O jornalismo de resistência, que dribla a censura e as imposições do capital, não nasceu na internet. Houve um tempo em que ele se fazia no papel, em jornais que precisavam ser impressos em pequenas gráficas — sempre sob risco de empastelamento ou de serem recolhidos antes de chegar às bancas.
Raimundo Rodrigues Pereira era um dos mestres da reportagem, enfrentando a ditadura e depois, já na democracia, testando os limites de um jornalismo dominado por patrões que agiam como fazendeiros da República Velha.
Uma vida de resistência
De forma seca e econômica, Raimundo usava as palavras para lutar contra a ditadura, sem jamais entrar na luta armada. Suas notícias sempre buscavam a verdade e a liberdade de imprensa.
O jornalista se formou em Engenharia no ITA e Física na USP, antes de seguir sua paixão pelo jornalismo. Suas reportagens sempre carregavam ternura no olhar, mostrando a compaixão e a humanidade.
No seu último artigo de opinião, Raimundo destacou a importância de nunca aceitar a censura, nem pedir demissão diante do inimigo. Era uma lição que ele aprendeu na sua vida de resistência.