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Eleições 2026: Lula lidera todas as pesquisas, mas direita fragmentada pode surpreender

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 03/01/2026 às 21:25 · Atualizado há 2 dias
Eleições 2026: Lula lidera todas as pesquisas, mas direita fragmentada pode surpreender
Foto: Reprodução / Arquivo

As eleições presidenciais de 2026 acontecem em 4 de outubro, com possível segundo turno em 25 de outubro. Lula (PT) lidera todas as pesquisas recentes com 34% a 41% no primeiro turno e vence todos os adversários no segundo turno com margens entre 10 e 15 pontos. Flávio Bolsonaro (PL) aparece como principal nome da direita com 21% a 29%, seguido por Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr. e outros governadores. Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 e cumprindo prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe. A polarização deve se repetir, mas com protagonistas renovados.

Índice

  1. Datas e calendário eleitoral
  2. Cenário atual: Lula vs direita fragmentada
  3. Todas as pesquisas de dezembro 2025
  4. Principais candidatos e suas chances
  5. Bolsonaro: inelegível mas influente
  6. Estados-chave que decidirão 2026
  7. Polarização 3.0: o que mudou?
  8. Terceira via tem chance?
  9. Economia vai decidir a eleição?
  10. Perguntas frequentes

Datas e calendário eleitoral de 2026

Cronograma oficial do TSE

Abril de 2026:

  • 4 de abril: Prazo final para desincompatibilização de cargos
    • Presidente, governadores e prefeitos que querem concorrer a outros cargos devem renunciar

Maio de 2026:

  • 6 de maio: Data limite para regularização do título de eleitor
    • Quem está com título cancelado ou suspenso perde o direito de votar

Julho-Agosto de 2026:

  • 20 de julho a 5 de agosto: Convenções partidárias para escolha de candidatos
  • 15 de agosto: Prazo final para registro de candidaturas no TSE
  • 16 de agosto: Início oficial da campanha eleitoral

Outubro de 2026:

  • 4 de outubro: Primeiro turno das eleições
    • Eleição de presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais
  • 25 de outubro: Segundo turno (se necessário)
    • Para presidente e governadores que não atingirem 50%+1 dos votos válidos

O que está em jogo:

  • 1 presidente da República (mandato de 4 anos)
  • 27 governadores (mandatos de 4 anos)
  • 54 senadores (2 por estado, mandatos de 8 anos)
  • 513 deputados federais (mandatos de 4 anos)
  • Deputados estaduais em todos os estados (mandatos de 4 anos)

Cenário atual: Lula lidera, mas direita se reorganiza

Panorama geral (janeiro 2026)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia 2026 como franco favorito à reeleição segundo todas as pesquisas divulgadas em dezembro de 2025. O petista lidera em todos os cenários de primeiro turno testados pelos principais institutos (Datafolha, Ipsos-Ipec, Quaest, AtlasIntel e Real Time Big Data) e venceria qualquer adversário no segundo turno.

Vantagens de Lula:

  • Base eleitoral consolidada entre 34% e 41%
  • Máquina pública e programas sociais fortalecidos
  • Economia mostrando sinais de recuperação
  • Adversários da direita divididos e sem consenso

Desafios de Lula:

  • 57% dos eleitores acham que ele não deveria se candidatar
  • 56% afirmam que ele não merece reeleição
  • Taxa de reprovação de 38% vs aprovação de 32%
  • Desgaste natural após quase 4 anos de governo

Campo da direita: fragmentação e busca por unidade

Com Jair Bolsonaro inelegível até 2030 e preso após condenação a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe, a direita tenta se reorganizar em torno de novos nomes. Cinco candidatos disputam o posto de "herdeiro" do bolsonarismo:

1. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - O escolhido

  • Indicado oficialmente pelo pai em dezembro de 2025
  • Marca entre 21% e 29% nas pesquisas de primeiro turno
  • Alta rejeição: 60% (maior entre todos os candidatos)
  • Perde para Lula por 10 a 15 pontos no segundo turno

2. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) - O estrategista

  • Governador de São Paulo com aprovação alta
  • Entre 17% e 23% no primeiro turno
  • Menor rejeição entre candidatos da direita: 47%
  • Empata tecnicamente com Lula em algumas pesquisas
  • Pode optar pela reeleição em SP ao invés de arriscar o Planalto

3. Michelle Bolsonaro (PL) - A outsider

  • Ex-primeira-dama tem 23% em cenários específicos
  • Maior apoio entre evangélicos: 32%
  • 50% de intenção de voto entre eleitores de Bolsonaro em 2022
  • Rejeição de 30% (mais baixa entre os Bolsonaro)

4. Ratinho Jr. (PSD-PR) - O nome do Centrão

  • Governador do Paraná com 10% a 17% nas pesquisas
  • Perfil mais moderado, tentativa de terceira via
  • Apoio do MDB e PSD (partidos do Centrão)

5. Ronaldo Caiado (União-GO) - O veterano

  • Governador de Goiás com 7% a 10%
  • Perfil conservador independente
  • Tenta construir alternativa fora do eixo Lula-Bolsonaro

Outros nomes mencionados:

  • Romeu Zema (Novo-MG): 6% a 11%
  • Eduardo Bolsonaro (PL-SP): 18% em cenários específicos
  • Eduardo Leite (PSD-RS): aparece em algumas simulações
  • Ciro Gomes (PSDB-CE): tenta terceira via pela esquerda

Todas as pesquisas de dezembro 2025 a janeiro 2026

Datafolha (2-4 de dezembro de 2025)

Amostra: 2.002 eleitores em 113 municípios
Margem de erro: 2 pontos percentuais

Primeiro turno (com Flávio Bolsonaro):

  • Lula (PT): 41%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 18%
  • Ratinho Jr. (PSD): 12%
  • Ronaldo Caiado (União): 7%
  • Romeu Zema (Novo): 6%
  • Brancos/nulos: 13%
  • Indecisos: 3%

Segundo turno:

  • Lula 51% x 36% Flávio Bolsonaro
  • Lula 52% x 42% Tarcísio de Freitas
  • Lula 54% x 41% Ratinho Jr.
  • Lula 58% x 35% Eduardo Bolsonaro
  • Lula 55% x 39% Michelle Bolsonaro

Análise: Lula vence com folga no segundo turno contra todos os adversários, com vantagens entre 10 e 23 pontos percentuais.

Ipsos-Ipec (4-8 de dezembro de 2025)

Amostra: Pesquisa nacional (número não divulgado)
Margem de erro: Não especificada

Resultado: Lula com 38% em todos os cenários testados

Comparativo da direita:

  • Michelle Bolsonaro: 23% (maior entre os Bolsonaro)
  • Flávio Bolsonaro: 19%
  • Eduardo Bolsonaro: 18%
  • Tarcísio de Freitas: 17%

Destaques por segmento:

Michelle Bolsonaro:

  • 32% entre evangélicos
  • 50% entre quem votou em Bolsonaro em 2022

Flávio Bolsonaro:

  • 43% entre eleitores de Bolsonaro em 2022

Tarcísio de Freitas:

  • 30% entre quem ganha acima de 5 salários mínimos
  • 37% entre eleitorado de Bolsonaro em 2022

Lula entre jovens:

  • 47% a 48% entre 16-24 anos (nos cenários com Tarcísio e Eduardo)

Percepção sobre Lula:

  • 57% acham que não deveria se candidatar (queda de 5 pontos desde agosto)
  • 56% afirmam que não merece ser reeleito
  • 69% dos evangélicos não querem sua candidatura
  • 90% dos eleitores de Bolsonaro em 2022 rejeitam sua reeleição

Genial/Quaest (13-17 de dezembro de 2025)

Amostra: 2.004 eleitores em 120 municípios
Margem de erro: 2 pontos percentuais

Segundo turno:

  • Lula 46% x 36% Flávio Bolsonaro (10 pontos de diferença)
  • Lula 45% x 35% Tarcísio de Freitas (10 pontos)

Rejeição:

  • Flávio Bolsonaro: 60% (maior rejeição)
  • Lula: 54%
  • Tarcísio de Freitas: 47% (menor rejeição)

Opinião sobre indicação de Flávio:

  • 54% acham que Bolsonaro errou ao indicar o filho
  • 19% acham que Michelle deveria ter sido indicada
  • 16% acham que Tarcísio seria melhor escolha

Análise: Primeira pesquisa após o anúncio oficial de Flávio como pré-candidato. A alta rejeição do senador é um problema sério para a direita.

AtlasIntel/Bloomberg (22-27 de novembro de 2025)

Amostra: 5.510 pessoas em todas as regiões
Margem de erro: Não especificada

Segundo turno:

  • Lula 53% x 41% Flávio Bolsonaro (12 pontos)
  • Lula 50% x 46% Jair Bolsonaro* (empate técnico)
  • Lula 49% x 45% Tarcísio de Freitas (empate técnico)
  • Lula 50% x 45% Michelle Bolsonaro (empate técnico)

*Bolsonaro está inelegível e preso, mas foi testado como referência

Primeiro turno com Flávio:

  • Lula: 35,8%
  • Flávio Bolsonaro: 21,3%
  • Tarcísio de Freitas: 11,2%
  • Ronaldo Caiado: 7,9%
  • Ratinho Jr.: 7,1%
  • Romeu Zema: 5,4%

Análise: AtlasIntel mostra cenário mais competitivo, com Tarcísio e Michelle empatando tecnicamente com Lula no segundo turno. Flávio, porém, perde com folga.

Real Time Big Data (dezembro 2025)

Metodologia: Pesquisa nacional online
Amostra: Não divulgada

Tendência identificada:

  • Lula mantém liderança consistente
  • Flávio Bolsonaro cresce 4 pontos desde agosto
  • Tarcísio se consolida como alternativa viável
  • Terceira via não decola (todos abaixo de 15%)

Consolidação das pesquisas

Média dos institutos - Primeiro turno:

  1. Lula (PT): 34% a 41%
  2. Flávio Bolsonaro (PL): 18% a 29%
  3. Tarcísio de Freitas (Republicanos): 11% a 23%
  4. Ratinho Jr. (PSD): 7% a 17%
  5. Ronaldo Caiado (União): 7% a 10%
  6. Romeu Zema (Novo): 5% a 11%

Média - Segundo turno:

  • Lula vence todos com 10 a 15 pontos de vantagem
  • Exceção: empate técnico com Tarcísio e Michelle em algumas pesquisas

Conclusão: Cenário favorável a Lula, mas não definido. A direita precisa se unir em torno de um nome para ter chance real.

Principais candidatos e suas estratégias

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - O favorito

Perfil:

  • 80 anos (completará 81 em outubro de 2026)
  • Quatro vezes presidente (2003-2010, 2023-atual)
  • Tentará quinta eleição e quarto mandato

Pontos fortes:

  • Base eleitoral fiel entre 34-41%
  • Máquina pública robusta
  • Programas sociais populares (Bolsa Família, Pé-de-Meia)
  • Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil
  • Economia em recuperação (se mantiver tendência)
  • Alianças com Centrão (MDB, PSD)

Pontos fracos:

  • Idade avançada (preocupação de eleitores)
  • Desgaste do governo (aprovação de 32%)
  • Maioria acha que não deveria se candidatar (57%)
  • Inflação e custo de vida ainda altos
  • Casos de corrupção no governo
  • Dificuldade em emplacar reformas

Estratégia:

  • Apostar na polarização (Lula vs Bolsonaro 3.0)
  • Destacar golpe de 8 de janeiro contra adversários
  • Entregar obras e programas sociais até outubro
  • Usar presidência para aparecer (inaugurações, anúncios)
  • Atacar inelegibilidade e prisão de Bolsonaro
  • Pintar adversários como continuidade do golpismo

Vice:

  • Geraldo Alckmin (PSB) deve se manter na chapa
  • Alternativa: Nome do Centrão para ampliar base (Simone Tebet?)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - O herdeiro

Perfil:

  • 44 anos, senador pelo Rio de Janeiro
  • Filho mais velho de Jair Bolsonaro
  • Empresário e político profissional

Pontos fortes:

  • Apoio oficial do pai e da família Bolsonaro
  • 50% de intenção entre eleitores de Bolsonaro 2022
  • Máquina do PL (maior partido da Câmara)
  • Recursos de campanha garantidos
  • Base bolsonarista fiel (20-25% do eleitorado)

Pontos fracos:

  • Rejeição altíssima: 60% (a maior entre todos)
  • Imagem de "rachadinha" (escândalo não resolvido)
  • Falta carisma do pai
  • Investigado pela PF e Ministério Público
  • Não consegue atrair moderados
  • Perde para Lula por 10-15 pontos no segundo turno

Estratégia:

  • Colar em Lula, atacar governo
  • Explorar saudosismo do governo Bolsonaro
  • Bandeiras: anticorrupção, segurança, costumes
  • Aliança com evangélicos
  • Redes sociais como principal canal
  • Manter base bolsonarista mobilizada

Vice:

  • Provavelmente alguém do Centrão
  • Pode ser um nome evangélico (Damares Alves?)
  • Ou governador para ampliar base regional

Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) - O estrategista

Perfil:

  • 49 anos, governador de São Paulo
  • Ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro
  • Militar de carreira (Exército), engenheiro

Pontos fortes:

  • Governador do estado mais rico e populoso
  • Aprovação alta em SP (acima de 60%)
  • Menor rejeição entre candidatos da direita: 47%
  • Perfil técnico, menos ideológico
  • Empata tecnicamente com Lula em algumas pesquisas
  • Apoio de parte do empresariado
  • Boa relação com Centrão

Pontos fracos:

  • Bolsonaro indicou Flávio, não ele
  • Disputa interna no campo da direita
  • Pouco conhecido fora de SP
  • Sem carisma popular forte
  • Pode optar por reeleição em SP (mais seguro)

Dilema estratégico: Tarcísio enfrenta decisão crucial em abril:

  1. Renunciar ao governo de SP para concorrer à Presidência (arriscado)
  2. Buscar reeleição em SP (quase garantida) e preparar 2030

Análise: Tarcísio é o nome mais competitivo contra Lula, mas pode não querer se desgastar em 2026. Se Lula vencer, ele seria favorito em 2030 com mandato em SP consolidado.

Vice potencial:

  • Nome do Nordeste para equilibrar chapa
  • Ou mulher para atrair eleitorado feminino

Michelle Bolsonaro (PL) - A carta na manga

Perfil:

  • 42 anos, ex-primeira-dama
  • Advogada, ativista de causas sociais
  • Sem experiência em cargos eletivos

Pontos fortes:

  • Menor rejeição entre os Bolsonaro: 30%
  • 50% de intenção entre eleitores de Bolsonaro 2022
  • 32% de apoio entre evangélicos
  • Imagem mais suave que o marido
  • Identificação com mulheres e mães
  • "Novidade" política (não tem desgastes)

Pontos fracos:

  • Zero experiência administrativa
  • Flávio já foi indicado oficialmente
  • Seria vista como proxy de Bolsonaro
  • Não tem estrutura própria de campanha
  • Bolsonaro preso enfraquece a candidatura dela

Cenário: Michelle só entraria se Flávio desistir ou se candidatura dele naufragar nas pesquisas até julho.

Ratinho Jr. (PSD-PR) - A terceira via do Centrão

Perfil:

  • 39 anos, governador do Paraná
  • Filho de Carlos Massa (Ratinho, apresentador de TV)
  • Aprovação alta no Paraná

Pontos fortes:

  • Perfil jovem e renovação
  • Governador de estado importante
  • Apoio do PSD e MDB (Centrão forte)
  • Menos polarizador
  • Boa relação com empresários

Pontos fracos:

  • Pouco conhecido nacionalmente
  • Apenas 7-17% nas pesquisas
  • Sem base eleitoral consolidada fora do Sul
  • Pode não chegar ao segundo turno

Estratégia: Tentar se posicionar como alternativa "sensata" entre Lula e Flávio, mas espaço é pequeno.

Ronaldo Caiado (União-GO) - O conservador independente

Perfil:

  • 75 anos, governador de Goiás
  • Médico, político desde os anos 1980
  • Conservador mas crítico de Bolsonaro

Pontos fortes:

  • Experiência política longa
  • Governador com aprovação boa
  • Independente do bolsonarismo
  • Apoio do agronegócio

Pontos fracos:

  • Idade avançada
  • Pouco conhecido nacionalmente
  • Apenas 7-10% nas pesquisas
  • Sem máquina nacional forte

Análise: Dificilmente passa do primeiro turno. Pode servir como "puxador de votos" para candidatos ao Senado e governos estaduais.

Jair Bolsonaro: inelegível, preso, mas influente

Situação jurídica atual (janeiro 2026)

Condenações:

  • 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado (STF, 2025)
  • Inelegível até 2030 (TSE, 2023) - duas condenações:
    1. Abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação
    2. Ataques ao sistema eleitoral

Status: Prisão domiciliar na Superintendência da PF em Brasília

Investigações em andamento:

  • Jóias sauditas não declaradas
  • Fraude em cartões de vacinação
  • Trama golpista pós-eleição 2022
  • Espionagem ilegal (Abin paralela)
  • Tentativa de golpe militar

Influência na eleição de 2026

Mesmo inelegível e preso, Bolsonaro continua sendo figura central:

Apoio dele vale? Segundo pesquisa Ipsos-Ipec:

  • Para 27%: aumentaria vontade de votar no candidato
  • Para 30%: diminuiria a vontade
  • Para 37%: não afetaria
  • Saldo: Ligeiramente negativo

Ausência dele nas eleições:

  • 49% veem como negativa
  • 40% veem como positiva
  • 6% consideram indiferente

Base eleitoral: Bolsonaro ainda mantém cerca de 40-45% de intenção de voto quando testado contra Lula (mesmo inelegível), mostrando que sua base permanece fiel.

Estratégia da família:

  • Flávio como candidato oficial
  • Michelle como plano B
  • Eduardo e Carlos mobilizando redes sociais
  • Manter Bolsonaro como "mártir" da perseguição política

Risco: A prisão pode tanto vitimizar quanto desgastar. Pesquisas mostram que maioria dos brasileiros aprova a condenação e rejeita tentativas de minimizar o golpe.

Estados-chave que decidirão as eleições de 2026

São Paulo - O gigante que pode definir tudo

Peso eleitoral: 22% do eleitorado nacional (33 milhões de eleitores)

Cenário atual:

  • Tarcísio de Freitas domina o estado
  • Lula tem dificuldade histórica em SP capital
  • Interior paulista é majoritariamente bolsonarista

Disputa para governador: Se Tarcísio concorrer à Presidência:

  • Fernando Haddad (PT) é a aposta da esquerda
  • Guilherme Boulos (PSOL) pode tentar novamente
  • PSD e MDB podem lançar nomes próprios

Se Tarcísio ficar em SP:

  • Reeleição praticamente garantida
  • Esquerda terá que apostar em 2030

Importância: São Paulo sozinho pode mudar o resultado nacional. Se Lula perder feio aqui, precisa compensar em MG e no Nordeste.

Minas Gerais - O fiel da balança

Peso eleitoral: 10% do eleitorado nacional (16 milhões)

Histórico: Desde redemocratização, quem vence em MG costuma vencer nacionalmente

Cenário atual:

  • Lula tem força na capital e no Norte de Minas
  • Bolsonarismo forte no Triângulo e Sul de Minas
  • Romeu Zema (Novo) é governador, mas com aprovação moderada

Disputa para governador:

  • Alexandre Kalil (PSD) pode tentar novamente
  • PT busca reconstruir força após derrotas
  • Zema pode tentar reeleição ou ir ao Senado

Análise: MG é o estado mais imprevisível. Quem conquistar aqui tem grande chance de vencer nacionalmente.

Rio de Janeiro - Evangélicos decidem

Peso eleitoral: 8% do eleitorado nacional (12,5 milhões)

Características:

  • Evangélicos são 40%+ do eleitorado
  • Militarismo forte (PM, bombeiros, ex-militares)
  • Flávio Bolsonaro é senador pelo estado

Disputa para governador:

  • Cláudio Castro (PL) busca reeleição
  • PT não tem candidato forte
  • Evangélicos podem lançar nome próprio

Importância: RJ é laboratório da força evangélica. Se Lula perder aqui também, sua reeleição fica em risco.

Nordeste - O bastião de Lula

Peso eleitoral: 27% do eleitorado nacional

Estados:

  • Bahia, Pernambuco, Ceará: histórico petista
  • Maranhão, Piauí: aliados de Lula
  • Alagoas, Sergipe, Paraíba, RN: competitivos

Cenário: Lula precisa vencer com 60%+ no Nordeste para compensar derrotas no Sul e Sudeste.

Desafios:

  • Bolsonarismo cresceu mesmo aqui (Bolsonaro teve 40% no NE em 2022)
  • Evangélicos aumentando em todo Nordeste
  • Governadores locais podem não embarcar totalmente

Disputas importantes:

  • Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT) busca reeleição
  • Pernambuco: Raquel Lyra (PSDB) vs PT
  • Ceará: Elmano de Freitas (PT) vs oposição forte

Sul - Território bolsonarista

Peso eleitoral: 14% do eleitorado nacional

Características:

  • Região mais conservadora
  • Bolsonaro venceu com 60%+ em 2022
  • Agronegócio forte
  • Evangélicos e católicos tradicionais

Paraná:

  • Ratinho Jr. (PSD) domina
  • Se ele concorrer à Presidência, disputa abre

Rio Grande do Sul:

  • Eduardo Leite (PSDB) se consolida
  • Estado historicamente de centro-direita

Santa Catarina:

  • Jorginho Mello (PL) é governador
  • Estado mais bolsonarista do Brasil (67% em 2022)

Análise: Lula deve perder o Sul novamente. A questão é por quanto e se consegue evitar uma derrota acachapante.

Centro-Oeste - Agronegócio decide

Peso eleitoral: 7% do eleitorado nacional

Características:

  • Dominado pelo agronegócio
  • Conservador em costumes
  • Bolsonarismo forte

Goiás: Caiado pode concorrer à Presidência Mato Grosso: Mauro Mendes (União) forte Mato Grosso do Sul: Governador do PSDB Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB)

Análise: Lula terá dificuldade no Centro-Oeste. Precisa minimizar danos e focar em capitais.

Norte - O imprevisível

Peso eleitoral: 8% do eleitorado nacional

Características:

  • Menos previsível
  • Coronelismo ainda forte
  • Disputas locais > disputa nacional

Amazonas, Pará, Rondônia: Competitivos Acre, Amapá: Historicamente petistas Roraima, Tocantins: Mais à direita

Análise: Norte pode ser o "tira-teima". Margem estreita aqui pode decidir eleição nacional.

Polarização 3.0: o que mudou desde 2022?

Mesma polarização, protagonistas diferentes

2022: Lula vs Bolsonaro (direto) 2026: Lula vs herdeiros de Bolsonaro

A polarização permanece, mas com mudanças importantes:

Diferenças em relação a 2022

1. Bolsonaro fora do jogo

  • Inelegível e preso
  • Não pode fazer comícios nem aparecer em campanha
  • Comunicação limitada
  • Poder de mobilização reduzido (mas não zerado)

2. Direita fragmentada

  • Cinco nomes principais disputando espaço
  • Risco de não haver unidade até julho
  • Possibilidade de terceira via sugar votos

3. Lula desgastado

  • Não é mais "novidade" como em 2022
  • 4 anos de governo com erros e acertos
  • Casos de corrupção afetando imagem
  • Economia melhor mas custo de vida ainda alto

4. Eleitor cansado

  • Pesquisas mostram fadiga da polarização
  • 43% querem "novos nomes"
  • Mas na hora de votar, tendem a escolher polos

Análise: polarização continua porque...

Professor Fernando Neisser (FGV): "A polarização em 2026 tende a se manter porque os dois polos têm bases eleitorais bem definidas e mobilizadas. O exemplo de São Paulo mostra isso: mesmo com candidato de terceira via competitivo (Rodrigo Garcia), a polarização prevaleceu."

Elementos que alimentam polarização:

  • Redes sociais amplificam extremos
  • Cada lado tem mídias próprias (eco chambers)
  • Temas identitários (aborto, armas, costumes)

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