Publicidade
Capa / #VoceViu

O necessário diálogo inter-religioso - ICL Notícias

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/04/2024 às 07:06 · Atualizado há 2 dias

O diálogo entre as religiões significa a convívio pacífica entre os mais diversos caminhos espirituais; sua taxa é fundamental para a silêncio entre os diversos povos habitando a mesma Morada Generalidade

O diálogo inter-religioso é uma das demandas mais urgentes nesta tempo planetária da humanidade. O fundamentalismo e o terrorismo atuais se enraizam profundamente em convicções religiosas mais do que em ideologias. Só motivações que se fundam num sentido radical que transcende os sentidos históricos imediatos sustentam a coragem de pessoas, dispostas a se sacrificarem e a virarem pessoas-bombas para destruir outros, tidos porquê inimigos. Esse sentido é, normalmente, produzido pelas religiões.

Transfundo religioso dos conflitos atuais

Detrás dos principais conflitos do final do século XX e dos inícios do século XXI possuem um transfundo religioso, assim, no pretérito na Irlanda, em Kosovo, na Kachemira; e atualmente na Siria, no Afeganistão,no Congo e hoje de forma violenta entre a Ucrânia e a Rússia,o ato terrorista do Hamas de Gaza em 7 de oubro de 2024 e a retaliação desproporcionao por segmento do Estado de Israel, chefiado por um primeiro ministro de extrema direita, desferida contra os palestinos da Fita de Gaza.

Não sem razão escreveu Samuel P. Huntington, um dos observadores mais atentos do processo de globalização em seu discutido livro O choque de civilizações (Objetiva): “No mundo moderno, a religião é uma força meão, talvez a força meão que motiva e mobiliza as pessoas….O que em última estudo conta para as pessoas não é a ideologia política nem o interesse econômico; mas aquilo que com que as pessoas se identificam são as convicções religiosas, a família e os credos. É por estas coisas que elas combatem e até estão dispostas a dar a sua vida”(p. 79).

Efetivamente, não obstante o processo de secularização e do eclipse do sagrado com a introdução da razão sátira a partir do Iluminismo do século XVIII, a religião sobreviveu a todos os ataques. Ao contrário, as últimas décadas assistiram a uma volta poderosa do fator religioso e místico em todas as sociedades mundiais, volta propiciada principalmente pelos filhos e filhas dos mestres da suspeita e da sátira devastadora da religião porquê Marx, Freud, Nietzsche, Popper e outros.

A religião é a cosmovisão generalidade da maioria da humanidade. Nela encontra orientação para a vida e dela deriva atitudes éticas. Muito formulou Ernst Bloch, o filósofo marxista que resgatou o sentido profundo do fator religioso muito sentenciou: “onde há religião, ai há esperança”. E onde há esperança surgem incontáveis razões para lutar, para sonhar, para projetar utopias salvacionistas e dar sentido à vida e à história.

Pluralismo religioso de trajo e de recta

Portanto, há se partir do trajo incisivo da religião, melhor, do pluralismo religioso. Há tantas religiões quantas culturas há. Quando uma cultura produz sua religião é sinal de que chegou ao seu maduração. Ela ajuda a conferir a identidade e a coesão cultural.

Todas as religiões trabalham com um sentido último e com valores que orientam a vida. Por isso possuem um cima valor humanizador e civilizatório. Mas importa não desconhecer que elas correm o risco permanente de fundamentalismo, de se imaginarem absolutas e as melhores. Esta atitude está a um passo da guerra religiosa, coisa que ocorre com frequência na história. As religiões precisam, portanto, de se reconhecerem mutuamente, de entrar em diálogo e de buscarem convergências mínimas que lhes permitem conviver pacificamente. Eis a valia do diálogo entre todas.

Antes de mais zero importa reconhecer o pluralismo religioso porquê “de trajo” e porquê “de recta”. O trajo é inegável, basta constatá-lo. A questão é sua legitimação de recta. Neste ponto há divergências profundas, principalmente, na Igreja hierárquica católica, em outras igrejas cristãs, em certas tendências do islamismo e de outras religiões. Cá algumas igrejas cristãs mostram seu fundamentalismo explícito, pois, julgam-se as portadoras exclusivas da revelação divina e as únicas herdeiras da gesta salvadora de Deus na história pela vida, morte e ressurreição de Jesus.

Mas não se pode negar a pluralidade. Por isso importa tutorar o recta à esta pluralidade de trajo. Em primeiro por uma razão interna à própria religião. Nenhuma religião pode pretender enquadrar Deus, o mistério, a manadeira originária de todo ser ou qualquer nome que se queira dar à suprema veras, nas malhas de seu oração e de seus ritos. Se assim fora, Deus seria um pedaço do mundo, na veras, um ídolo. Perderia totalmente sua transcendência a qualquer objetivação humana.

Ele está sempre para além do que pudermos representá-lo. Portanto, há espaço para outras expressões e outras formas de celebrá-lo que não seja exclusivamente através desta igreja ou desta religião concreta. Uma vez que dizia um pensador xabregano do século XIII Duns Scotu: “Se Deus existe porquê as coisas existem, portanto Deus não existe”. Ele não está na ordem das coisas, mas do fundamento de sua existência e da permanência nessa existência.

Assim, por exemplo, as religiões de matriz africana presentes no Brasil, não são cartesianas e ocidentais. Possuem outra forma própria de sentir, de interpretar e viver o sagrado. São religiões profundamente ecológicas, ligadas às energias da natureza e do cosmos. O próprio “axé” é uma robustez cósmica, presente em todos os seres e mais fortemente em pessoas carismáticas porquê pais e mães de santo. Seu modo de cultivar o sagrado deve ser asilado porquê uma das formas legítimas de caminhar para Deus (Olorum) e sermos visitados pelas divindades.

O equívoco da pretensão de exclusividade

Na verdade, não é o pluralismo religioso que deve ser questionado mas a pretensão de uma das religiões de se considerar a única verdadeira. Nem vale o sofisma: se há um só Deus, deve possuir uma só religião. Ora, a natureza de Deus e a natureza da religião são profundamente distintas. A natureza de Deus é o mistério, o inefável, o infinito. A natureza da religião é o restringido, o histórico, o finito, aquilo que foi criado pela cultura humana. Portanto, Deus nunca poderá ser identificado com alguma ensinamento. Ele está dentro e também fora e para além, pois esta é a sua natureza. Demais, se aceitarmos que Deus é heterogeneidade de divinas pessoas, Pai, Fruto e Espírito Santo em permanente relação de paixão e de diálogo, isso fornece um fundamento maior para justificar a heterogeneidade religiosa.

Dai é importante reconhecermos o trajo das muitas religiões e igrejas, para que cada uma delas possa manifestar um pouco do inefável e revele dimensões que a outra não pode expressar. Todas juntas sinfonicamente acenam para a veras sagrada e todas se calam, reverentes, diante dela porque ela as desborda por todas as formas e lados.

Esta última reflexão nos obriga a introduzir uma eminência de fundamental valia para que o diálogo inter-religioso seja provável e ganhe alguma eficiência: a eminência entre espiritualidade e religião.

Saliência entre religião e espiritualidade

Por espiritualidade entendemos o encontro com o mistério do mundo, com o inefável, com o Tao, com Olorum, com o Numinoso com aquilo que se convencionou invocar de Deus (embora haja tradições que não se sintam muito, porquê o budismo, que é antes uma sabedoria que uma religião). Esse encontro não é inventado nem imposto. Ele ocorre simplesmente, porquê uma experiência originária. O ser humano é um ser de lisura ao outro, ao mundo e ao infinito. Ele simplesmente é um sistema sincero e dialogante.

Ele coloca questões radicais sobre sua origem e rumo, sobre o sentido do universo, sobre o significado de sua vida, de seu sofrimento e de sua morte. Ele é um grito lançado ao infinito. Testar esta veras perfaz aquilo que chamamos espírito. É um modo de ser, de relacionar-se, de sentir-se inserido num Todo maior. Cientistas contemporâneos chamam-na de “espiritualidade oriundo” por pertencer à natureza humana (Cf. Steven Rockefeller, Spiritual democracy and our schools).

Esta espiritualidade oriundo, não é monopólio das religiões ou de qualquer caminho místico. Ele é anterior a tudo. Possui o mesmo recta de cidadania antropológica porquê a libido, a vontade, a perceptibilidade e a sensibilidade. Assim porquê existe a perceptibilidade intelectual e a perceptibilidade emocional, existe também a perceptibilidade místico pela qual captamos, além dos fatos e das emoções, os contextos globais de nossa vida, totalidades significativas, valores e nossa inserção num Todo maior.

É próprio da espiritualidade captar visões globais e se orientar por um sentido transcendental. Neurólogos e neurolinguistas detectaram uma base empírica desta perceptibilidade, na biologia dos neurônios. Alguns neurocientistas e o psiquiatra I. Marshall e sua esposa física quântica, Danah Zohar entre outros (Cf. D. Zohar, QS, Lucidez místico, Record) chegam a falar do “ponto Deus” no cérebro. Numa perspectiva evolucionária quer manifestar, o universo evoluiu até a um ponto de produzir um ser de perceptibilidade que dispõe de uma capacidade de perceber a partir de certa aceleração de neurônios, o mistério deste universo, Mistério que penetra e resplende em tudo.

Esse “ponto Deus” representa uma vantagem evolutiva da espécie homo, presente em todos os representantes. Logicamente, Deus não está somente presente num ponto do cérebro, mas em todo o ser humano e cada uma de suas dimensões. Mas é a partir de um ponto dos neurônios que ele se deixa perceber fenomenologicamente.

Esta experiência místico está na base de todas as religiões e caminhos espirituais. A forma porquê esta experiência se expressou historicamente varia consoante as culturas seja na Índia, na China, no Tibet, no Japão, entre os Maias, Aztecas, Tupi-Guarani, Yanomani entre outros. As religiões são os construtos culturais, os mais diversos, tentativas de expressar numa ensinamento, numa celebração, num texto sagrado, um código ético esta espiritualidade originária.

As religiões são diferentes e muitas, mas a espiritualidade originária é a mesma. É ela que permite o entendimento e o diálogo entre as religiões, porque todas bebem da mesma manadeira de águas cristalinas: a espiritualidade oriundo. As religiões são canalizações desta manadeira originária.

Valimento das religiões para a silêncio mundial

Se tal é a valia das religiões na feição da humanidade concreta, portanto são decisivas para a convívio e a silêncio mundial. Por isso entendemos a relevância que o Papa Francisco dá a elas nas duas encíclicas ecológicas Laudato Sì: sobre o cuidadoda Morada Generalidade (2015) e na Fratelli tutti (2020) no sentido da salvaguarda da vida e do horizonte da Mãe Terreno. Muito conhecida e sempre citada é a tese fundamental do teólogo teuto Hans Küng, recentemente falecido, o melhor estudioso das religiões na tempo planetária com o a qual concordamos: “Não haverá silêncio entre as nações, se não viver silêncio entre as religiões. Não haverá silêncio entre as religiões, se não viver diálogo entre as religiões” (Religiões do mundo).

O diálogo entre as religiões segue um caminho uno. Não pode principiar pela discussão das doutrinas que logo geram discussões intermináveis e divisões, mas pela conscientização da espiritualidade que une a todas. E isso se faz pela prece ou reflexão. O diálogo começa quando todos começam a rezar juntos ou a meditar. Rezar, meditar é submergir na espiritualidade. Aí as pessoas começam a se saber, a desenredar a clemência de um e de outro, a piedade, a reverência e a procura sincera do mistério de todas as coisas, de “Deus”.

As doutrinas ficam relativizadas em nome da vida concreta, inspirada pela respectiva religião. Logicamente, tudo o que é salubre pode permanecer doente. Todas as religiões podem incorporar desvios, endurecimentos, atitudes fundamentalistas de grupos. Cá há um vasto campo de recíproca sátira e de processos de purificação. Assim porquê a doença remete à saúde, de forma semelhante a experiência místico devolverá saúde às religiões. Deste diálogo orante nascem os pontos de convergência que fundam a silêncio provável entre as religiões, um dos fatores da silêncio mundial.

Mas há igrejas, principalmente entre nós, as neopentecostais que seguem a lógica do mercado e fazem da religião um grande negócio, não vasqueiro explorando os pobres com a teologia da prosperidade e ultimamente com a teologia do domínio. Por procurarem vantagens econômicas, facilmente se aliam a partidos políticos de vertente mais conservadora. Desta forma desnaturam a religião e a igreja, pois estas não foram feitas para o mercado, mas para atender às demandas espirituais das pessoas.

Pontos de convergência no diálogo inter-religioso

O diálogo continuado permitiu estabelecer entre as religiões pontos comuns elencados ainda em 1970 na Conferência Mundial das Religiões em obséquio da Silêncio em Kyoto. Esses pontos convergentes foram assim formulados e reforçados anos depois no grande encontro em Chicago.

(i) Há uma unidade fundamental da família humana em paridade e honra de todos os seus membros. (ii) Cada ser humano é sagrado e intocável, principalmente, em sua consciência. (iii) Toda comunidade humana representa um valor. (iv) O poder não pode ser igualado ao recta. O poder nunca se basta a si mesmo, não é nunca inteiro e deve ser restringido pelo recta e pelo controle da comunidade. (v) A fé, o paixão, a condolência, o altruísmo, a força do espírito e a verdade interno são, em última instância, muito superiores ao ódio, à inimizade e ao egoísmo. (vi) Deve-se estar, por obrigação, do lado dos pobres e oprimidos e contra seus opressores. (vii) Alimentamos profunda esperança de que no final a boa vontade triunfará.

Uma vez que se depreende, esse diálogo não se exaure em si mesmo. Ele se ordena a um pouco maior: à silêncio entre os povos, à silêncio com a Terreno, à silêncio com os ecossistemas, à silêncio do ser humano consigo mesmo e à silêncio com a manadeira originária de onde veio e para onde vai. Essa silêncio é, porquê muito o definiu a Missiva da Terreno, “a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, com outras culturas, com outras vidas, com a Terreno e porquê o Todo maior da qual somos segmento”.

O diálogo sincero entre as religiões significa, portanto, a convívio pacífica e prazenteiro entre os mais diversos caminhos espirituais que veem, em sua heterogeneidade, uma riqueza do único e mesmo mistério frontal do qual viemos e para o qual rumamos. Sua taxa é fundamental para a silêncio entre os diversos povos habitando a mesma Morada Generalidade.

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade