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Seca na demanda por Treasuries provoca maior inclinação na curva de juros, aponta Citi | Finanças

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/04/2025 às 14:02 · Atualizado há 4 dias
Seca na demanda por Treasuries provoca maior inclinação na curva de juros, aponta Citi | Finanças
Foto: Reprodução / Arquivo

O mercado de Treasuries está passando por um dos eventos de falta de liquidez mais severos desde a crise bancária de março de 2023, apontam os economistas do Citi. Uma “corrida pela liquidez” fez com que o mercado de bonds americanos passasse por uma turbulência durante a madrugada desta quarta-feira (9), levando a taxa da T-note de 30 anos, por exemplo, a subir a 5%.

Diante das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, especialmente após a implementação das tarifas “recíprocas” de Donald Trump, houve uma corrida pela liquidez, na qual a diferença ("spread") entre os rendimentos dos títulos públicos e os swaps de juro — o que, no Brasil, costuma ser chamado de “casado” — despencaram, em um movimento que provocou uma venda de Treasuries no mercado secundário como forma de voltar a aumentar o valor entre as duas taxas.

Os economistas do Citi, liderados por Jason Williams, explicam que os spreads de swap drasticamente mais baratos ontem, em conjunto com a inclinação da curva de juros e o aumento nos rendimentos reais dos Treasuries, apontam para uma “paralisação” dos compradores.

O Citi acrescenta que há várias razões para uma inclinação ainda maior da curva de juros e para spreads de longo prazo mais baixos, o que deve diminuir a demanda pelos bonds americanos.

“O movimento (de inclinação da curva) provavelmente foi exacerbado pela participação de investidores questionando o valor estrutural dos Treasuries e o status do dólar como reserva de valor em geral”, diz o Citi.

Além disso, a implementação das tarifas trouxe diversas incertezas sobre a saúde econômica dos EUA, inclusive reacendendo o debate sobre uma possível recessão no país. Neste contexto, os riscos da política comercial americana poderiam diminuir a demanda de investidores privados estrangeiros pelos Treasuries.

A solução para a baixa demanda dos Treasuries, no entanto, não é simples. “O deslocamento dos Treasuries não é drástico o suficiente para justificar uma nova rodada de flexibilização quantitativa (QE) ou intervenção”, dizem os economistas.

O Citi aponta que uma das formas de lidar com a baixa demanda seria por meio da flexibilização das regras de compra de títulos públicos americanos por bancos, permitindo que as instituições financeiras pudessem adquirir mais bonds.

A interrupção do processo de aperto quantitativo (QT, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) seria outra forma. Neste momento, a política de vencimento dos títulos públicos por parte do Tesouro é considerada baixa, de apenas US$ 5 bilhões/mês.

Outra opção seria a modificação do programa de recompra de títulos pelo Tesouro americano, o que não poderia ser feito até maio. Nele, uma das alternativas seria introduzir um programa de recompra ‘garantido’ para os títulos fora da linha de emissão. “Acreditamos que o nível poderia ser grande, talvez de US$ 100 bilhões a US$ 200 bilhões ou até mais”, disseram.

A última alternativa dada pelos economistas do Citi seria cancelar a emissão de T-bonds de 20 anos, no intuito de ajustar uma distorção na curva de juros. “Acreditamos que o desequilíbrio oferta/demanda, combinado com novas fontes de receita provenientes das tarifas, permitiria claramente que o Tesouro parasse a emissão”, explicam.

Segundo eles, o Tesouro americano poderia economizar até US$ 50 bilhões em despesas com juros ao longo de um período de 10 anos ao interromper a emissão dos Treasuries com vencimento de 20 anos.

— Foto: Aaron Lefler/Unsplash

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