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Os evangélicos não são vítimas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 02/01/2024 às 07:02 · Atualizado há 1 dia

Os piores vícios da cultura política brasileira se reproduzem nas igrejas evangélicas com vestes de santidade.

Nas últimas eleições no Brasil, as igrejas evangélicas mostraram-se motivadas para disputar votos. Ninguém mais tem incerteza quanto à existência de uma bancada evangélica no Congresso Pátrio, e a representação política do segmento é indumento consolidado. Pesquisas recentes estimam que 31% dos brasileiros se declaram evangélicos.

Não adianta recorrer aos lugares-comuns de sempre. É bobagem martelar no desgastado questionamento sobre se piedoso só deve votar em piedoso, ou se a Igreja sofre qualquer tipo de prenúncio social ou se pastores, finalmente de contas, devem se candidatar a cargos eletivos para tutorar a família tradicional. A verdade é que a comunidade evangélica não é vítima dos seus representantes.

Durante claro tempo, achei que as retóricas políticas embaladas em textos bíblicos encontravam crentes bem-intencionados, mas vulneráveis. Comunidades de fé das quais os seus representantes políticos não eram dignos. No entanto, chegou a hora de manifestar publicamente que, em questão de moral, a Igreja Evangélica no Brasil não é padrão.

Tenebrosas transações são realizadas nos pátios dos templos há anos, e, se quase ninguém diz zero ou faz alguma coisa, é porque se acostumou com o cheiro das coisas podres que estão sendo preparadas para o ato litúrgico. E não venham nos manifestar que não estão vendo. Não dá mais para confiar que no meio de meigas ovelhas transitam lobos políticos camuflados. O treino do procuração político é público; quem quiser saber o desempenho do seu representante consegue chegar aos fatos – até mesmo, para permanecer bastante satisfeito. Portanto, a chamada Igreja Evangélica é, sim, responsável pelas suas bancadas municipais, estaduais e federais.

Pastores-celebridades chancelam candidaturas em período eleitoral. Ficamos, logo, com a esperança de que o piedoso responda: “Palato de ouvi-lo pregar, mas em questão de escolha política, prefiro seguir o meu próprio pensamento, porque quero ser responsável pelas minhas decisões”.

Ingenuidade! Entre os evangélicos brasileiros existe o voto de cabresto, o clientelismo religioso e a promiscuidade eleitoral. Neste jogo, os representantes são imagens no espelho dos representados. Presumir que os eleitos são piores do que os eleitores é um tanto difícil de sustentar. Originalmente, o voto de cabresto ocorria em contextos rurais, nos quais o pobre sofria sérias reprimendas caso não obedecesse ao mando do coronel. Mas, e no cabresto evangélico, o terror é de quê? Ou de quem?

Há duas generalizações que, definitivamente, devem ser abandonadas nas análises sérias desse objecto. A primeira é a de que todo político evangélico é mal-intencionado ou despreparado para as questões republicanas; e a outra, a de que todo rebanho evangélico é bem-intencionado e age politicamente visando o muito público.

A verdade nua e crua é de que o propagação numérico dos evangélicos no Brasil não correspondeu diretamente ao seu aperfeiçoamento ético. Por isso, traduzimos nas nossas relações sociais as nossas debilidades de formação. Bom seria que essas estruturas de poder, com seus respectivos mandatários, não fossem representativas da Igreja Evangélica. No entanto, não dá para tutorar mais.

É isso aí. Os partidos políticos, nos seus planejamentos, não veem os evangélicos uma vez que uma suplente moral e, há muito, identificaram a diferença entre o oração de grife e a conversa na mesa de trabalho. As perguntas que não calam: Qual será a moeda de troca? Quanto custa, no período eleitoral, a Igreja de porteira fechada?

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