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As mães e a guerra

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 12/05/2024 às 14:19 · Atualizado há 4 horas

Não que elas tenham escolhido a guerra, certamente. Foram lançadas no caos sem termo desde a mais tenra idade. Cuidam de irmãos, tios, primos e, simples, dos filhos. Maternam em condições sociais um tanto contrárias às éticas do zelo, até mesmo avessas à elas. Mães vivem e morrem numa guerra sem termo. Não foi à toa que a consolidação do “Dia das Mães” veio da atuação de uma mulher que literalmente viveu a guerra, perdeu 9 filhos e cuidou de feridos.

Foi durante a violência da Guerra de Secessão (1861-1865) – ou Guerra Social Setentrião-Americana – que Ann Maria Reeves Jarvis (1832 -1905) criou uma série de clubes comunitários para valorização do trabalho de zelo exercido pelas mulheres. Para além de cuidar dos feridos de uma guerra que matou mais de 700 milénio norte-americanos, Ann lutava sempre contra as altas taxas de mortalidade infantil, ensinando à comunidade as noções básicas de higiene e saneamento, organizando redes de remédio e assistência social. A própria Ann perdeu 9 filhos para a guerra e para as doenças.

Diante do legado de luta de Ann Maria Reeves Jarvis, sua filha – Ann Jarvis (1864-1948) – levou adiante a teoria de um feriado de conscientização do trabalho de zelo das mães e das mulheres em universal. Diante da mobilização das mulheres lideradas por Ann Jarvis (a filha), o Presidente Woodrow Wilson decretou, em maio de 1914, o feriado vernáculo de celebração das mães. Vitória do legado de luta e trabalho de zelo das mulheres? Ann Jarvis percebeu que não…Enfim, não demorou muito para que a “mão invisível do mercado” usasse a data de celebração do dia das mães para um ilustrado ao consumo e, principalmente, um ilustrado de invisibilização do trabalho de zelo exercido pelas mulheres.

“Um retrato de Ann Reeves Jarvis adorna o programa do primeiro ilustrado solene do Dia das Mães, realizado no segundo domingo de maio de 1908 na igreja onde Ann lecionou na Escola Dominical por mais de vinte anos. Nascente: West Virginia e Núcleo de História Regional , Bibliotecas WVU)”

 

A própria Ann Jarvis tentou “revogar” o feriado em nome das justas lutas pelos direitos das mulheres. Em todo caso, porquê disse Ann, muitas e muitos de nós só queremos, nesse “dia das mães”, termos um lugar para voltar. Um lugar reconhecido (e remunerado) de paixão, afeto e zelo. As mães nascem, vivem e morrem em guerra. Cuidam dos seus e dos outros. Cuidam porquê podem e para além do que podem. Estão sempre na sudário da guerra e do luto, na Rua, no Trabalho, em Moradia, em Gaza ou no Rio Grande do Sul. As mães querem creches, querem saúde pública, querem vale alimento, querem mais do que presentes e louças (que continuam a lavar quase sempre sozinhas), querem tranquilidade, pão, terreno, querem que seus filhos não morram num mundo invariavelmente pleno de guerras.

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