Pré-candidato à Presidência em 2026, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), negou nesta segunda-feira (25) que exista divisão na direita e afirmou que a pulverização de candidaturas tornará esse campo "mais forte" na disputa ao Palácio do Planalto na próxima eleição. Zema reiterou ser favorável à anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro e ao indulto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se for eleito. Para o governador, o ex-presidente seguirá como o "maior líder da direita" mesmo se for preso.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Zema relatou o encontro que teve com o ex-presidente há um mês, quando comunicou a ele o lançamento de sua pré-candidatura e disse ter ouvido de Bolsonaro que "quanto mais candidatos a direita tiver, melhor". "Isso vai fortalecer a direita que estará unida no segundo turno, o que é importante. E boa parte dos votos do primeiro turno com certeza migrará para o segundo turno. Tem uma lógica por trás disso", afirmou o governador. Na avaliação de Zema, a candidatura única seria alvo mais vulnerável à "artilharia", nas suas palavras, do PT e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe e está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além de Zema, ao menos outros três governadores apresentam-se como presidenciáveis, casos de Ronaldo Caiado (Goiás, pelo União Brasil), e pelo PSD Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Há ainda o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, embora não se coloque publicamente como pré-candidato, diz a aliados que aceitaria concorrer se tiver o aval de Bolsonaro.
Zema minimizou as críticas e ataques feitos por filhos do ex-presidente sobre a articulação dos governadores com vistas a 2026. "Foram comentários infelizes no calor do momento", disse, ao se referir à prisão domiciliar determinada a Bolsonaro no início do mês e à proximidade do julgamento no STF, que começa na terça-feira (2 de setembro). Ao ser lembrado que ele e os demais governadores foram chamados de "ratos" pelo vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), Zema manifestou indiferença. "Já fui xingado de tudo. Interessa o que eu sou. Se eu fosse levar em conta o que levo de agressão...", disse.
Para Zema, Bolsonaro é vítima de um julgamento tendencioso no STF e reiterou sua defesa pela anistia a ele e aos condenados pelos atos do 8 de janeiro que, para o governador, foram somente uma "baderna". "Precisamos pacificar o Brasil. Já demos anistia no passado para assassinos, a sequestradores, e não vamos dar nesse caso?", questionou.
A despeito da defesa ao ex-presidente, Zema disse não ter um vínculo político "tão grande" com Bolsonaro, mas que comunga das mesmas propostas políticas e econômicas. "Queremos Estado mais leve, queremos combate à corrupção, eu valorizo a família, sou cristão. Essas pautas nos unem."
Sobre o aumento das tarifas aos produtos brasileiros aplicados pelo governo dos Estados Unidos, Zema declarou-se contrário à medida americana, mas disse que as declarações "antiamericanas" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva motivaram as reações do presidente Donald Trump. Nas manifestações oficiais sobre o tarifaço, Trump atribuiu às sanções também ao processo judicial contra Bolsonaro e a decisões do ministro Alexandre de Moraes contra empresas de tecnologia.
O governador manteve sua defesa pela saída do Brasil do Brics por entender que o grupo, atualmente formado por 11 países, entre eles China e Rússia, deixou de ser vantajoso e agora "só existe para questionar a América do Norte". "São países que têm muito pouco a ver com nossa cultura cristã e europeia. Não significa que não podemos ter contato comercial. Agora ficou claramente um discurso antiamericano, (...) principalmente liderado pelo nosso presidente", afirmou. Zema disse que sua crítica é direcionada ao Brics e que não deixaria outros grupos, como o G20 e o Mercosul.
Comparação de pessoa em situação de rua e carro guinchado
O governador de Minas foi questionado sobre declarações recentes à BBC Brasil quando, ao falar sobre políticas para pessoas em situação de rua, comparou a remoção delas a guinchar carros estacionados em locais proibidos. "Eu falei que carro não fica [na rua]. Agora eu falei que nós precisamos encontrar uma solução para as pessoas, pessoas não se guincham", afirmou nesta noite.
Zema disse ouvir de prefeitos e comerciantes muitas queixas sobre incômodos causados por pessoas que dormem nas ruas e acusou o governo federal de "fechar o olho" para a questão. Durante a entrevista, o governador defendeu uma forma de obrigar pessoas em situação de rua ao recolhimento noturno diário em albergues.
"Nós temos de ter algo que faça com que essas pessoas vão [para abrigos]", afirmou. O governador ironizou a atuação de grupos de direitos humanos críticos a esse tipo de abordagem. "Onde eles [pessoas em situação de rua] chegam, residência ou comércio, eles só causam perturbação, um cheio horrível", acrescentou.