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canal não é prioridade contra enchentes no RS

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 19/05/2024 às 17:00 · Atualizado há 2 dias

Por Leonardo Fuhrmann

(Folhapress) – A construção de um meio para melhorar o escoamento da chuva do lago Guaíba e da lagoa dos Patos tem sido apontada porquê uma das alternativas para evitar que se repitam tragédias porquê a que coloca a cidade de Porto Feliz debaixo d’chuva. O próprio governo federalista admite que o meio é uma das possibilidades a serem estudadas para aumentar a velocidade de escoamento da chuva da lagoa. Mas não seria a única.

O ministro dos Transportes, Renan Rebento, anunciou a intenção de transfixar concorrência internacional para contratar estudos para reduzir a velocidade da descida das águas dos rios do planalto que desembocam no lago Guaíba, para aprimorar o sistema de proteção de Porto Feliz e para drenar mais rapidamente a chuva da lagoa dos Patos, que interliga o Guaíba ao oceano Atlântico.

A primeira e principal oposição ao projeto de um meio vem do IPH (Instituto de Pesquisas Hidrológicas) da UFRGS (Universidade Federalista do Rio Grande do Sul), que chegou a propalar uma nota contra a proposta. De concordância com o professor Fernando Meirelles, estudos feitos pela universidade mostram que um meio teria pouco efeito para o escoamento da chuva acumulada em Porto Feliz. “Um rebaixamento de um metro na lagoa dos Patos significaria poucos centímetros a menos na enchente do Guaíba”, diz.

Segundo ele, mesmo um meio de 10 km de largura teria efeitos mínimos. Meirelles conta que a solução do meio já havia sido estudada antes, com base na enchente de 1941, mas foi posposto por desculpa da ineficiência da proposta. Novas simulações foram feitas na semana passada e confirmaram os resultados, ele diz.

Outros problemas para a construção do meio seriam os impactos econômicos, sociais e ambientais provocados pela obra. Ele leva em conta três pontos que poderiam ser usados para a buraco do meio, nos municípios de Rio Grande, São José do Setentrião e Mostardas. Uma das preocupações é com o impacto nas regiões das lagoas do Enlace e dos Peixes, onde está localizado um parque pátrio. A erosão poderia afetar diversas praias dali, onde o terreno é arenoso.

Um meio desobstruído pode provocar a salinização da chuva da lagoa, o que teria impacto nas plantações de arroz nas áreas alagadas, na pesca artesanal e na geração de camarões na lagoa e no próprio provisão de chuva de algumas cidades próximas.

Porto Feliz – Foto: Giulian Serafim/PMPA

Conduto afetaria navegabilidade

Coordenador do programa de pós-graduação em engenharia social da UFSM (Universidade Federalista de Santa Maria), o engenheiro hidráulico Daniel Alassia diz que um novo meio poderia afetar a navegabilidade da lagoa. “O que garante o aproximação de navios para Porto Feliz é o efeito funil que existe na lagoa, com a chuva que desce da espaço de planalto e o escoamento lento na lagoa”, explica.

As outras soluções seriam um vertedor, que vazaria somente a chuva que superasse determinado limite, e um meio fechado.

O problema do primeiro seria a espaço de dilúvio, que obrigaria obras de adaptação, porquê a construção de pontes na BR-101, além de outros impactos ambientais, com o dilúvio de terrenos onde hoje não há chuva normalmente.

Um meio fechado, de sentido único, poderia evitar o processo de salinização, porque garantiria que a chuva do mar não invadiria a lagoa. O coordenador científico do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres (CEPED) da USP (Universidade de São Paulo), Mário Mendiondo, cita a situação atual para provar preocupação com essa escolha. “É uma solução face, com custos fixos ao longo do ano. A falta de manutenção no sistema de proteção de Porto Feliz já demonstra porquê é difícil manter esses cuidados ao longo dos anos”, analisa.

Para ele, soluções mais simples, eficientes e rápidas podem servir melhor à situação. “O estudo para a construção de um meio lentidão anos, é preciso investigar a eficiência e todos os impactos, para depois iniciar a construção”, diz ele, que é professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.

O engenheiro João Acácio Gomes de Oliveira Neto, da DTA Engenharia, responsável pela construção do porto Meridional, em Arroio do Sal, no setentrião gaúcho, diz que o assoreamento já é um problema para o porto de Rio Grande, o único porto marítimo do estado. A questão poderia se aumentar com a construção de um novo meio.

Oliveira diz que a prioridade do estado deveria ser uma melhor gestão da chuva e lembra que 7% do território do Rio Grande do Sul é formado por águas superficiais -é o maior percentual do país. “Há 50 anos, havia um sistema hidroviário que ligava o estado inteiro, sob a gestão do Departamento Estadual de Portos Rios e Canais, criado em 1906”, diz.

Segundo ele, o departamento, que era responsável por fazer o desassoreamento dos rios, foi fechado nos anos 1970 e, desde logo, não há um trabalho regular para manter os rios com sua profundidade normal. “A situação é tão grave que a Instauração Estadual de Proteção Ambiental [Fepam] liberou, com a portaria 417/2024 publicada no último dia 9, quando as enchentes já haviam atingido o estado, as dragagens sem premência de licenciamento ambiental”, diz.

Oliveira defende a geração de caixas de sedimentos, com grande profundidade, na ingressão do lago Guaíba, porquê solução rápida e eficiente para evitar novas enchentes não só na região metropolitana, mas também em outras partes do estado. Para ele, seria uma forma de evitar o assoreamento, e uma solução mais barata do que fazer desassoreamentos na espaço totalidade do lago. “Os rios estão entupidos. Onde havia uma profundidade de dez metros, caiu para cinco, e depois para dois, sem que zero tivesse sido feito”, diz.

 

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