O colágeno é velho conhecido da indústria da saúde e da beleza, comumente usado para melhorar a elasticidade da pele e manter a aparência jovial. Antes mesmo de essas propriedades serem aproveitadas pelos humanos, o material é uma proteína estrutural presente em tecidos do corpo – incluindo em dinossauros.
Um estudo publicado este mês no periódico ACS Central Science fez descoberta surpreende nesse sentido: o colágeno se mantém vivo em fósseis dos seres pré-históricos, incluindo um datado de 195 milhões de anos.
Ilustração associa a fórmula do colágeno aos dinossauros (Imagem: ACS Central Science CC-By-4.0)Colágeno está presente em nosso corpo
Os pesquisadores já sabiam que o colágeno está presente em nossos corpos. O que eles não sabiam é que o material podia se manter vivo ao longo de milhões de anos.
Foi isso que aconteceu. A pesquisa encontrou colágeno intacto em fósseis de dinossauros, incluindo um espécime de Lufengosaurus de 195 milhões de anos.
Como funciona o colágeno
A surpresa acontece porque a proteína, em temperatura ambiente, costuma perder metade de suas ligações a cada 500 anos devido à ação da água (sem contar as bactérias envolvidas no processo). Ambientes secos estendem a vida útil, mas há períodos úmidos em todos os lugares da Terra.
Então, como explicar o colágeno nos fósseis de dinossauros? Essa foi a tentativa de cientistas do MIT no estudo.
Eles acreditam que interações do grupo carbonila podem ser responsáveis pela conservação. O autor sênior do estudo, Professor Ron Raines, explicou que, de acordo com as descobertas, a interação com a carbonila impede que a água ataque as ligações peptídicas da proteína e as quebre, como aconteceria normalmente.
Representação da molécula de colágeno (Imagem: ACS Central Science CC-By-4.0)Vamos a uma explicação química, de acordo com o IFLScience:
- As ligações dentro do colágeno acontecem entre moléculas de carbono e nitrogênio em aminoácidos vizinhos;
- A partir da capacidade dessas moléculas de formarem quatro ligações, o átomo de carbono se une a um átomo de oxigênio para formar um grupo carbonila, deixando um elétron livre para realizar outra ligação;
- O que a equipe descobriu é que a ligação formada nesse processo é resistente à água, já que não deixam as moléculas dela se ligarem ao colágeno (e o destruírem com o tempo).
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Pesquisadores testaram a proposta
Para testar essa ideia, os cientistas produziram duas proteínas com composições semelhantes às do colágeno. Uma delas foi chamada de cis e a outra de trans (dois nomes bastante comuns no campo da química). A proteína cis se decompõe quando exposta à água, enquanto a trans resiste.
O que o estudo propôs é que os dinossauros encontrados com colágeno nos fósseis devem ter sido principalmente trans, o que permitiu que o material sobrevivesse por tanto tempo.
Ainda de acordo com Raines, isso explica a razão pela qual os mamíferos (e os dinossauros) usam tanto o colágeno: por suas propriedades estáveis.
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