O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), sugeriu o procrastinação das eleições municipais de outubro nas cidades gaúchas. Segundo ele, o pleito pode atrapalhar a reconstrução do estado.
Em entrevista ao jornal O Orbe, Leite afirmou que não se pode postergar muito o debate sobre um provável procrastinação das eleições. Para o governador, é “pertinente” debater o tema antes do início das campanhas às prefeituras.
“Ainda é um pouco cedo, mas também não vai poder retardar muito essa discussão. Junho já é um momento pré-eleitoral e em julho se estabelecem as convenções. É um debate pertinente. O Estado estará em reconstrução, ainda em momentos incipientes, em que trocas de governos municipais podem atrapalhar esse processo. O próprio debate eleitoral pode perfazer dificultando a recuperação”, comentou Leite.
Falta em sistema
O governador também reconheceu que o sistema antienchente de Porto Prazenteiro falhou. Leite, porém, disse não ser provável saber se foi por falta de manutenção ou por não ter sido projetado para uma inundação tão intensa uma vez que a ocorrida na capital.
“Que o sistema falhou, está muito evidente. Agora a questão é: foi falta de manutenção ou foi falta de concepção? Porque, de roupa, é a primeira vez que ele é posto à prova nos seus pouco mais de 60 anos em uma crise de magnitude maior do que a enchente de 1941”, disse o governador.
Eduardo Leite também foi questionado sobre uma provável morosidade no pedido de evacuação de pessoas em áreas de risco. “Mal tomei conhecimento do volume de chuvas no dia 29, fizemos os alertas. A Resguardo Social já tinha promovido o alerta às defesas civis municipais e os prefeitos foram avisados”, respondeu.

Ministro Waldez Góes, Lula, Eduardo Leite e Paulo Pimenta posteriormente sobrevoo em Canoas (Ricardo Stuckert/PR)
Eduardo Leite e Paulo Pimenta
O governador do Rio Grande do Sul também comentou sobre a nomeação do ministro Paulo Pimenta (PT) para a Secretaria Extraordinária de Base à Reconstrução. “A reconstrução é liderada e coordenada pelos próprios gaúchos que têm um governo constituído. O nome do ministério é Secretaria Extraordinária de Base à Reconstrução. Se (o órgão) se propõe a ser pedestal à reconstrução, é muito bem-vindo”, disse.
“O presidente tem a legitimidade para poder apresentar o nome que ele entenda pertinente. Da minha segmento, busquei um perfil técnico para a minha secretaria de reconstrução recém-criada”, completou.
Legislação Ambiental
Leite também foi questionado sobre as críticas que vem recebendo posteriormente uma série de mudanças em legislações locais sobre o meio envolvente. “É o que tentam gerar por conta das disputas políticas e das narrativas. De maneira nenhuma há qualquer tipo de ação do governo que tolere a degradação ambiental em obséquio de promover o propagação econômico”.
Uma dessas legislações deu autorização para construção de barragens em áreas de preservação. “Isso é permitido no Brasil todo desde que não haja a possibilidade de fazer o barramento de outra forma. A legislação federalista estabelece essa possibilidade para a geração de virilidade elétrica e para consumo humano. Uma prova disso é a autorização da União para a usina de Belo Monte”, justificou Leite.