Estudantes e professores que protestavam nesta terça-feira (21) na Câmara Legislativa de São Paulo (Alesp) contra a votação do projeto de lei complementar que prevê a implementação de escolas cívico-militares nas redes estadual e municipal de ensino foram agredidos com violência pela Polícia Militar. Deputados também relataram que sofreram agressões.
De entendimento com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), ao menos sete estudantes foram detidos pela PM. O projeto de lei foi enviado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e foi autenticado por 54 votos em prol e 21 contra.
Parlamentares da oposição também foram agredidos. Na rede social X, o deputado Eduardo Suplicy (PT) afirmou que tentou “mediar o entendimento e foi surpreendido com spray de pimenta”. A deputada Mônica Seixas (PSOL) também afirmou que foi agredida pelos policiais.
Projeto polêmico: PM nas escolas
O projeto de lei foi enviado no início de maio pelo governador e prevê que as escolas públicas estaduais e municipais podem fazer a ‘conversão’ para o protótipo cívico-militar.
Com a aprovação, a Secretaria da Segurança Pública ficará responsável pela a governo e disciplina das unidades educacionais — cada escola contará com pelo menos um policial militar da suplente. Já a meio pedagógica permanecerá com a Secretaria da Instrução.

Estudante é agredido pela PM na Alesp (Reprodução)
Deputados criticam
Deputados da oposição criticaram o projeto de lei enviado pelo governador. Andrea Werner (PSOL) lembrou o dispêndio da implantação das escolas cívico-militares.
“A escola cívico-militar custa o duplo por aluno que as escolas regulares e não entrega o duplo de resultados positivos. No Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], por exemplo, a média foi de 4,6 no Paraná, enquanto que nas escolas regulares é 4,9. Em São Paulo, as escolas públicas registram média 5,3”, comparou a deputada.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que os estudantes tentaram invadir o plenário da Alesp e os policiais agiram “para prometer a segurança dos participantes do ato”. A pasta acrescentou que imagens serão analisadas.