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Empreendedores apostam em hidrogênio para reduzir emissão de CO2 e consumo de combustíveis fósseis | Startups to Watch

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 17/07/2025 às 06:00 · Atualizado há 5 dias
Empreendedores apostam em hidrogênio para reduzir emissão de CO2 e consumo de combustíveis fósseis | Startups to Watch
Foto: Reprodução / Arquivo

Ainda na universidade de Engenharia Química, Igor Zornitta Zanella, 32 anos, e Franco Leonardi, 31, já se dedicavam a projetos de pesquisa e desenvolvimento ligados à sustentabilidade. Em 2015, antes mesmo de o Acordo de Paris (tratado internacional para reduzir o aquecimento global e conter o agravamento das mudanças climáticas) ser firmado, em dezembro, eles tinham em mente que a transição energética era imperativa e o hidrogênio, um caminho sem volta.

Fundaram a Protium Dynamics em 2018, naquela época, com o nome de LZ Energia, em Maringá (PR). Em 2021, obtiveram a primeira patente verde – a do produto EcoTorque, sinalizando que estavam na direção certa. Para Zanella, cofundador e CEO, cada conquista reforça a certeza de que vale a pena persistir na empreitada. “O hidrogênio é um dos principais vetores para fazer a transição energética acontecer por causa da sua versatilidade de aplicação e da possibilidade de produção descentralizada”, afirma.

A deep tech ou hardtech (startup que se baseia em investigação científica e lida com inovação de alta complexidade) está dividida em três unidades de negócio. A primeira atua no setor rodoviário, utilizando o EcoTorque, dispositivo acoplado ao motor que ajuda a reduzir tanto o consumo de diesel quanto a emissão de CO2, a partir de hidrogênio como aditivo. “A ideia dessa solução veio ao considerarmos que o Brasil é um país continental e a logística, majoritariamente rodoviária. Quando se fala em descarbonização ou transição energética, logo vêm à cabeça veículos elétricos ou hidrogênio puro. Não precisa ser ‘só’ por aí. A descarbonização é uma transição. Criamos uma tecnologia viável para usar já”, explica Zanella.

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Outra frente de trabalho é o projeto H2R, que apresenta o mesmo princípio de funcionamento, mas a aplicação acontece nas indústrias ferroviárias, de óleo e gás e naval, em plataformas de petróleo e navios – ou seja, é voltado para motores a diesel de grande porte. A tecnologia está sendo desenvolvida em parceria com a Ocyan e a Shell.

A terceira unidade de negócios é voltada ao atendimento do setor industrial e tem abrangência bastante ampla. A Protium oferece, por exemplo, a manufatura de componentes para fazer sistemas de produção e de uso de hidrogênio, o hardware em si. E também a integração de tecnologias combinadas ao hidrogênio para promover a descarbonização. “Focamos em plantas-piloto, plantas industriais”, diz Zanella.

Outra vertente desse terceiro pilar é o estudo de aplicação. “Assim como desenvolvemos a tecnologia para melhorar a performance do motor a diesel, estamos estudando outras formas de utilização do hidrogênio. Uma delas é a possibilidade de fabricar amônia verde para usar no agronegócio. Ela pode ser uma alternativa para substituir o fertilizante derivado do petróleo, cuja importação chega a 85% no Brasil. Além de viabilizar um produto sustentável, a atividade vai fortalecer a indústria nacional”, acredita.

Preparados para o presente e o futuro

“Sabemos que o mercado de hidrogênio ainda vai levar de 10 a15 anos para amadurecer, e nosso dia a dia é bem desafiador. Mas alguém tem que de trabalhar nisso”, afirma Igor Zanella. A boa notícia é que a necessidade de opções inovadoras de energia mais sustentáveis é positiva para a Protium Dynamics. A empresa vem crescendo com o apoio de incentivos públicos para inovação, como SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Fundação Araucária (incubadora tecnológica do Paraná).

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Neste momento, a empresa está finalizando a estruturação de um conselho consultivo que, segundo Zanella, terá nomes de peso. “Eles irão entrar com dinheiro também”, explica. O CEO acrescenta que no final do próximo ano, a startup deve abrir uma rodada de investimentos qualificada: “Pré-seed ou seed para hardtech”, define.

Zanella diz que o objetivo da deep tech é ser líder na América Latina em tecnologia relacionada ao hidrogênio: “Queremos promover inovação, sustentabilidade e a indústria brasileira’, resume.

A startup vai nessa direção. O EcoTorque já roda em clientes como RD Saúde (Raia Drogasil), Suzano, Gerdau, Dexco e Unidas. O objetivo para este ano é acelerar o comercial e, diz Zanella, “dar uma estilingada”. Já o braço de projetos para a indústria, segundo o CEO, deve ser responsável por 50% do faturamento de 2025.

Zanella afirma que a Protium Dynamics atingiu o breakeven e pretende faturar R$ 20 milhões neste ano. “Sabemos que somos pioneiros no segmento e estamos apenas no começo da nossa história. O importante é que essa história vai ser grande, porque não temos preguiça de fazer acontecer”, diz.

Ele finaliza afirmando que estar entre as 100 Startups to Watch valida todo o esforço que fizeram até aqui. “É um reconhecimento importante. É gratificante estar entre as empresas promissoras desse ranking no Brasil. Esperamos, cada vez mais, corresponder às expectativas”, diz.

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