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Romero explica saída, relembra poropopó inusitado e se vê ídolo no Corinthians: "Fiz tudo

Romero lembra “poropopó” em cobrança de torcedores: “Muitas coisas malucas acontecem no clube

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/01/2026 às 05:12 · Atualizado há 2 dias
Romero explica saída, relembra poropopó inusitado e se vê ídolo no Corinthians: "Fiz tudo
Foto: Reprodução / Arquivo

Muitas coisas malucas acontecem no clube

— Romero lembra “poropopó” em cobrança de torcedores:

Em oito anos de Corinthians, Ángel Romero viveu de tudo. De reserva a artilheiro, de crises a glórias, de titular a sem contrato, encerrando a passagem pelo clube no qual se tornou ídolo como jogador estrangeiro que mais vestiu a camisa alvinegra. Tendo rechaçado o rótulo no passado, o atacante paraguaio admite, desta vez, que as suas marcas o credenciam para tal.

— É complicado falar que sim (se considera ídolo), mas realmente as marcas que eu tenho dentro do Corinthians falam que sim. Muitos jogos, gols, títulos, identificação com a torcida, isso eu chamo de ídolo. Eu tenho tudo. Mas sempre deixo essa decisão para a torcida, porque o Corinthians é um time, não só da agora, não só de 20 anos para cá, com história muito grande, muitos ídolos importantes. Não sei se as minhas marcas são tão importantes assim ou suficientes para o tamanho do Corinthians. Mas eu, Romero, fiz tudo o que pude para virar (ídolo) — analisa Romero, em entrevista ao ge.

Romero diz que se considera ídolo do Corinthians por marcas, títulos e identificação 

O jogador cita um episódio recente para lá de curioso para exemplificar a loucura que é jogar no Timão, entre altos, baixos e pressão, muita pressão.

Em 2024, em meio a uma fase difícil na luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, Romero participou de uma reunião em que integrantes da torcida organizada cobraram os atletas.

— Estava todo mundo conversando, e depois a gente terminou com um poropopó e cantando o hino do Corinthians. Em uma reunião de cobrança. Imagina... Muitas coisas malucas acontecem dentro do clube — conta Romero, sorrindo, ao lembrar do episódio.

Em reunião com o presidente Osmar Stabile para decidir o valor do bicho aos jogadores em caso de conquista da Copa do Brasil, o tradicional canto corintiano, em que os torcedores pulam abraçados, voltou a se repetir.

— Falando de divisão de premiação, se a gente iria conseguir levar todos os funcionários para o Maracanã e prometendo que esse título não iria escapar, começamos a fazer o poropopó dentro da reunião com o presidente. Caiu o óculos dele, tiramos o boné dele e escondemos... Esse cara é o nosso presidente. Imagina fazer em outro lugar isso. Só no Corinthians acontecem essas coisas. Essas coisas tão malucas de poder brincar assim ou viver momentos inusitados, coisas estranhas.

“Eu não saí brigado”: Romero conta detalhes do adeus ao Corinthians

Romero está em Assunção, no Paraguai, onde descansa após não ter tido o contrato renovado pelo Corinthians. Uma situação para a qual o atacante admite que vinha se preparando nos últimos meses do ano passado, ao perceber que havia perdido espaço no elenco.

— Eu sabia que poderia encerrar o ciclo no Corinthians. Mas as despedidas sempre são difíceis. Por mais que a gente espere, às vezes é complicado aceitar. Eu estava me preparando, já analisando que seria melhor encerrar nesse momento. Já não estava jogando nos últimos três meses. Mas a gente conseguiu encerrar da melhor maneira, com título da Copa do Brasil.

Ele relata que, nos últimos meses de 2025, percebeu que sua continuidade seria difícil, mas que a conversa decisiva ficou para depois da final vencida contra o Vasco.

— Eu não saí brigado, não saí discutindo com ninguém. A gente saiu da melhor forma, e era o que eu queria, sair bem de um clube ao qual sou grato. Muito tempo dentro do clube, oito temporadas. Cheguei muito novo, muito menino, em São Paulo, e saí já sendo pai de família. Sou muito grato por tudo que passei dentro do clube.

Romero comenta futuro após deixar o Corinthians e diz que não pretende voltar ao Paraguai

Romero acredita que deixou até de ser primeira opção de substituições no ataque porque não tinha a confiança do técnico Dorival Júnior, o que o fez também perder confiança e ritmo de jogo.

— Eu estava jogando mais no Campeonato Paulista, com o Ramón Díaz, alternando com Yuri, Memphis e Garro. Uma troca de treinador muda muita coisa. E aí já é mais de escolha de treinador. Confiança do treinador para um atleta profissional é muito importante. São quase 70% de você poder render dentro de campo.

— Quando o Dorival chegou, eu perdi essa confiança. Você muda, passa de um jogador importante a não ser um jogador de substituição imediata. Eu não era mais colocado como o que entrava sempre. Às vezes, quando o titular não jogava, eu também não jogava sendo reserva. Minha preparação sempre foi igual, sempre querendo jogar, isso nunca mudou, mas, depois, você perde ritmo. Para recuperar é muito difícil. Você perde ritmo e confiança.

— É mais decisão do treinador, que eu sempre respeitei. Claro que eu posso ter a minha opinião. Eu não estava entendendo o porquê de não ser mais colocado, mas eu respeitei sempre. Sempre coloquei o grupo no primeiro lugar. Eu achava que tinha que ajudar em outras áreas, em outras formas.

Não estava entendendo do porquê de não ser mais colocado

— Romero avalia:

Mesmo preterido, Romero continuou sendo uma liderança do elenco, discursando antes, durante e depois das partidas.

— Todos os atletas querem ser importantes e jogar. Mas eu sentia a obrigação de poder ajudar de outra forma, como capitão, de ser o líder dentro do vestiário. Às vezes era difícil para mim. Difícil porque eu queria jogar também. Mas, depois, percebi que também ajudava de outras formas, que ajudava dentro do vestiário, que as falas que eu fazia eram importantes para meus companheiros. Então eu tentava fazer sempre.

— Por mais que eu não fosse muito de falar antigamente, eu me acostumei a poder falar dentro do vestiário, ganhando ou perdendo. Porque jogando, sendo o capitão e o artilheiro, é muito fácil falar e alentar os companheiros. Mas no momento difícil é complicado, ninguém praticamente quer falar. E aí que tem que aparecer o verdadeiro líder, tem que aparecer o capitão, que tem que dar a cara.

Um dos ensinamentos que tentava passar aos demais jogadores era a cultura do Corinthians, que, na visão de Romero, influencia em campo. Não é só a técnica que conta.

— Para mim, o Corinthians é uma cultura. Você tem que entender o Corinthians para jogar. Não basta só ter qualidade ou talento. Você tem que entender. O emocional é muito importante dentro do Corinthians. O mental às vezes dificulta muito, porque é muita cobrança. A cada três dias você tem que render. Se você joga bem domingo e na quarta joga mal, já é o pior. Também nos momentos bons você não tem que achar que já está tudo resolvido. Tudo isso eu fui aprendendo.

Sem minutagem no Corinthians, Romero entendeu que o ciclo estava no fim, especialmente porque o atacante diz que precisa jogar e ter ritmo em um ano em que almeja ser convocado para disputar a Copa do Mundo pelo Paraguai.

— São decisões que a gente tem que respeitar como atleta, mas claro que isso ajudou a minha decisão de sair do Corinthians, porque eu tenho, neste ano, um objetivo muito claro, que é jogar a Copa do Mundo. E estando nessa situação, seria difícil.

— A ideia é ir em um time e jogar, me sentir importante. É o que eu mais quero, poder jogar. É o que o nosso treinador da seleção está pedindo para todo mundo que tem na mira de ser convocado para a Copa do Mundo. É ir em um time onde eu consiga desempenhar bem, participar bastante e ser importante dentro do elenco.

Uma das maiores frustrações da carreira, aliás, tem a ver com o Mundial. Nas Eliminatórias de 2018, a seleção paraguaia precisava apenas vencer a Venezuela em casa para ir à Copa, mas a equipe empatou e ficou fora da competição.

— Eu estava bem triste. Fui para o clube, e eles conseguiram levantar o meu ânimo. Eu já pedi para jogar também para esquecer o que tinha acontecido. Foi um momento difícil para mim, e o Corinthians me ajudou em superá-lo.

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Ángel Romero em Brasil x Paraguai: vem Copa do Mundo por aí? — Foto: Wagner Meier/Getty Images

Com a camisa corintiana, Romero relembra que o pior momento ocorreu em 2015, quando, no início do ano, ficou muito perto de deixar o clube, depois de o técnico Tite ser sincero ao informá-lo que ele não teria muitas oportunidades.

— Já estava tudo pronto, iria sair do Corinthians. Saí da sala, fui para o vestiário e pensei: "Não posso sair dessa forma". Eu falei na minha primeira entrevista que eu ia fazer história aqui, eu não podia sair depois de seis meses. Eu tenho que fazer história. Fiz muito esforço para chegar em um time grande como o Corinthians para sair emprestado depois de seis meses.

— Falei com o presidente e o Tite de novo e disse que eu não queria sair, que iria ficar. O Tite falou para mim que eu não ia jogar, que não iria ter muita oportunidade. Falei: "Só me deixem treinar no CT". Só isso, que me deixassem treinar no CT, que eu não me importava se eu não ia jogar, que eu queria jogar no Corinthians e que eu iria vencer. Foi assim, em 2015 quase não joguei.

O momento da virada, que Romero considera o seu ponto alto no Corinthians, ocorreu na goleada por 6 a 1 sobre o São Paulo, em que marcou dois gols, no fim do Brasileirão de 2015.

— Tive poucas oportunidades, mas depois desse jogo de 6x1, o Tite falou para mim que iria ser titular em 2016. Eu coloquei até minha carreira em risco, porque falei que iria vencer no Corinthians. Eu estava convencido de que me daria bem no clube. Foi esse jogo em que consegui dar a volta por cima. Foram três anos seguidos, com muitos jogos e momentos bons.

— E agora na segunda passagem, com títulos e fechando da forma que fechei, sempre vou lembrar deste ano que tivemos com esse grupo maravilhoso.

Estrangeiro que mais jogou e que mais fez gols com a camisa do Corinthians, Romero disputou 377 partidas, fez 67 gols e conquistou seis títulos pelo Timão: dois Brasileiros (2015 e 2017), três Paulistas (2017, 2018 e 2025) e uma Copa do Brasil (2025).

Perguntado sobre acredita que será lembrado na história do Timão, Romero é direto e enfático.

— Respeitar a camisa. Eu quero ser lembrado dessa forma. Fui sempre um cara que respeitou a camisa. Eu sempre coloquei o Corinthians no primeiro lugar.

Romero não tem contrato renovado e se despede do Corinthians

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