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Agricultores na Cisjordânia relatam incursões violentas de colonos israelenses

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 26/11/2023 às 18:04 · Atualizado há 1 hora
Agricultores na Cisjordânia relatam incursões violentas de colonos israelenses
Foto: Reprodução / Arquivo

Agricultores da Cisjordânia têm enfrentado incursões e violência quase diárias por secção de colonos israelenses. A informação é da jormalista Synne Furnes Bjerkestrand, da Al Jazeera. Segundo ela, palestinos que vivem na região relatam temor jacente de terem suas casas e terras roubadas.

O cultor Ayman Assad, de 45 anos, relata que ele, a mulher e os cinco filhos, estão apreensivos com as incursões. A principal preocupação é com a produção de galinhas do par. A granja fica distante de sua moradia, na Extensão C da Cisjordânia.

“Tenho temor de que minha terreno seja roubada. As crianças estão continuamente assustadas e não brincam mais ao ar livre, é muito perigoso”, diz Assad.

Segundo ele, os filhos também já não frequentam mais a escola. Isso porque o Tropa de Israel tem bloqueado muitas das estradas na região. “Todas as aulas são online”, conta.

Assad acrescenta também que ouve continuamente ataques ao campo de refugiados em áreas próximas à cidade de Jenin. “Podemos ouvir os ataques, com explosões e tiros”, relata o cultor.

OCUPAÇÃO E ATAQUES

Conhecida pela produção de azeitonas, óleo e vegetais, a Cisjordânia está ocupada por Israel desde 1967. Desde portanto, muro de 700 milénio colonos israelenses se instalaram ilegalmente no território palestiniano. E, há anos, são registrados roubos de terreno, além de ataques e devastação dos olivais.

De pacto com Abbas Milhem, diretor da União dos Agricultores Palestinianos (PAFU), em Ramallah, as incursões se intensificaram nas últimas semanas, à medida que as forças militares e os colonos organizam ataques armados. Ele próprio teve sua quinta atacada.

Há pouco mais de duas semanas, colonos israelenses armados invadiram a quinta Milhem, dispararam contra os trabalhadores na colheita e roubaram azeitonas. Milhem disse que as exportações pararam completamente e quase 50% das azeitonas não foram colhidas devido às restrições do Tropa de Israel.

“Há uma segunda guerra na Palestina que está acontecendo na Cisjordânia ocupada. É crucial compreender porquê isso afeta os agricultores”, acrescenta Milhem.

SEM RETORNO

A quinta está agora sob controle militar, apesar de estar na Extensão B da Cisjordânia, onde a Mando Palestina controla, tecnicamente, os assuntos civis. Os Milhem e seus trabalhadores não conseguem voltar.

Iman Abdallah Jawabri, de 45 anos, estava na colheita de azeitonas junto com o marido quando cinco colonos chegaram ao sítio. “Eles atiraram em nossa direção porquê se quisessem nos assustar, depois, quando se aproximaram, levaram nossos celulares para nos impedir de tirar fotos. Depois mandaram que todas as mulheres saíssem e começaram a percutir nos homens, obrigando-os a sentarem no soalho, debaixo das oliveiras”, conta ela.

Retrato feita com celular pelo quinteiro palestino Salah Awwad, em agosto de 2023: colono israelense pode ser visto invadindo a quinta de ovelhas

‘SÓ TENHO MINHAS MÃOS’

Outro cultor, Salah Awwad, de 28 anos, perdeu sua moradia e terras em Wadi Tahta, no Sul da Cisjordânia ocupada, em agosto. Segundo ele, os colonos, em seguida a invasão, despejaram benzeno e atearam incêndio, destruindo suas colméias.

Em seguida assumirem o controle das terras, Awwad foi forçado a fugir com sua família de oito filhos. Depois de alguns dias, conseguiu restabelecer suas 100 ovelhas, mas não pode mais retornar.

Colmeias queimadas pelos colonos israelenses na quinta de Salah Awwad

“Os colonos estão cercando minha moradia e não me deixam trabalhar”, revela Awwad. “Tenho temor de levar um tiro, pois eles carregam armas. O que posso fazer? Eles têm suas armas, eu só tenho minhas mãos”, completa.

Awwad acrescenta que, embora a vida já fosse difícil antes do início da guerra, os preços subiram agora acentuadamente, principalmente para os agricultores. A forragem para as ovelhas aumentou mais de um terço desde 7 de outubro. “Ninguém está olhando para nós, unicamente Deus. Mas não vou me movimentar novamente, mesmo que tentem me forçar”, avisa.

Segundo a ONU, a pobreza aumentou 20% e o resultado interno bruto diminuiu 4,2% desde 7 de outubro.

 

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