Observações foram feitas pelo telescópio solar GREGOR, que acompanhou a região ativa NOAA 14274
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Uma série de imagens de altíssima definição registradas no início de novembro proporcionou aos cientistas uma visão inédita dos instantes que antecedem explosões solares do tipo X — as mais poderosas do Sol.
As observações foram feitas pelo telescópio solar GREGOR, localizado no Observatório do Teide, em Tenerife (Espanha), que acompanhou a região ativa NOAA 14274 pouco antes de duas grandes erupções solares.

Erupções solares e seus efeitos
- No primícias de novembro, uma sequência de fortes erupções de classe X desencadeou ejeções de tamanho coronal que culminaram em um espetáculo auroral incomum, visível até mesmo no sul do México;
- Para a comunidade científica, porém, o fenômeno que mais chamou atenção foram as imagens captadas minutos antes das explosões;
- Os pesquisadores observaram a emissão de duas erupções solares — uma em 10 de novembro e outra em 11 de novembro — diretamente das manchas solares da região ativa NOAA 14274. Conquistar esse tipo de evento com um telescópio fundamentado em solo é um pouco vasqueiro.
“Fortes erupções solares ocorrem na segmento oculta do Sol, durante a noite, em dias nublados, quando as condições de visibilidade são ruins ou quando estão fora do campo de visão do telescópio”, afirmou em transmitido o professor Carsten Denker, do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam (AIP) e responsável principal do estudo.
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Flagrando as manchas solares
Por coincidência científica, o instrumento de subida solução FAST IMAGER, acoplado ao GREGOR, escaneou as manchas solares da região NOAA 14274 muro de 30 minutos antes da emissão de uma erupção solar do tipo X1.2. Isso permitiu aos pesquisadores observar de perto os precursores da explosão dentro das manchas solares. A dimensão registrada tinha aproximadamente 175 milénio km por 110 milénio km.
Segundo Dr. Meetu Verma, pesquisador solar do AIP e coautora do estudo, “As fibrilas penumbrais, que normalmente se estendem radialmente a partir do núcleo escuro da umbra, estavam fortemente curvadas e entrelaçadas”. A inflexão e entrelaçamento dessas fibrilas penumbrais indicam um campo magnético altamente tensionado, envolvente propício para uma liberação explosiva de pujança — exatamente o que ocorreu logo depois.
Mais imagens do telescópio devem ser divulgadas. Somente ao longo do mês de novembro, o GREGOR produziu quase 40 milénio conjuntos de dados, que agora passam por processamento e estudo. A expectativa dos cientistas é que esse material revele ainda mais detalhes sobre a dinâmica solar.

O estudo que descreve as imagens foi publicado na revista Research Notes of the AAS, em novembro de 2025.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Do dedo.