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Como as formigas se comunicam? Entenda esse complexo sistema

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 21/11/2025 às 02:00 · Atualizado há 6 dias
Como as formigas se comunicam? Entenda esse complexo sistema
Foto: Reprodução / Arquivo

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Certamente você já percebeu uma vez que as formigas são organizadas, seja na construção dos formigueiros ou nas filas perfeitas que formam para transportar comida. Mas uma vez que elas conseguem manter uma coordenação tão precisa?

As formigas se comunicam por meio de sinais químicos, táteis e sonoros. Esses códigos permitem orientar movimentos, dividir tarefas e prometer o funcionamento da colônia. Neste item, explicamos uma vez que esse processo acontece.

Uma vez que as formigas se comunicam?

As formigas estão ajudando umas às outras a carregar folhas para fazer seu ninho. / Crédito: Bigzumi (Shutterstock/reprodução)

Pesquisas em insectologia, ecologia e biologia evolutiva mostram que as formigas combinam três tipos de sinais: feromônios, sons e toques. Cada um cumpre um papel específico no dia a dia da colônia e contribui para a eficiência desse sistema social.

A informação química é a mais importante. Os feromônios orientam praticamente tudo, da procura por comida à resguardo contra intrusos. Essas substâncias funcionam uma vez que mensagens rápidas e precisas, capazes de alinhar o comportamento de milhares de indivíduos ao mesmo tempo.

Feromônios: a linguagem química das formigas

Os feromônios são substâncias químicas que as formigas liberam por glândulas especializadas, uma vez que as glândulas de Dufour (responsáveis por produzir compostos usados em trilhas e sinalização), glândulas venenosas e estruturas localizadas no pigídio ou no reto. Eles funcionam uma vez que mensagens invisíveis que se espalham pelo envolvente e outras formigas captam pelas antenas.

formigas
(Imagem: RHJ / iStock)

Esses sinais provocam respostas rápidas, uma vez que fuga ou ataque, e também efeitos duradouros, uma vez que alterações fisiológicas em operárias e rainhas. Pesquisas em fisiologia de insetos mostram que a vida social das formigas só evoluiu graças à eficiência dessa linguagem química.

Feromônio de rebate

O feromônio de rebate é altamente volátil. Ele se espalha rapidamente pelo ar e provoca reação imediata nas operárias. Quando detectam o sinal, as formigas aceleram os movimentos, abrem as mandíbulas e recrutam companheiras para proteger o ninho.

Estudos químicos indicam que esse feromônio costuma ser formado por heptanonas e octanonas, armazenadas nas glândulas mandibulares. Esse mecanismo também aparece em outros insetos sociais, uma vez que abelhas e vespas.

Formigas enfileiradas caminhando ordenadamente na madeira, com efeito de vinheta. / Crédito: AisPict (Shutterstock/reprodução)

Feromônio de trilha e de recrutamento

Quando uma formiga forrageira (responsável por trespassar do ninho para buscar comida para a colônia) encontra comida, ela deposita no solo um feromônio que indica o caminho até a manadeira. As outras formigas seguem esse rastro e reforçam a trilha com novas marcações.

Por isso, rotas eficientes se tornam mais fortes e movimentadas. Quando o comida acaba, nenhuma formiga renova o sinal químico e a trilha perde força até vanescer.

Feromônios territoriais

Os feromônios territoriais servem para marcar áreas e evitar confrontos entre colônias rivais. Cada formigueiro possui uma assinatura química própria. Essa marca permite que as operárias reconheçam intrusas com rapidez e protejam recursos importantes, uma vez que comida e locais de nidificação.

Imagem: Dany Buffat/Universidade de Lausanne

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Feromônio de reconhecimento individual

Além de identificar colônias, as formigas também distinguem indivíduos. A constituição química presente na cutícula permite reconhecer companheiras de ninho e formas sexuadas. Esse processo garante que o trabalho seja dividido de maneira eficiente e impede que insetos intrusos se passem por membros da colônia.

Feromônio da rainha

A rainha produz substâncias químicas que regulam o comportamento e o desenvolvimento das operárias. Quando ela deixa de liberar certos compostos, a colônia interpreta que é hora de produzir novas rainhas. Estudos de biologia social indicam que esses sinais mantêm a ordem e garantem a ininterrupção da reprodução, reduzindo disputas internas.

FORMIGA
Insetos. Imagem: Henrik Larsson/Shutterstock

Feromônios de reunião e de marcação de folhas

Algumas espécies usam feromônios para indicar fontes de comida ou locais seguros para novos ninhos, o que atrai mais indivíduos. Formigas-cortadeiras, uma vez que Atta cephalotes, também marcam folhas recém-cortadas para facilitar o transporte. 

Feromônios sexuais

Utilizados durante o período reprodutivo, esses sinais atraem parceiros para cópula. Inicialmente se acreditava que somente as fêmeas produziam feromônios sexuais, mas pesquisas recentes mostram que machos também emitem sinais específicos.

Outras formas de informação

Formigas operárias desta espécie podem se tornar “pseudorrainhas” ganhando um duelo depois que a rainha da colônia morre. Imagem: Hua Yan/NYU

Sons: a estridulação

Mesmo que o som não seja perceptível para nós, as formigas produzem ruídos por estridulação, friccionando partes do abdômen ou das mandíbulas. Esses sons ajudam na coordenação interna, no alerta e na interação com outras espécies. As operárias captam esses sinais por receptores sensoriais presentes nas patas.

Toque: antenas e trofalaxia

O toque é outro elemento precípuo na informação. As formigas encostam antenas umas nas outras para identificar odores e transmitir informações. Já a trofalaxia, que consiste na troca de comida boca a boca, distribui nutrientes e feromônios. Esse ato mantém a colônia informada e reforça a organização dos grupos de trabalho.

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