Com o crescimento no número de novos casos, que deve chegar a 30 milhões ao ano em 2040 em todo o mundo segundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é hoje um dos maiores desafios de saúde globais. No Brasil, foram registrados quase 600 mil novos casos em 2020, e a previsão é que esse número dobre até 2025. Mas, à medida em que a doença avança, evoluem também as buscas por respostas mais eficazes, com pesquisas para tratamentos mais assertivos e cada vez menos invasivos e o uso de novas tecnologias, inteligência artificial e análise de dados.
Nos melhores centros de oncologia e hematologia do mundo, a distância entre esses desenvolvimentos e os pacientes é cada vez menor. O hospital de excelência em oncologia não é só um hospital. Nele, a pesquisa científica, parte essencial dos avanços do enfrentamento ao câncer, é feita próximo à assistência, que é liderada por corpo clínico qualificado, com as mais conceituadas referências médicas globais. O ecossistema de saúde reúne ainda inovação e ensino, com constante formação das equipes multidisciplinares, permitindo que o que há de mais atual em diagnóstico e tratamento chegue logo ao paciente.
No Brasil, uma jornada de mais de uma década dentro desse modelo colocou o Hospital Israelita Albert Einstein como referência global para o tratamento de câncer. O Einstein é o melhor hospital oncológico da América Latina, e o 17º em todo o mundo, segundo o World’s Best Specialized Hospitals, da revista Newsweek, ranking global mais importante na área. É o único da América Latina entre os 20 melhores do mundo.
“O Einstein tem excelência em ensino, pesquisa e assistência, algo extremamente raro e que coloca a organização em uma posição privilegiada”, afirma Fernando Maluf, oncologista e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Einstein.
Um exemplo do que esse ecossistema representa para o futuro da saúde é o desenvolvimento do tratamento com células CART para tumores hematológicos pelo Einstein, que resultou, no início deste ano, na remissão completa de um linfoma em uma paciente do Sistema Único de Saúde (SUS). A terapia modifica geneticamente os linfócitos (células de defesa) do tipo T coletados do paciente, tornandoos mais potentes para identificar e atacar as células do câncer.
“Com a pesquisa, desenvolvemos células CART com um custo bem menor e reduzimos o tempo de produção de 30 a 45 dias para apenas 15 dias, por não haver a necessidade de envio para outro país. Um tempo valioso para os pacientes com câncer”, destaca Nelson Hamersch lak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula Óssea do Einstein.
Atualmente, a técnica pode ser usada para tratar alguns tipos de linfomas, leucemias e o mieloma múltiplo. “Mas também há muita pesquisa para encontrar novos alvos, que pode expandir o tratamento para outros tipos de câncer”, afirma Lucila Kerbauy, coordenadora de qualidade médica no Departamento de Transplante de Medula Óssea do Einstein.
O cirurgião Vijay Trisal, diretor médico do hospital americano City of Hope, um dos mais importantes hospitais oncológicos do mundo e instituição parceira do Einstein, observa que fornecer um ótimo atendimento é a primeira característica de um centro oncológico de referência, seguida da pesquisa. “Um ciclo de aprendizado constante é o motor de um bom cancer center. A evolução do tratamento do câncer aconteceu principalmente nos grandes hospitais oncológicos, onde se pegou o conhecimento, o levou de volta ao laboratório, à ciência básica, à análise de dados, e se entendeu o que funciona e como tornar o processo mais rápido, melhor e mais acessível”, diz Trisal.
As parcerias entre grandes hospitais oncológicos, como a do Einstein com o City of Hope, que vai desde o intercâmbio de formação para médicos até a troca sobre novas técnicas, também trazem benefícios aos pacientes. “Quando juntamos as pessoas para discutir um caso numa reunião multidisciplinar, há 200 anos de experiência à mesa, e isso leva a um tratamento melhor para o paciente. Seja recomendando uma abordagem cirúrgica, de oncologia médica ou de radioterapia diferente, que ajuda o paciente hoje”, afirma Trisal.
Outro grande diferencial dos mais importantes centros de oncologia do mundo é o investimento na medicina de precisão, que auxilia no diagnóstico precoce, na predição de risco de desenvolvimento da doença e permite a personalização do tratamento com base em análises da informação genética do paciente e do tumor.
“Há cerca de 20 anos, por exemplo, para algumas doenças, tínhamos apenas uma forma de tratamento, que era a quimioterapia – quando os tumores, de fato, eram completamente distintos. A medicina de precisão consegue, de maneira aprimorada, oferecer o tratamento personalizado, ao entender melhor o diagnóstico”, diz Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Programa de Medicina de Precisão do Einstein.
Além de exames de sequenciamento genético dos pacientes, para identificação de predisposição ao câncer, e de sequenciamento de tumores, para terapias mais eficazes e com menos efeitos colaterais, a biópsia líquida é outro avanço que ajuda a direcionar o tratamento, como identificar a necessidade de quimioterapia póscirúrgica. Isso porque a técnica é capaz de detectar o DNA tumoral em circulação no paciente, servindo para descobrir se há focos de micrometástases após a retirada do tumor.
No parque de testagem molecular do Einstein, onde são feitos o sequenciamento e o diagnóstico molecular, a realização da biópsia líquida usa plataformas parcialmente desenvolvidas na organização. Ter essa estrutura perto do paciente torna o processo mais ágil, o que colabora com o sucesso do tratamento.
ALTA TECNOLOGIA CONTRA O CÂNCER
A evolução do tratamento oncológico passa, necessariamente, pela adoção de técnicas cada vez menos invasivas e de maior precisão. No Einstein, a crioablação e radiofrequência, que eliminam tumores por congelamento e aquecimento, oferecem opções mais seguras e eficazes para alguns tipos de cânceres renais, hepáticos e pulmonares. O centro também é especializado em ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), indicado para o câncer de próstata primário e localizado, permitindo eliminar o tumor com aquecimento local, sem a necessidade de cirurgia.
Quando a intervenção cirúrgica é necessária, a cirurgia robótica é a opção mais eficaz e segura para muitos tipos de tumores. “A recuperação do paciente é mais rápida, o tempo de internação é menor e há menos dor após a cirurgia. Temos menos efeitos colaterais e melhores resultados funcionais, o que dá mais qualidade de vida ao paciente”, diz Oren Smaletz, oncologista e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Einstein. O hospital oferece cirurgia robótica desde 2008, já acumula mais de 11 mil procedimentos realizados e é um grande centro de formação de cirurgiões de diversos países.
Alta tecnologia, pesquisa e tratamento humanizado para mais pessoas Novo centro de terapias avançadas em oncologia e hematologia e a atuação no SUS reforçam compromisso do Einstein com a evolução da medicina para toda a sociedade
A jornada de evolução constante que levou o Einstein a ser reconhecido novamente este ano como um dos melhores hospitais oncológicos do mundo dará um salto importante em breve: o novo Centro de Cuidados e Terapias Avançadas em Oncologia e Hematologia. O complexo, que será inaugurado em 2025, reunirá em um mesmo espaço o atendimento de excelência e a alta tecnologia já existentes - com foco em prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e survivorship (suporte aos pacientes após o tratamento) - e um centro acadêmico de pesquisa em oncologia e hematologia de classe mundial.
“Não se trata apenas de uma expansão física, mas de integrar ensino, pesquisa e inovação em um mesmo ambiente para oferecer e criar o que há de mais moderno em medicina personalizada”, afirma Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
Localizado numa área de 38 mil metros quadrados dentro do Parque Global, em São Paulo, e com cerca de 2.500 profissionais, o centro estimulará a colaboração global em genética, genômica, big data, pesquisa translacional e tecnologias inovadoras, num avanço que vai beneficiar a sociedade como um todo.
“É um projeto que faz parte de nossa busca por equidade. O centro vai atrair profissionais de outras instituições e de outros estados, por meio de cursos e vivências. Isso vai contribuir para melhorar o atendimento que eles fazem em seus locais de origem. O objetivo é gerar um grande impacto no Brasil, com produção e difusão do conhecimento. E o impacto pode se estender para o continente”, completa Klajner.
Para Fernando Maluf, oncologista e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Einstein, nos próximos anos a organização ampliará o potencial de chegar a ainda mais pessoas. “As pesquisas conduzidas na organização terão a capacidade de mudar a história natural de uma doença e ditar condutas de tratamento no mundo inteiro com drogas e estratégias inovadoras, contribuindo com toda a sociedade”, diz.
Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula Óssea do Einstein, pontua que diversas iniciativas já estão em andamento, incluindo o desenvolvimento de uma plataforma destinada aos médicos, com protocolos claros que proporcionarão diagnósticos mais precisos. “Na área de transplantes e terapias celulares, vamos contar com uma segurança ainda maior para evitar infecções. Além disso, a nova estrutura vai propiciar um volume de procedimentos de três a quatro vezes maior do que a organização faz hoje”, diz Hamerschlak.
O ambiente acolhedor e humanizado para pacientes e familiares, que tem por base o atendimento por equipes multidisciplinares, continuará dando o norte para o trabalho de oncologia do Einstein. “O acolhimento multidisciplinar, para enxergar o paciente e sua família integralmente, e a agilidade são essenciais para oferecer o melhor tratamento em um momento de fragilidade”, explica Oren Smaletz, oncologista e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Einstein.
A enfermeira Ana Fernanda Centrone, gerente do Centro de Oncologia e Hematologia do Einstein, destaca que a complexidade da jornada de um paciente com câncer exige o esforço de várias especialidades. “O paciente necessita da atuação de diversas áreas e a sua jornada é composta por várias etapas de tratamento. Há a necessidade de participação da equipe multidisciplinar para a prevenção de complicações e o manejo dos efeitos colaterais decorrentes dos tratamentos oncológicos.”
DO PRIVADO PARA O PÚBLICO
Os esforços do Einstein para oferecer o melhor tratamento disponível contra o câncer incluem iniciativas para ampliar o acesso às terapias e abordagens inovadoras a mais pessoas. Por meio de parcerias com o sistema público, o Einstein realiza pesquisas, ensaios clínicos e atua diretamente no Sistema Único de Saúde (SUS), na gestão de unidades públicas.
Uma delas, o Hospital Municipal Vila Santa Catarina – Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho, gerido pelo Einstein em São Paulo, é hoje referência em tratamento de câncer na rede pública, realizando cerca de 9 mil consultas oncológicas por mês. No ano passado, o hospital se tornou o primeiro no sistema de saúde municipal a oferecer cirurgia robótica, com a mesma tecnologia usada pelo Einstein.
O atendimento é humanizado e multidisciplinar, com equipes que incluem, além de oncologistas, cardiologistas, nutricionistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, dentistas, psicólogos e assistentes sociais. O hospital também dispõe de enfermeiros “navegadores”, que auxiliam a jornada dos pacientes, o que ajuda a evitar atrasos nos processos de quimioterapia e radioterapia, por exemplo.
“Temos aqui as mesmas premissas de qualidade que o Einstein tem para os seus serviços privados, com toda a expertise da organização”, afirma Vanessa Montes, coordenadora médica do hospital.
Em 2022, a inauguração do Centro de Alta Tecnologia em Diagnóstico e Intervenção Oncológica Bruno Covas dentro do hospital tornou mais ágil a detecção da doença em pacientes atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ao disponibilizar exames importantes para o diagnóstico precoce, como colposcopia, colonoscopia, endoscopia, tomografia, ressonância e biópsias. “A proposta é acelerar o início do tratamento oncológico, uma vez que a demora tem um impacto no prognóstico do paciente”, explica Montes.
Outra frente de atuação em oncologia no sistema público é a pesquisa realizada por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADISUS), do Ministério da Saúde. Entre os projetos desenvolvidos pelo Einstein atualmente estão ensaios clínicos com um tratamento inovador para leucemia mieloide aguda, um estudo prospectivo para avaliar tratamento alternativo à cirurgia para câncer de reto, uma pesquisa sobre a utilização de imunoterapias para câncer de pulmão e o desenvolvimento de células CART para o tratamento de alguns tipos de linfomas, leucemias e o mieloma múltiplo. O ensaio clínico do Einstein com células CART, terapia indicada a quem não respondeu bem a outros tratamentos, incluirá 30 pacientes, do SUS e do sistema privado.
O objetivo final é viabilizar a produção local e tornar a terapia mais acessível, uma vez que o custo do tratamento completo hoje, que inclui o envio do material para laboratórios fora do país, pode ultrapassar os R$ 2,5 milhões. “No projeto, todas as etapas, desde a coleta das células, passando pela modificação genética e controle de qualidade, até a infusão, são feitas no Einstein”, explica Lucila Kerbauy, coordenadora de qualidade médica no Departamento de Transplante de Medula Óssea.