Estudantes de Medicina Hostilizam Bolsistas em Araguari (MG)
Dois alunos do curso de Medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac), em Araguari, no Triângulo Mineiro, foram alvo de denúncias por hostilizar colegas bolsistas do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As ofensas, direcionadas também a estudantes que vendem trufas para se manter na cidade, ocorreram em um grupo de WhatsApp após a reeleição do presidente Luis Inácio Lula da Silva, segundo informações divulgadas pelo g1.
Os universitários, ambos de 19 anos, enviaram áudios na noite de domingo (25) com mensagens depreciativas. Em uma das gravações, um dos estudantes afirmou: "Agora quem votou no Lulinha, que está há 20 anos prometendo picanha, quem vier vender trufa [...]. Falar que as minas gostosas que estão com o Lula. Vai todo mundo se f*. Pega a p* da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a p* do MST". Os nomes dos envolvidos não foram revelados para proteger a identidade das vítimas.
Repercussão e Medidas Tomadas
Uma estudante de 21 anos, natural de Uberlândia, que é bolsista e vende trufas para se manter em Araguari, relatou ao g1 que se sentiu diretamente atacada e humilhada. Ela ingressou na instituição e, embora não tivesse se posicionado politicamente antes, publicou uma foto no Instagram após o resultado do segundo turno. A jovem registrou um boletim de ocorrência por difamação na manhã de quarta-feira (28) contra os responsáveis pelas mensagens.
A estudante destacou que a situação foi "discriminação socioeconômica pura" e que a bolsa é o que lhe permite cursar Medicina. Ela mencionou que figurinhas ofensivas contra eleitores do PT já circulavam no grupo antes do primeiro turno, intensificando-se após a vitória de Lula. Outros alunos tentaram intervir para acalmar os ânimos.
Posicionamento da Instituição e Diretório Acadêmico
O Imepac emitiu um comunicado oficial, repudiando veementemente "qualquer manifestação de intolerância ou discriminação, seja por convicções políticas ou por condição socioeconômica". A instituição informou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos e aplicar as medidas cabíveis, garantindo o direito de defesa dos envolvidos. Além disso, o Imepac disponibilizou acolhimento e suporte aos estudantes afetados.
O Diretório Acadêmico Diogo Guimarães também se manifestou, publicando uma nota de repúdio nas redes sociais, reforçando a condenação a atos de discriminação e intolerância no ambiente universitário.
Investigações em Andamento
O g1 entrou em contato com a Polícia Civil para verificar a abertura de um inquérito para apurar a suspeita de difamação e aguarda retorno. A reportagem também buscou o Imepac para obter informações sobre possíveis medidas administrativas adicionais, como a expulsão dos alunos, e os próximos encaminhamentos, mas não obteve resposta até a última atualização da matéria.
Fonte: g1.globo.com.