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Fortaleza à sombra do passado - Tom Barros

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 18/04/2025 às 06:00 · Atualizado há 3 dias

Vejo o Leão de Aço jogar. Não vejo mais o encanto de antigamente. O futebol elegante, criativo, intensivo, plástico, cedeu lugar a um time comum. A grande diferença não existe mais, quando comparado aos demais concorrentes. O Fortaleza entrava para ganhar. E até parece que ganhava quando queria. 

Não sei o que motivou o retrocesso tricolor. É fato que todos os times notáveis têm um prazo de duração. Geralmente, em cinco anos, observa-se uma queda de produção. É normal. Além dos naturais desgastes, pesa a média de idade do grupo. As lesões passam a ser mais recorrentes. 

A hora de mudar é o grande desafio. Quando e como mudar? Mudar a comissão técnica? Mudar o elenco? Mudar a administração. Mudar por etapas ou mudar tudo de uma vez só. Tratamento de choque ou reforma gradual? Há também a luta contra o tempo. Os campeonatos não param. 

Uma coisa é certa: o Fortaleza não pode permanecer à sombra do passado. As únicas coisas que devem ser trazidas para o momento são as lições de vida. Quem não se renova corre o sério risco da estagnação. 

Técnico 

Qual a situação do técnico Vojvoda no Fortaleza? A meu juízo, ainda firme por tudo o que edificou. Foi com ele que o Fortaleza, por duas vezes, subiu aos altares da Copa Libertadores. Foi com ele que o Leão foi à decisão da Copa Sul-Americana. Ganhou visibilidade internacional. 

Permanência 

Quando se trata de um treinador assim, que alcançou patamares nunca visitados pelos times cearenses, há que se refletir muito antes de qualquer decisão. Vejam como anda o mercado de treinadores no Brasil. Que nomes gabaritados estão disponíveis? É complicado. É melhor ficar com o Vojvoda mesmo. 

Vozão em alta 

O Ceará está no G-4. Está quebrando as desconfianças iniciais. Duas vitórias sobre times grandes. Ganhou do Grêmio (2 x 0) e ganhou do Vasco (2 x 1), ambos no Castelão. Agora enfrentará o Bahia na Fonte Nova. Tem Pedro Raul como artilheiro (4 gols) ao lado de Arrascaeta (Flamengo) e Vegetti (Vasco). 

Afirmação 

Numa análise comparativa, já se observa que o Ceará poderá alcançar a sua afirmação na Série A 2025. Os resultados e desempenhos dos concorrentes revelam que o Vozão está na média. Mas, para manter-se no G-4, terá de buscar o que chamo de sintonia fina. Se ficar apenas na média, não dá. O momento é bom. 

Timoneiro 

Tenho gostado do trabalho do técnico Léo Condé. Discreto, sem alarde, vai, a seu modo, conduzindo o barco. Lembrei da música do Paulinho da Viola: “Faça como um velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar." Léo Condé saberá a hora de acelerar.

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