A Abra, holding dona da Gol Linhas Aéreas e da colombiana Avianca, e a Azul Linhas Aéreas assinaram nesta quarta-feira (15) um memorando de entendimento (MoU) não vinculante. Com esse acordo, as duas empresas divulgam a intenção de unir as operações em território brasileiro.
Esse acordo, inicialmente, não traz obrigações e responsabilidades de ambas as partes, mas sim traz detalhes sobre como se dará a parceria futuramente. O assunto foi divulgado pelas duas companhias e pela Gol por meio de fato relevante divulgado aos acionistas. O grupo Abra destaca que "a Gol não faz parte do MoU".
"A GOL destaca que o MoU anunciado na presente data representa uma fase inicial de um processo de negociação entre a Abra e a Azul para explorar a viabilidade de uma possível transação. O acordo não tem impacto na estratégia, na condução dos negócios ou nas operações rotineiras da GOL", frisa a Gol Linhas Aéreas.
Veja também
A Azul, por sua vez, reforça que o Mou "descreve os entendimentos das partes sobre a governança da entidade resultante da operação e reforça o interesse das partes em continuar as negociações em relação à proposta de troca de ações e demais condições da operação".
Como de praxe em transações do gênero, o próximo passo previsto para a sinergia das operações deverá ser enviar uma notificação para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). É o órgão que analisa fusões e demais negócios que envolvem empresas brasileiras ou que operam em território nacional.
Gol ainda está em processo de recuperação judicial
A brasileira Gol destacou que, por enquanto, não haverá impactos nas operações da empresa no País. Vale lembar que a companhia está em recuperação judicial há um ano. Em janeiro de 2024, a aérea deu entrada com pedido de Chapter 11 no Tribunal de Falências dos Estados Unidos (processo legal em território estadunidense e utilizado pelas empresas para levantar capital e reestruturar as finanças enquanto operam normalmente).
A Gol "continua focada em concluir as etapas restantes dos seus procedimentos do Chapter 11 em andamento, com o objetivo de emergir de seu processo de reestruturação como uma companhia independente e capitalizada".
Essa condição inclusive é parte decisiva do MoU assinado entre Abra e Azul. De acordo com o que foi divulgado pela Gol aos acionistas, a possível fusão entre as duas empresas "estaria sujeita à consumação do plano de reorganização no âmbito do procedimento de Chapter 11, bem como a outras condições e aprovações para o fechamento a serem negociadas em conexão com a potencial transação".
Tanto a Gol quanto a Azul reforçaram na comunicação aos acionistas que ambas vão manter os certificados operacionais e as marcas independentes uma da outra. A associação entre as duas empresas, conforme o entendimento das aéreas, vai trazer combinação de operações e ganhos de eficiência.
"A Abra e a Azul também concordaram no MoU com um princípio comercial de que qualquer combinação resultará em uma alavancagem líquida da entidade combinada que será pelo menos comparável à alavancagem líquida da GOL imediatamente antes do fechamento da potencial transação após a consumação de seu plano de reorganização", detalha a Abra.
Acordo de associação começou a ser divulgado há quase um ano
Desde os primeiros meses de 2024, começaram a circular notícias no mercado da aviação comercial de que Azul e Gol estudavam a associação. Essas questões combinam sucessivos resultados negativos, como o processo de Chapter 11 da empresa controlada pelo Grupo Abra.
"Temos o prazer de anunciar nossa intenção de explorar uma combinação dos negócios da Gol e da Azul para criar um player de aviação global mais competitivo e resiliente e aumentar a democratização do setor. Como parte da estratégia da Abra de fortalecer o mercado brasileiro, esta é uma oportunidade importante para intensificar ainda mais nossa presença no Brasil e fortalecer nossa rede global".