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Corrigir erros do passado: como curar feridas familiares e romper ciclos - Adalberto Barreto

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 13/11/2025 às 06:00 · Atualizado há 3 dias
Corrigir erros do passado: como curar feridas familiares e romper ciclos - Adalberto Barreto
Foto: Reprodução / Arquivo

Você já sentiu vontade de emendar erros antigos dentro da sua família? Muitas vezes, mágoas, traumas e desentendimentos de outros tempos continuam influenciando nossas relações hoje, mesmo sem percebermos. O pretérito não fica só na recordação: ele aparece em gestos, reações e expectativas, principalmente entre pais, filhos e avós. 

Nas famílias brasileiras, onde os laços são fortes e as histórias se entrelaçam, esse fenômeno é ainda mais presente. Pretérito que se repete. É generalidade que experiências difíceis vividas por nossos pais ou avós acabem se refletindo nas gerações seguintes. Por exemplo, uma mãe que sofreu descuramento pode, sem querer, cobrar demais da filha ou tentar protegê-la em excesso. 

Isso cria um ciclo onde sentimentos antigos são revividos e podem originar conflitos e distanciamento. 

Muitas vezes, esses padrões familiares são inconscientes. A pessoa repete atitudes porque aprendeu assim ou porque não teve oportunidade de refletir sobre o que viveu. Quando não paramos para pensar sobre essas repetições, arriscamos perpetuar dores e frustrações, mesmo querendo ajustar.  

No interno do Brasil, por exemplo, é generalidade ouvir histórias de famílias que carregam mágoas por gerações. Às vezes, uma recontro entre irmãos se estende por décadas, influenciando até os netos. 

Em outras situações, pais que passaram por dificuldades na puerícia acabam sendo mais rígidos ou protetores com seus filhos, tentando evitar que eles sofram o mesmo. Por que nos julgamos tanto? 

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Ao olhar para trás, muitos de nós sentimos vergonha ou contrição por decisões tomadas. Mas é importante lembrar que, naquele momento, fizemos o melhor que podíamos com o que sabíamos. O maduração traz novas perspectivas, mas não devemos ser tão duros conosco. Todos erram, e reconhecer isso é o primeiro passo para o perdão e a autocompaixão. 

É generalidade pensar: “Uma vez que pude agir assim?” ou “Se eu soubesse o que sei hoje, teria feito dissemelhante”. Esse tipo de julgamento é injusto, ao desprezar as limitações e o contexto da idade. O importante é transformar o olhar crítico em tirocínio, não em culpa. A autocrítica excessiva pode ser prejudicial. 

Muitas pessoas carregam sentimentos de culpa por anos, sem perceberem que estão agindo conforme suas possibilidades e conhecimentos do momento. É preciso hospedar a própria história, entendendo que o maduração é um processo contínuo. 

O poder das memórias: A ciência mostra que nosso cérebro pode reativar emoções antigas por desculpa de cheiros, palavras ou situações. Assim, uma simples conversa em família pode despertar sentimentos guardados há anos. Por isso, às vezes reagimos de forma exagerada sem entender o motivo. Por exemplo, o cheiro de moca pretérito na hora pode revisitar lembranças da puerícia, boas ou ruins. Uma termo dita em tom mais basta pode fazer alguém reviver uma bronca antiga. 

Essas reações mostram porquê o pretérito está presente em nosso dia a dia, principalmente nas relações familiares. Em festas de família, porquê aniversários ou almoços de domingo, antigas histórias e sentimentos podem ressurgir. 

Às vezes, uma simples folia entre primos reacende rivalidades antigas entre adultos, mostrando porquê as emoções do pretérito continuam vivas. Exemplos do dia a dia: Uma avó que vê na neta sua própria puerícia e acaba projetando expectativas. Uma mãe que serpente da filha atitudes que ela mesma não conseguiu ter. Um funcionário que, ao ser chamado à atenção pelo superintendente, revive humilhações da puerícia. 

Essas situações mostram porquê o pretérito pode influenciar o presente e dificultar relações saudáveis. Muitas vezes, não percebemos que estamos reagindo ao que já passou, e não ao que está acontecendo agora. 

No contexto regional, é generalidade que festas de família tragam à tona antigas histórias e sentimentos. 

Uma vez que romper o ciclo? 

O primeiro passo é reconhecer os padrões que se repetem. Observar as próprias reações e tentar entender de onde vêm certos sentimentos é fundamental. Buscar ajuda, porquê terapia, pode ser importante para entender e superar essas questões.  

O perdão, tanto para si quanto para os outros, abre espaço para relações mais leves e verdadeiras. Pedir desculpas, conversar claramente e ouvir o outro são atitudes que ajudam a reconstruir laços e produzir formas de convívio. 

Ser avó ou avô, por exemplo, pode ser uma chance de viver o zelo e o afeto de forma mais madura, ressignificando experiências passadas e construindo novos vínculos com os netos. 

Muitas vezes, os avós conseguem dar aos netos o carinho e a atenção que, por diferentes motivos, não conseguiram dar aos filhos.  

Trazer à luz o que está escondido é fundamental para mudar. Quando cada membro da família reconhece suas dores e limitações, fica mais fácil mourejar com o outro de forma verdadeira e acolhedora. 

O diálogo acessível, sem cobranças excessivas, permite que todos expressem seus sentimentos e busquem juntos soluções para os conflitos.  

É importante lembrar que mudar padrões exige tempo e paciência. Não é fácil ceder velhos hábitos, mas é provável edificar relações mais saudáveis ao compreender e respeitar as individualidades de cada um. 

O perdão não significa olvidar o que aconteceu, mas sim libertar-se do peso do pretérito. Perdoar a si mesmo e aos outros é um ato de coragem e maturidade. Ao fazer isso, abrimos espaço para novas experiências e para a construção de memórias mais felizes.  

No Brasil, a família é vista porquê um dos pilares da sociedade. É nela que aprendemos valores, tradições e construímos nossa identidade. Por isso, medicar feridas familiares não é somente um ato individual, mas também coletivo. 

Quando uma família consegue superar mágoas e romper ciclos de dor, toda a comunidade se fortalece. Em cidades pequenas, onde todos se conhecem, as histórias familiares muitas vezes se misturam com a história da própria cidade. 

Uma reconciliação entre parentes pode inspirar outras famílias a buscar o mesmo caminho. O escora de amigos, vizinhos e até líderes religiosos pode ser fundamental nesse processo. Reserve momentos para conversar claramente com familiares, sem julgamentos. 

Procure entender o ponto de vista do outro, mesmo que seja dissemelhante do seu. Valorize pequenas demonstrações de carinho e saudação. Busque ajuda profissional, porquê psicólogos ou terapeutas, se sentir premência. Participe de atividades comunitárias que promovam o diálogo e a convívio saudável. 

Freud já afirmava que o inconsciente é atemporal: ele não reconhece a cronologia, vivendo o pretérito porquê se fosse presente. 

Esse concepção é reforçado pelas descobertas das neurociências, que mostram que áreas do cérebro atingidas por traumas são reativadas por gatilhos sensoriais, através de nossos cinco sentidos (visão, audição, odor, sabor e tato), levando o quidam a reviver emoções antigas porquê se estivessem acontecendo agora. 

Por exemplo, uma fragrância ou uma termo podem despertar sentimentos profundos de desespero ou humilhação, mesmo que o evento original tenha ocorrido há décadas. 

Assim, o inconsciente não diferencia ontem de hoje, tornando os encontros familiares terreno fértil para reencenações emocionais e conflitos inexplicáveis. O pretérito se presentifica, influenciando a forma porquê vemos, sentimos e reagimos aos nossos parentes. 

Caminhos para superar o dilema

Para romper esse ciclo, é fundamental separar o pretérito do presente, reconhecendo as influências inconscientes que moldam nossas relações. A tomada de consciência é o primeiro passo: identificar padrões, emoções e reações que não pertencem ao momento atual, mas são ecos de experiências anteriores. 

A terapia pode ser um espaço privilegiado para esse processo, oferecendo escora e guarida. O pedido de perdão, tanto para si quanto para o outro, abre espaço para a reconciliação e a construção de novos vínculos. 

Mudar padrões exige esforço e paciência, mas é provável produzir relações mais saudáveis e autênticas ao compreender e respeitar as individualidades, deixando de projetar nossas feridas em quem amamos. 

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Imagine uma mãe que, no pretérito, não teve uma boa relação com sua filha. Hoje, ela tem dificuldade de se relacionar com a filha já adulta e mãe de sua neta. Em uma roda de terapia comunitária, essa mãe percebe que, ao olhar para a filha, não a via porquê ela realmente era, mas porquê um revérbero de si mesma, despertando um sentimento de culpa por não ter sido uma boa mãe. Para ressarcir essa culpa, ela superprotegia e sufocava a filha. 

Ao entender esse padrão, decidiu conversar com a filha e pedir perdão, abrindo espaço para um novo relacionamento, livre do peso do pretérito. Reconhecendo que no pretérito não tinha maturidade suficiente para praticar a maternidade. 

Ao conviver com a neta, percebeu repetir o padrão de sua mãe ausente, tentando dar à neta o que nunca recebeu porquê filha. 

Emendar erros do pretérito é um duelo, mas também uma oportunidade de propagação. Ao buscar consciência, perdão e novas formas de convívio, podemos transformar o pretérito em nascente de tirocínio, e não em travanca. 

O importante é olhar para si, hospedar a própria história e escolher caminhos de mais liberdade e afeto. Famílias são feitas de histórias, acertos e erros. O que importa é a disposição de cada um em edificar relações mais verdadeiras, baseadas no saudação, no diálogo e no paixão. Assim, é provável romper ciclos de dor e produzir um porvir mais ligeiro para todos. 

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do responsável. 

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