Visitante curioso nos corredores da EPTV revela a diversidade dos besouros do Brasil — Foto: Leonardo Vilela
Um inseto de formato curioso chamou a atenção recentemente de quem circulava pelos corredores da sede da EPTV, em Campinas. Sem muitas informações sobre o visitante, a equipe do Terra da Gente decidiu investigar.
Popularmente conhecidos como serra-pau, esses insetos são besouros da família Cerambycidae, que reúne espécies com características marcantes, como antenas longas, muitas vezes maiores que o próprio corpo, estrutura anatômica alongada e coloração variada, que vai de tons discretos a cores mais vibrantes.
As larvas, fase inicial do desenvolvimento, alimentam-se de matéria vegetal, como casca, cerne e seiva, tanto de plantas vivas quanto mortas.
Os besouros serra-pau pertencem à família Cerambycidae — Foto: César Favacho
Segundo o entomologista César Favacho, existem mais de 34 mil espécies de serra-pau descritas no mundo. No Brasil, estima-se a ocorrência de mais de 5 mil, o que coloca o país entre os principais centros de diversidade do grupo.
O nome serra-pau está relacionado ao hábito desses besouros de “serrar” galhos de árvores para a postura dos ovos.
O corte geralmente é realizado ao redor do galho ou do tronco, interrompendo a circulação da seiva entre as partes da planta. Esse processo pode levar à morte da estrutura vegetal e criar um ambiente favorável ao desenvolvimento das larvas, que se alimentam principalmente de madeira morta
— explica César.
Esses besouros ocorrem praticamente em todos os biomas brasileiros e são mais facilmente encontrados em locais com árvores mortas e troncos caídos — Foto: César Favacho
Ao decompor a madeira, contribuem para o ciclo do carbono e para a ciclagem de nutrientes, devolvendo ao solo elementos essenciais que podem ser reutilizados pelas plantas.
Além disso, os túneis que escavam servem de abrigo para outros organismos, enquanto os próprios besouros fazem parte da cadeia alimentar, sendo consumidos por aves, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos.
As longas antenas, chamadas também de “chifres”, desempenham um papel fundamental no ciclo reprodutivo. De acordo com o especialista, elas são essenciais para a percepção de feromônios, substâncias químicas liberadas pelos besouros, que permitem aos machos localizarem as fêmeas. Também é por meio dessas antenas que identificam locais adequados para se reproduzir.
As longas antenas, chamadas também de “chifres”, são importantes para o ciclo reprodutivo pois ajudam os machos a localizarem as fêmeas — Foto: César Favacho
O acasalamento ocorre sobre o tronco da planta hospedeira. Após essa etapa, a fêmea deposita os ovos em fendas abertas na casca. As larvas escavam buracos na madeira e permanecem lá por meses ou anos, até emergirem como adultos.
Os danos causados pelos serra-pau podem ser identificados por alguns sinais visíveis na madeira.
Pequenos buracos redondos, retirada da casca ao redor do galho ou do tronco e presença de um pó fino, semelhante à serragem, próximo às áreas danificadas são alguns dos indícios. No interior da madeira, as larvas abrem passagens ao longo das fibras
— conclui César.
O nome serra-pau está relacionado ao hábito desses besouros de “serrar” galhos de árvores para a postura dos ovos — Foto: César Favacho
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