A volta de Donald Trump à Casa Branca mudou a maneira como os europeus enxergam os Estados Unidos, segundo pesquisa divulgada hoje pelo centro de estudos Conselho de Relações Exteriores. O levantamento mostrou uma queda na confiança europeia nos EUA, que agora é visto por boa parte do grupo como um “parceiro necessário”.
A pesquisa foi realizada em 11 Estados-membros da União Europeia (UE), além de Ucrânia, Suíça e Reino Unido. Em média, 50% dos entrevistados veem os EUA como um “parceiro necessário”, enquanto apenas 21% ainda os consideram um aliado.
Diante desse cenário, os autores do relatório defendem que a UE adote uma abordagem mais “realista e baseada em interesses”.
“Essa nova relação provavelmente será menos baseada em ideais e valores do que no passado e mais fundamentada em cálculos de benefícios concretos”, defenderam os pesquisadores no relatório. “Provavelmente será uma relação mais distante, na qual a Europa terá que defender seus interesses com mais frequência quando estes forem pressionados por ações dos Estados Unidos”.
A visão de que os EUA são um “parceiro necessário” é predominante em todos os Estados-membros da UE pesquisados – incluindo países que normalmente tinham uma visão mais positiva da relação com a maior economia do planeta, como a Polônia (45% “parceiro necessário” contra 31% “aliado”) e Dinamarca (53% contra 30%), que há um ano e meio ainda viam os EUA principalmente como um aliado. A mudança na visão dinamarquesa pode ser explicada pelas ameaças de Trump em tomar a Groenlândia, um território independente ligado ao país europeu.
Os países com a menor porcentagem de pessoas que veem os EUA como aliados são a Ucrânia (67% “parceiro necessário” contra 27% “aliado”), Espanha (57% contra 14%), Estônia (55% contra 28%), Portugal (55% contra 18%) e Itália (53% contra 18%). Até no Reino Unido, que tem uma “relação especial” com os EUA, a visão predominante é de “parceiro necessário” (44%) ante a de “aliado” (37%).
O estudo do também fez um levantamento sobre a visão europeia sobre a China. Os entrevistados em países do sul e sudeste da Europa, como Bulgária, Hungria, Romênia, Espanha e Itália, demonstram uma visão mais positiva sobre o país asiático do que economias europeias mais ao oeste ou ao norte, especialmente Dinamarca e Alemanha, onde a maioria enxerga a China como rival ou inimiga da UE.
Uma divisão semelhante também é visível em relação à Ucrânia. Embora os europeus em geral esperem negociações de paz, há grandes divergências sobre os termos dessas negociações e como elas devem ser concluídas – um fator que os líderes europeus devem considerar caso Trump aumente a pressão para um acordo.
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