador. E mudar isso significaria abrir mão de princípios que fizeram a marca ser o que ela era”, diz Massena.
Enquanto ainda operavam o e-commerce, os fundadores faziam lives semanais compartilhando os bastidores da marca, desde a criação até a automação. As transmissões atraíram milhares de espectadores e deram origem a um curso gratuito, que ultrapassou 30 mil alunos. “As pessoas começaram a nos procurar para entender como a gente fazia tudo: site, tráfego, marca, automação… e percebemos que existia aí um novo caminho”, conta.
Se pudesse escolher uma palavra para definir o que ficou, Massena não demora: “ousadia”. “Foi ela que nos guiou, que fez a gente ser diferente e que vai continuar nos movendo daqui para frente.” E para quem quer empreender com propósito, ele deixa um conselho direto: “Fazer é maior que dizer. Primeiro, concretize o que você acredita. Depois, comunique. O propósito só conecta se for real.”