Perto de completar um ano dos ataques do dia 8 de janeiro de 2023, foi montado um verdadeiro laboratório de arte dentro do Palácio da Alvorada. O objetivo do trabalho é revitalizar e restabelecer obras do patrimônio público vandalizadas pelos golpistas.
Para isso, foi firmado um entendimento de cooperação técnica entre a Presidência da República e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Pátrio (Iphan). O órgão produziu laudos sobre o estado de conservação dos bens danificados, em peculiar os seguintes bens:
- Pintura sobre tela “as mulatas”, de Emiliano Di Cavalcanti;
- Estátua em bronze “o flautista”, de Bruno Giorgi;
- Estátua em madeira, de Frans Krajcberg
- Relógio histórico de Balthazar Martinot
- Pintura sobre madeira “bandeira”, de Jorge Eduardo
- Estátua de ferro de Amilcar de Castro
- Mesa imperial em madeira
- Marquesa em metal e palha, de Anna Maria Niemeyer
- Retrato de autoria não identificada
- Ânfora portuguesa em cerâmica esmaltada
- Mesa-vitrine de Sérgio Rodrigues
- Pintura abstrata de autoria não identificada
- Pintura de guerra de autoria não identificada
Três das obras da relação anterior também receberam cuidados de profissionais das equipes da diretoria de Engenharia e Patrimônio/Secretaria-Universal e da Diretoria Curatorial dos Palácios Presidenciais. São elas: a Estátua de ferro de Amilcar de Castro, a marquesa em metal e palha de Anna Maria Niemeyer e a mesa-vitrine de Sérgio Rodrigues.
“Fizemos contato com Leandro Grass (presidente do Iphan) e ele nos ajudou com essa parceria. São 20 obras que serão restauradas no laboratório montado no subsolo da capela do Palácio da Alvorada”, destacou Rogério Roble, curador dos palácios presidenciais.
De entendimento com Roble, o Iphan assumiu todos os custos e os trabalhos são realizados por uma equipe de dez restauradores da Universidade Federalista de Pelotas (UFPel).
“Cá na Presidência, a gente não apagou o realizado de repentino. E acho que, de trajo, não o poderíamos fazer, porque a gente tem que refletir muito sobre o que significou aquele dia. Aquilo que encontramos dia 8 ia muito além da devastação de objetos. Ia muito de encontro a qualquer pensamento democrático”, acrescentou o curador.
Relógio de Balthasar Martinot
O relógio Balthasar Martinot Boulle, do século XVII, e a caixa de André Boulle, destruídos durante os atos de vandalismo, serão revitalizados a partir de um entendimento formalizado com a Embaixada da Suíça no Brasil.
Segundo nota divulgada pela embaixada, os graves acontecimentos “despertaram profunda emoção na Suíça, assim porquê poderoso solidariedade com as instituições e a democracia brasileira”. Sendo assim, a Embaixada da Suíça em Brasília apresentou à Presidência da República uma iniciativa de restauração do patrimônio, segmento fundamental da identidade e da memória do país.
Um produtor suíço de relógios de longa tradição e experiência ofereceu o escora de alguns dos maiores especialistas e artesãos para a restauração. Numa primeira avaliação, levando em conta os graves danos sofridos e as características e dificuldade do relógio, foi identificado que será necessário o engajamento de vários especialistas.
Reparos estruturais
A gestão presidencial tem estabelecido contratos de manutenção predial, envolvendo tanto correções quanto prevenções em caráter contínuo. Nesse contexto, a grande maioria das intervenções de engenharia necessárias para remediar os danos causados pelos eventos de 8 de janeiro foi iniciada por meio de ordens de serviço específicas, conforme aquém:
- Reparos na segmento elétrica: R$ 8.781,20
- Vidraçaria: R$ 204.449,26
- Divisórias especiais (portas e divisórias): R$ 15.000
- Pintura: R$ 13.000
- Bancadas e tampos de mármore: R$ 7.000
- Peças sanitárias: R$ 3.000
- Gradil: R$ 7.500
- Elevador danificado: R$ 39.000
- Totalidade: R$ 297.730,46