Publicidade
Capa / Negócios e Tecnologia

4 estratégias que sustentaram o crescimento da Asaas até a rodada de R$ 820 milhões

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 16/10/2025 às 06:01 · Atualizado há 1 dia
4 estratégias que sustentaram o crescimento da Asaas até a rodada de R$ 820 milhões
Foto: Reprodução / Arquivo

Em 2024, a fintech Asaas recebeu R$ 820 milhões em uma rodada de série C. Antes disso, a startup tinha captado R$ 100 milhões em 10 anos e era considerada um “patinho feio”, como conta Diego Contezini, CEO da Asaas, durante participação na 35ª Conferência Anprotec, que acontece em Foz do Iguaçu, até quinta-feira (16/10). Mas com boa gestão financeira, cultura forte, validação e melhorias da solução, a startup chamou a atenção de captações internacionais.
A ideia da Asaas nasceu em Joinville (SC) para oferecer contas digitais para empresas. A ideia começa a se concretizar em 2010 em uma plataforma pouco intuitiva voltada para programadores. Até que um dia receberam um e-mail sem corpo de texto, com apenas uma frase no assunto escrita em caps locks: “Eu queria girar 100 boletos por mês para o meu cliente, como instalo essa API em meu windows 95”.
O e-mail mudou a história da Asaas. “Percebemos que a nossa plataforma era feita para programadores. Os empreendedores que buscavam a gente nem sempre tinham esse conhecimento”, conta Contezini. Perceberam que o negócio era incompleto e adaptaram a empresa no início de 2014 com uma plataforma mais acessível e que pudesse ser usada por qualquer empreendedor — é quando a empresa começa a escalar.
Initial plugin text
Para o CEO, essa foi a primeira virada da empresa, mas outras escolhas mostram como a empresa cresceu. Conheça iniciativas realizadas pela startup que flerta com o título de unicórnio nos próximos três anos.
1. Validação de hipóteses
A Asaas começou a escalar após a criação de uma plataforma acessível para quem não sabe programar. A mudança, feita a partir do feedback de usuários, resultou em uma empresa que passou a focar na validação de hipóteses antes de implementar qualquer mudança ou melhoria. Para isso, a startup adota testes A/B — com parte dos usuários recebendo a versão atual e outra parte, a aprimorada.
“Identificamos qual melhoria deve ser feita, criamos uma hipótese de modificação e comparamos os resultados de cada uma das versões por meio dos números alcançados — como o possível aumento no número de vendas”, explica Contezini. A validação ou não de uma mudança é feita por pessoas que não participaram da criação do novo modelo, já que isso poderia gerar conflito de interesse. “É como se fosse um investimento científico”, diz o CEO.
Ele conta que, em 2024, 52% das mudanças propostas apresentaram resultados piores que a versão anterior, o que evitou que essas soluções chegassem a todos os clientes. “Pense o que seria do Asaas se metade das mudanças tivesse piorado o produto”, brinca Contezini.
2. Personalidade dos líderes
Diego Contezini se define como alguém que “gosta de gente”, enquanto o irmão e cofundador, Piero Contezini, é um “nerd” apaixonado por tecnologia. Ambos são programadores, mas com personalidades diferentes, essenciais para um contato completo e equilibrado com colaboradores e clientes. “Temos duas sementes muito fortes: uma de produto e tecnologia, e outra de pessoas”, resume.
3. Cultura de empresa
Contezini lembra que quando começou a trabalhar com ambiente corporativo se decepcionou com os espaços. “Lembro que ficava com fome e não tinha o que comer e pensei que ia abrir uma empresa que tivesse comida”, lembra. Mas do que isso, ele apostou em uma cultura forte, com rituais de integração. Em 2020, fizeram a transição para o modelo remoto, porque o espaço começava a ficar pequeno para acolher os então 100 colaboradores. Mesmo assim, carregaram a cultura junto.
Foi importante planejar como os rituais do presencial funcionariam no remoto. Na Asaas isso já era planejado em 2019 e foi colocado em prática com a chegada da pandemia. “Converso com cada colaborador novo por mais de uma hora. Sei de histórias de infância, conheço todo mundo muito melhor hoje do que em 2019”, exemplifica o CEO. Hoje, a startup soma 900 colaboradores, que podem trabalhar de maneira remota ou em espaços de coworking em Joinville e São Paulo.
Para Contezini, esse cuidado ajuda na retenção de talentos. Ele conta que a Asaas conta com colaboradores que compõem a empresa há mais de dez anos.
4. Gestão financeira
Outro ponto destacado pelo empreendedor é a gestão financeira da empresa. Antes da rodada de R$ 820 milhões, a Asaas passou uma década crescendo sem depender de grandes aportes. “Sempre fomos uma empresa que respeitou o próprio caixa. Crescíamos conforme tínhamos capacidade de sustentar o crescimento”, explica.
Ele diz que a Asaas era vista como o “patinho feio” entre as fintechs. Enquanto outras direcionavam recursos para vendas e marketing com promessas de crescimento rápido, a Asaas preferia consolidar o produto — o que a afastou de grandes rodadas de investimento. “Tem muita coisa mais importante do que aumentar o número de clientes, que podem acabar saindo por não engajar com o produto”, opina.
Assim, a Asaas focou em consolidar a tecnologia para se tornar, na visão do CEO, uma empresa “saudável”. “Os investimentos que antes ficavam longe por não termos metas de crescimento tão ambiciosas, agora perceberam a nossa estabilidade econômica”, diz.
* A jornalista viajou a convite da Anprotec
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da PEGN? É só clicar aqui e assinar!

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade