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A farsa da inclusão nas escolas cariocas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 19/04/2024 às 22:00 · Atualizado há 1 dia

Por Luciana Boiteux e Tarcísio Motta*

A Lei Brasileira de Inclusão garante o recta à ensino das pessoas com deficiência, por meio de um sistema educacional focado na inclusão em todos os níveis e por toda a vida. É obrigação do Estado certificar esse recta.

A lei também determina e orienta o atendimento educacional especializado, com o uso das salas de recursos e a oferta de profissionais de pedestal, dentre eles Agentes de Escora à Ensino Próprio (AAEE) e intérpretes de libras.

A prefeitura do Rio de Janeiro deveria implementar o Projecto Municipal de Ensino (PME) que, em sua meta 4, estabelece a universalização do chegada à ensino básica para a população com deficiência.

Entretanto, isso não é o suficiente para prometer a inclusão de verdade, que só acontece quando conseguimos educar o estudante a partir de suas especificidades, respeitando as diferenças e o ritmo de cada um.

Desafiamos alguém a encontrar escolas municipais que tenham condições de oferecer tudo isso. Caso achem essa agulha no palheiro, certamente encontrarão profissionais sobrecarregados, o que impede um trabalho de qualidade.

A regra é a carência. As metas previstas pelo PME não estão sendo cumpridas e apresentamos cá os números que o prefeito Eduardo Paes e seu secretário de ensino, Renan Ferreirinha, tentam esconder.

Ao ser questionada sobre a carência de educadores, a prefeitura afirmou em suas redes ter tapume de 6.500 profissionais dedicados à ensino privativo e inclusiva. A informação é falsa. São 708 professores para o atendimento especializado.

Ou seja, menos de um professor por escola. Além destes, tapume de 2.500 estagiários e 600 voluntários, que não têm a formação pedagógica ou a responsabilidade de realizar o atendimento especializado.

Soma-se também intérpretes de libras e AAEEs, profissionais que são essenciais e estão sendo desrespeitados e desvalorizados pela Secretaria Municipal de Ensino (SME).

Atualmente, dos 2.000 agentes de pedestal que a SME diz que estão na rede, menos de 900 são concursados. Os outros atuam por meio de contratos temporários, o que torna os estudantes expostos à troca manente desses educadores.

A solução é realizar um novo concurso público, corrigindo a escolaridade mínima para o incumbência, pois os AAEEs realizam um trabalho de caráter pedagógico.

Em resumo: a maioria dos profissionais enumerados pela prefeitura são estagiários e voluntários, com pouca ou nenhuma formação, ou contratados, com vínculo precário.

A quantidade insuficiente de educadores para o atendimento especializado preocupa porque o número de alunos da ensino privativo e inclusiva não para de aumentar: em 2013, eram tapume de 13 milénio; em 2023, 21.835; em 2024, já são mais de 23 milénio.

Além da falta de profissionais, há sérios problemas estruturais: 519 escolas não possuem sequer acessibilidade entre os andares, 953 não possuem sala de recursos. A propaganda solene esconde a precariedade da inclusão.

Enquanto isso, mães e familiares dessas crianças lutam por melhores condições para cuidar de seus filhos sem nenhuma ajuda do poder público.

* Luciana Boiteux é vereadora no Rio de Janeiro, presidente da Frente Parlamentar em Resguardo da Ensino Inclusiva

*Tarcísio Motta é deputado federalista pelo RJ. Ambos professores.

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