As eleições presidenciais de 2026 acontecem em 4 de outubro, com possível segundo turno em 25 de outubro. Lula (PT) lidera todas as pesquisas recentes com 34% a 41% no primeiro turno e vence todos os adversários no segundo turno com margens entre 10 e 15 pontos. Flávio Bolsonaro (PL) aparece como principal nome da direita com 21% a 29%, seguido por Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr. e outros governadores. Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 e cumprindo prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe. A polarização deve se repetir, mas com protagonistas renovados.
Índice
- Datas e calendário eleitoral
- Cenário atual: Lula vs direita fragmentada
- Todas as pesquisas de dezembro 2025
- Principais candidatos e suas chances
- Bolsonaro: inelegível mas influente
- Estados-chave que decidirão 2026
- Polarização 3.0: o que mudou?
- Terceira via tem chance?
- Economia vai decidir a eleição?
- Perguntas frequentes
Datas e calendário eleitoral de 2026
Cronograma oficial do TSE
Abril de 2026:
- 4 de abril: Prazo final para desincompatibilização de cargos
- Presidente, governadores e prefeitos que querem concorrer a outros cargos devem renunciar
Maio de 2026:
- 6 de maio: Data limite para regularização do título de eleitor
- Quem está com título cancelado ou suspenso perde o direito de votar
Julho-Agosto de 2026:
- 20 de julho a 5 de agosto: Convenções partidárias para escolha de candidatos
- 15 de agosto: Prazo final para registro de candidaturas no TSE
- 16 de agosto: Início oficial da campanha eleitoral
Outubro de 2026:
- 4 de outubro: Primeiro turno das eleições
- Eleição de presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais
- 25 de outubro: Segundo turno (se necessário)
- Para presidente e governadores que não atingirem 50%+1 dos votos válidos
O que está em jogo:
- 1 presidente da República (mandato de 4 anos)
- 27 governadores (mandatos de 4 anos)
- 54 senadores (2 por estado, mandatos de 8 anos)
- 513 deputados federais (mandatos de 4 anos)
- Deputados estaduais em todos os estados (mandatos de 4 anos)
Cenário atual: Lula lidera, mas direita se reorganiza
Panorama geral (janeiro 2026)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia 2026 como franco favorito à reeleição segundo todas as pesquisas divulgadas em dezembro de 2025. O petista lidera em todos os cenários de primeiro turno testados pelos principais institutos (Datafolha, Ipsos-Ipec, Quaest, AtlasIntel e Real Time Big Data) e venceria qualquer adversário no segundo turno.
Vantagens de Lula:
- Base eleitoral consolidada entre 34% e 41%
- Máquina pública e programas sociais fortalecidos
- Economia mostrando sinais de recuperação
- Adversários da direita divididos e sem consenso
Desafios de Lula:
- 57% dos eleitores acham que ele não deveria se candidatar
- 56% afirmam que ele não merece reeleição
- Taxa de reprovação de 38% vs aprovação de 32%
- Desgaste natural após quase 4 anos de governo
Campo da direita: fragmentação e busca por unidade
Com Jair Bolsonaro inelegível até 2030 e preso após condenação a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe, a direita tenta se reorganizar em torno de novos nomes. Cinco candidatos disputam o posto de "herdeiro" do bolsonarismo:
1. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - O escolhido
- Indicado oficialmente pelo pai em dezembro de 2025
- Marca entre 21% e 29% nas pesquisas de primeiro turno
- Alta rejeição: 60% (maior entre todos os candidatos)
- Perde para Lula por 10 a 15 pontos no segundo turno
2. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) - O estrategista
- Governador de São Paulo com aprovação alta
- Entre 17% e 23% no primeiro turno
- Menor rejeição entre candidatos da direita: 47%
- Empata tecnicamente com Lula em algumas pesquisas
- Pode optar pela reeleição em SP ao invés de arriscar o Planalto
3. Michelle Bolsonaro (PL) - A outsider
- Ex-primeira-dama tem 23% em cenários específicos
- Maior apoio entre evangélicos: 32%
- 50% de intenção de voto entre eleitores de Bolsonaro em 2022
- Rejeição de 30% (mais baixa entre os Bolsonaro)
4. Ratinho Jr. (PSD-PR) - O nome do Centrão
- Governador do Paraná com 10% a 17% nas pesquisas
- Perfil mais moderado, tentativa de terceira via
- Apoio do MDB e PSD (partidos do Centrão)
5. Ronaldo Caiado (União-GO) - O veterano
- Governador de Goiás com 7% a 10%
- Perfil conservador independente
- Tenta construir alternativa fora do eixo Lula-Bolsonaro
Outros nomes mencionados:
- Romeu Zema (Novo-MG): 6% a 11%
- Eduardo Bolsonaro (PL-SP): 18% em cenários específicos
- Eduardo Leite (PSD-RS): aparece em algumas simulações
- Ciro Gomes (PSDB-CE): tenta terceira via pela esquerda
Todas as pesquisas de dezembro 2025 a janeiro 2026
Datafolha (2-4 de dezembro de 2025)
Amostra: 2.002 eleitores em 113 municípios
Margem de erro: 2 pontos percentuais
Primeiro turno (com Flávio Bolsonaro):
- Lula (PT): 41%
- Flávio Bolsonaro (PL): 18%
- Ratinho Jr. (PSD): 12%
- Ronaldo Caiado (União): 7%
- Romeu Zema (Novo): 6%
- Brancos/nulos: 13%
- Indecisos: 3%
Segundo turno:
- Lula 51% x 36% Flávio Bolsonaro
- Lula 52% x 42% Tarcísio de Freitas
- Lula 54% x 41% Ratinho Jr.
- Lula 58% x 35% Eduardo Bolsonaro
- Lula 55% x 39% Michelle Bolsonaro
Análise: Lula vence com folga no segundo turno contra todos os adversários, com vantagens entre 10 e 23 pontos percentuais.
Ipsos-Ipec (4-8 de dezembro de 2025)
Amostra: Pesquisa nacional (número não divulgado)
Margem de erro: Não especificada
Resultado: Lula com 38% em todos os cenários testados
Comparativo da direita:
- Michelle Bolsonaro: 23% (maior entre os Bolsonaro)
- Flávio Bolsonaro: 19%
- Eduardo Bolsonaro: 18%
- Tarcísio de Freitas: 17%
Destaques por segmento:
Michelle Bolsonaro:
- 32% entre evangélicos
- 50% entre quem votou em Bolsonaro em 2022
Flávio Bolsonaro:
- 43% entre eleitores de Bolsonaro em 2022
Tarcísio de Freitas:
- 30% entre quem ganha acima de 5 salários mínimos
- 37% entre eleitorado de Bolsonaro em 2022
Lula entre jovens:
- 47% a 48% entre 16-24 anos (nos cenários com Tarcísio e Eduardo)
Percepção sobre Lula:
- 57% acham que não deveria se candidatar (queda de 5 pontos desde agosto)
- 56% afirmam que não merece ser reeleito
- 69% dos evangélicos não querem sua candidatura
- 90% dos eleitores de Bolsonaro em 2022 rejeitam sua reeleição
Genial/Quaest (13-17 de dezembro de 2025)
Amostra: 2.004 eleitores em 120 municípios
Margem de erro: 2 pontos percentuais
Segundo turno:
- Lula 46% x 36% Flávio Bolsonaro (10 pontos de diferença)
- Lula 45% x 35% Tarcísio de Freitas (10 pontos)
Rejeição:
- Flávio Bolsonaro: 60% (maior rejeição)
- Lula: 54%
- Tarcísio de Freitas: 47% (menor rejeição)
Opinião sobre indicação de Flávio:
- 54% acham que Bolsonaro errou ao indicar o filho
- 19% acham que Michelle deveria ter sido indicada
- 16% acham que Tarcísio seria melhor escolha
Análise: Primeira pesquisa após o anúncio oficial de Flávio como pré-candidato. A alta rejeição do senador é um problema sério para a direita.
AtlasIntel/Bloomberg (22-27 de novembro de 2025)
Amostra: 5.510 pessoas em todas as regiões
Margem de erro: Não especificada
Segundo turno:
- Lula 53% x 41% Flávio Bolsonaro (12 pontos)
- Lula 50% x 46% Jair Bolsonaro* (empate técnico)
- Lula 49% x 45% Tarcísio de Freitas (empate técnico)
- Lula 50% x 45% Michelle Bolsonaro (empate técnico)
*Bolsonaro está inelegível e preso, mas foi testado como referência
Primeiro turno com Flávio:
- Lula: 35,8%
- Flávio Bolsonaro: 21,3%
- Tarcísio de Freitas: 11,2%
- Ronaldo Caiado: 7,9%
- Ratinho Jr.: 7,1%
- Romeu Zema: 5,4%
Análise: AtlasIntel mostra cenário mais competitivo, com Tarcísio e Michelle empatando tecnicamente com Lula no segundo turno. Flávio, porém, perde com folga.
Real Time Big Data (dezembro 2025)
Metodologia: Pesquisa nacional online
Amostra: Não divulgada
Tendência identificada:
- Lula mantém liderança consistente
- Flávio Bolsonaro cresce 4 pontos desde agosto
- Tarcísio se consolida como alternativa viável
- Terceira via não decola (todos abaixo de 15%)
Consolidação das pesquisas
Média dos institutos - Primeiro turno:
- Lula (PT): 34% a 41%
- Flávio Bolsonaro (PL): 18% a 29%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 11% a 23%
- Ratinho Jr. (PSD): 7% a 17%
- Ronaldo Caiado (União): 7% a 10%
- Romeu Zema (Novo): 5% a 11%
Média - Segundo turno:
- Lula vence todos com 10 a 15 pontos de vantagem
- Exceção: empate técnico com Tarcísio e Michelle em algumas pesquisas
Conclusão: Cenário favorável a Lula, mas não definido. A direita precisa se unir em torno de um nome para ter chance real.
Principais candidatos e suas estratégias
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - O favorito
Perfil:
- 80 anos (completará 81 em outubro de 2026)
- Quatro vezes presidente (2003-2010, 2023-atual)
- Tentará quinta eleição e quarto mandato
Pontos fortes:
- Base eleitoral fiel entre 34-41%
- Máquina pública robusta
- Programas sociais populares (Bolsa Família, Pé-de-Meia)
- Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil
- Economia em recuperação (se mantiver tendência)
- Alianças com Centrão (MDB, PSD)
Pontos fracos:
- Idade avançada (preocupação de eleitores)
- Desgaste do governo (aprovação de 32%)
- Maioria acha que não deveria se candidatar (57%)
- Inflação e custo de vida ainda altos
- Casos de corrupção no governo
- Dificuldade em emplacar reformas
Estratégia:
- Apostar na polarização (Lula vs Bolsonaro 3.0)
- Destacar golpe de 8 de janeiro contra adversários
- Entregar obras e programas sociais até outubro
- Usar presidência para aparecer (inaugurações, anúncios)
- Atacar inelegibilidade e prisão de Bolsonaro
- Pintar adversários como continuidade do golpismo
Vice:
- Geraldo Alckmin (PSB) deve se manter na chapa
- Alternativa: Nome do Centrão para ampliar base (Simone Tebet?)
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - O herdeiro
Perfil:
- 44 anos, senador pelo Rio de Janeiro
- Filho mais velho de Jair Bolsonaro
- Empresário e político profissional
Pontos fortes:
- Apoio oficial do pai e da família Bolsonaro
- 50% de intenção entre eleitores de Bolsonaro 2022
- Máquina do PL (maior partido da Câmara)
- Recursos de campanha garantidos
- Base bolsonarista fiel (20-25% do eleitorado)
Pontos fracos:
- Rejeição altíssima: 60% (a maior entre todos)
- Imagem de "rachadinha" (escândalo não resolvido)
- Falta carisma do pai
- Investigado pela PF e Ministério Público
- Não consegue atrair moderados
- Perde para Lula por 10-15 pontos no segundo turno
Estratégia:
- Colar em Lula, atacar governo
- Explorar saudosismo do governo Bolsonaro
- Bandeiras: anticorrupção, segurança, costumes
- Aliança com evangélicos
- Redes sociais como principal canal
- Manter base bolsonarista mobilizada
Vice:
- Provavelmente alguém do Centrão
- Pode ser um nome evangélico (Damares Alves?)
- Ou governador para ampliar base regional
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) - O estrategista
Perfil:
- 49 anos, governador de São Paulo
- Ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro
- Militar de carreira (Exército), engenheiro
Pontos fortes:
- Governador do estado mais rico e populoso
- Aprovação alta em SP (acima de 60%)
- Menor rejeição entre candidatos da direita: 47%
- Perfil técnico, menos ideológico
- Empata tecnicamente com Lula em algumas pesquisas
- Apoio de parte do empresariado
- Boa relação com Centrão
Pontos fracos:
- Bolsonaro indicou Flávio, não ele
- Disputa interna no campo da direita
- Pouco conhecido fora de SP
- Sem carisma popular forte
- Pode optar por reeleição em SP (mais seguro)
Dilema estratégico: Tarcísio enfrenta decisão crucial em abril:
- Renunciar ao governo de SP para concorrer à Presidência (arriscado)
- Buscar reeleição em SP (quase garantida) e preparar 2030
Análise: Tarcísio é o nome mais competitivo contra Lula, mas pode não querer se desgastar em 2026. Se Lula vencer, ele seria favorito em 2030 com mandato em SP consolidado.
Vice potencial:
- Nome do Nordeste para equilibrar chapa
- Ou mulher para atrair eleitorado feminino
Michelle Bolsonaro (PL) - A carta na manga
Perfil:
- 42 anos, ex-primeira-dama
- Advogada, ativista de causas sociais
- Sem experiência em cargos eletivos
Pontos fortes:
- Menor rejeição entre os Bolsonaro: 30%
- 50% de intenção entre eleitores de Bolsonaro 2022
- 32% de apoio entre evangélicos
- Imagem mais suave que o marido
- Identificação com mulheres e mães
- "Novidade" política (não tem desgastes)
Pontos fracos:
- Zero experiência administrativa
- Flávio já foi indicado oficialmente
- Seria vista como proxy de Bolsonaro
- Não tem estrutura própria de campanha
- Bolsonaro preso enfraquece a candidatura dela
Cenário: Michelle só entraria se Flávio desistir ou se candidatura dele naufragar nas pesquisas até julho.
Ratinho Jr. (PSD-PR) - A terceira via do Centrão
Perfil:
- 39 anos, governador do Paraná
- Filho de Carlos Massa (Ratinho, apresentador de TV)
- Aprovação alta no Paraná
Pontos fortes:
- Perfil jovem e renovação
- Governador de estado importante
- Apoio do PSD e MDB (Centrão forte)
- Menos polarizador
- Boa relação com empresários
Pontos fracos:
- Pouco conhecido nacionalmente
- Apenas 7-17% nas pesquisas
- Sem base eleitoral consolidada fora do Sul
- Pode não chegar ao segundo turno
Estratégia: Tentar se posicionar como alternativa "sensata" entre Lula e Flávio, mas espaço é pequeno.
Ronaldo Caiado (União-GO) - O conservador independente
Perfil:
- 75 anos, governador de Goiás
- Médico, político desde os anos 1980
- Conservador mas crítico de Bolsonaro
Pontos fortes:
- Experiência política longa
- Governador com aprovação boa
- Independente do bolsonarismo
- Apoio do agronegócio
Pontos fracos:
- Idade avançada
- Pouco conhecido nacionalmente
- Apenas 7-10% nas pesquisas
- Sem máquina nacional forte
Análise: Dificilmente passa do primeiro turno. Pode servir como "puxador de votos" para candidatos ao Senado e governos estaduais.
Jair Bolsonaro: inelegível, preso, mas influente
Situação jurídica atual (janeiro 2026)
Condenações:
- 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado (STF, 2025)
- Inelegível até 2030 (TSE, 2023) - duas condenações:
- Abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação
- Ataques ao sistema eleitoral
Status: Prisão domiciliar na Superintendência da PF em Brasília
Investigações em andamento:
- Jóias sauditas não declaradas
- Fraude em cartões de vacinação
- Trama golpista pós-eleição 2022
- Espionagem ilegal (Abin paralela)
- Tentativa de golpe militar
Influência na eleição de 2026
Mesmo inelegível e preso, Bolsonaro continua sendo figura central:
Apoio dele vale? Segundo pesquisa Ipsos-Ipec:
- Para 27%: aumentaria vontade de votar no candidato
- Para 30%: diminuiria a vontade
- Para 37%: não afetaria
- Saldo: Ligeiramente negativo
Ausência dele nas eleições:
- 49% veem como negativa
- 40% veem como positiva
- 6% consideram indiferente
Base eleitoral: Bolsonaro ainda mantém cerca de 40-45% de intenção de voto quando testado contra Lula (mesmo inelegível), mostrando que sua base permanece fiel.
Estratégia da família:
- Flávio como candidato oficial
- Michelle como plano B
- Eduardo e Carlos mobilizando redes sociais
- Manter Bolsonaro como "mártir" da perseguição política
Risco: A prisão pode tanto vitimizar quanto desgastar. Pesquisas mostram que maioria dos brasileiros aprova a condenação e rejeita tentativas de minimizar o golpe.
Estados-chave que decidirão as eleições de 2026
São Paulo - O gigante que pode definir tudo
Peso eleitoral: 22% do eleitorado nacional (33 milhões de eleitores)
Cenário atual:
- Tarcísio de Freitas domina o estado
- Lula tem dificuldade histórica em SP capital
- Interior paulista é majoritariamente bolsonarista
Disputa para governador: Se Tarcísio concorrer à Presidência:
- Fernando Haddad (PT) é a aposta da esquerda
- Guilherme Boulos (PSOL) pode tentar novamente
- PSD e MDB podem lançar nomes próprios
Se Tarcísio ficar em SP:
- Reeleição praticamente garantida
- Esquerda terá que apostar em 2030
Importância: São Paulo sozinho pode mudar o resultado nacional. Se Lula perder feio aqui, precisa compensar em MG e no Nordeste.
Minas Gerais - O fiel da balança
Peso eleitoral: 10% do eleitorado nacional (16 milhões)
Histórico: Desde redemocratização, quem vence em MG costuma vencer nacionalmente
Cenário atual:
- Lula tem força na capital e no Norte de Minas
- Bolsonarismo forte no Triângulo e Sul de Minas
- Romeu Zema (Novo) é governador, mas com aprovação moderada
Disputa para governador:
- Alexandre Kalil (PSD) pode tentar novamente
- PT busca reconstruir força após derrotas
- Zema pode tentar reeleição ou ir ao Senado
Análise: MG é o estado mais imprevisível. Quem conquistar aqui tem grande chance de vencer nacionalmente.
Rio de Janeiro - Evangélicos decidem
Peso eleitoral: 8% do eleitorado nacional (12,5 milhões)
Características:
- Evangélicos são 40%+ do eleitorado
- Militarismo forte (PM, bombeiros, ex-militares)
- Flávio Bolsonaro é senador pelo estado
Disputa para governador:
- Cláudio Castro (PL) busca reeleição
- PT não tem candidato forte
- Evangélicos podem lançar nome próprio
Importância: RJ é laboratório da força evangélica. Se Lula perder aqui também, sua reeleição fica em risco.
Nordeste - O bastião de Lula
Peso eleitoral: 27% do eleitorado nacional
Estados:
- Bahia, Pernambuco, Ceará: histórico petista
- Maranhão, Piauí: aliados de Lula
- Alagoas, Sergipe, Paraíba, RN: competitivos
Cenário: Lula precisa vencer com 60%+ no Nordeste para compensar derrotas no Sul e Sudeste.
Desafios:
- Bolsonarismo cresceu mesmo aqui (Bolsonaro teve 40% no NE em 2022)
- Evangélicos aumentando em todo Nordeste
- Governadores locais podem não embarcar totalmente
Disputas importantes:
- Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT) busca reeleição
- Pernambuco: Raquel Lyra (PSDB) vs PT
- Ceará: Elmano de Freitas (PT) vs oposição forte
Sul - Território bolsonarista
Peso eleitoral: 14% do eleitorado nacional
Características:
- Região mais conservadora
- Bolsonaro venceu com 60%+ em 2022
- Agronegócio forte
- Evangélicos e católicos tradicionais
Paraná:
- Ratinho Jr. (PSD) domina
- Se ele concorrer à Presidência, disputa abre
Rio Grande do Sul:
- Eduardo Leite (PSDB) se consolida
- Estado historicamente de centro-direita
Santa Catarina:
- Jorginho Mello (PL) é governador
- Estado mais bolsonarista do Brasil (67% em 2022)
Análise: Lula deve perder o Sul novamente. A questão é por quanto e se consegue evitar uma derrota acachapante.
Centro-Oeste - Agronegócio decide
Peso eleitoral: 7% do eleitorado nacional
Características:
- Dominado pelo agronegócio
- Conservador em costumes
- Bolsonarismo forte
Goiás: Caiado pode concorrer à Presidência Mato Grosso: Mauro Mendes (União) forte Mato Grosso do Sul: Governador do PSDB Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB)
Análise: Lula terá dificuldade no Centro-Oeste. Precisa minimizar danos e focar em capitais.
Norte - O imprevisível
Peso eleitoral: 8% do eleitorado nacional
Características:
- Menos previsível
- Coronelismo ainda forte
- Disputas locais > disputa nacional
Amazonas, Pará, Rondônia: Competitivos Acre, Amapá: Historicamente petistas Roraima, Tocantins: Mais à direita
Análise: Norte pode ser o "tira-teima". Margem estreita aqui pode decidir eleição nacional.
Polarização 3.0: o que mudou desde 2022?
Mesma polarização, protagonistas diferentes
2022: Lula vs Bolsonaro (direto) 2026: Lula vs herdeiros de Bolsonaro
A polarização permanece, mas com mudanças importantes:
Diferenças em relação a 2022
1. Bolsonaro fora do jogo
- Inelegível e preso
- Não pode fazer comícios nem aparecer em campanha
- Comunicação limitada
- Poder de mobilização reduzido (mas não zerado)
2. Direita fragmentada
- Cinco nomes principais disputando espaço
- Risco de não haver unidade até julho
- Possibilidade de terceira via sugar votos
3. Lula desgastado
- Não é mais "novidade" como em 2022
- 4 anos de governo com erros e acertos
- Casos de corrupção afetando imagem
- Economia melhor mas custo de vida ainda alto
4. Eleitor cansado
- Pesquisas mostram fadiga da polarização
- 43% querem "novos nomes"
- Mas na hora de votar, tendem a escolher polos
Análise: polarização continua porque...
Professor Fernando Neisser (FGV): "A polarização em 2026 tende a se manter porque os dois polos têm bases eleitorais bem definidas e mobilizadas. O exemplo de São Paulo mostra isso: mesmo com candidato de terceira via competitivo (Rodrigo Garcia), a polarização prevaleceu."
Elementos que alimentam polarização:
- Redes sociais amplificam extremos
- Cada lado tem mídias próprias (eco chambers)
- Temas identitários (aborto, armas, costumes)