Um sintoma comum do câncer de intestino, ignorado por parecer simples, marcou a história de um agricultor britânico de 33 anos.
James Rogers, produtor de árvores de natal em Berkhamsted, na Inglaterra, percebeu sangue nas fezes em 2023, durante uma viagem, e procurou atendimento médico. Na primeira avaliação, ele fez exames de sangue e um teste de fezes (FIT), usado para detectar sangue oculto. Os resultados deram negativo, e ele foi tranquilizado. Como o sangramento parou, o caso não avançou para exames mais detalhados.
Em 2025, o sintoma voltou. Dessa vez, um novo teste apontou alteração e James foi encaminhado para uma colonoscopia — exame que avalia diretamente o interior do intestino. O resultado confirmou o diagnóstico de câncer de intestino.
Durante o exame, os médicos também identificaram linfonodos próximos ao tumor comprometidos, o que indicava que a doença poderia estar começando a se espalhar. James passou por cirurgia para retirada do tumor e, na sequência, iniciou quimioterapia para reduzir o risco de retorno do câncer.
Também conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal, abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso -chamada cólon -, no reto e ânus
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de que o problema tenha provocado o óbito de cerca de 20 mil pessoas no Brasil apenas em 2019
O mês de março é dedicado à divulgação de informações sobre a doença. Se detectado precocemente, o câncer de intestino é tratável e o paciente pode ser curado
Os principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer do intestino são: idade igual ou acima de 50 anos, excesso de peso corporal e alimentação pobre em frutas, vegetais e fibras
Doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn, também aumentam o risco de câncer do intestino, bem como doenças hereditárias, como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC)
Doses de café pode reduzir em 30% risco de câncer de intestino
Os sintomas mais associados ao câncer do intestino são: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração das fezes e massa (tumoração) abdominal
O diagnóstico requer biópsia (exame de pequeno pedaço de tecido retirado da lesão suspeita). A retirada da amostra é feita por meio de aparelho introduzido pelo reto (endoscópio)
O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do tumor. Quando a doença está espalhada, com metástases para o fígado, pulmão ou outros órgãos, as chances de cura ficam reduzidas
A cirurgia é, em geral, o tratamento inicial, retirando a parte do intestino afetada e os gânglios linfáticos dentro do abdome. Outras etapas do tratamento incluem a radioterapia, associada ou não à quimioterapia, para diminuir a possibilidade de retorno do tumor
A manutenção do peso corporal adequado, a prática de atividade física, assim como a alimentação saudável são fundamentais para a prevenção do câncer de intestino
Além disso, deve-se evitar o consumo de carnes processadas (por exemplo salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru, salame) e limitar o consumo de carnes vermelhas até 500 gramas de carne cozida por semana
Rogers contou à imprensa britânica que o diagnóstico foi um choque. Segundo ele, o período de espera por exames de imagem, como tomografia e ressonância, foi um dos momentos mais difíceis, por não saber se o câncer havia atingido outras partes do corpo.
O câncer de intestino costuma se desenvolver lentamente, ao longo de anos. Nos estágios iniciais, os sintomas podem ser leves ou intermitentes, o que dificulta a suspeita — especialmente em pessoas mais jovens.
Por serem sintomas comuns a outros problemas, como hemorroidas, muitos pacientes acabam adiando uma investigação mais profunda. Embora o câncer de intestino seja mais frequente após os 50 anos, os casos em adultos jovens têm aumentado nos últimos anos.
De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer sangramento persistente ou mudança duradoura no intestino deve ser investigada, mesmo quando exames iniciais não apontam alterações.
Hoje, James usa sua história para alertar outras pessoas. A mensagem que ele divulga é que não se deve ignorar sinais recorrentes. Quando o câncer de intestino é diagnosticado precocemente, as chances de tratamento e cura são muito maiores.
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