Paquistão e Afeganistão concordaram com um cessar-fogo temporário nesta qaurta-feira, depois que um ataque aéreo e combates terrestres aumentaram as tensões entre os vizinhos do sul da Ásia, deixando ao menos 12 civis mortos e 100 feridos.
Os combates ao longo da fronteira são os piores entre os dois países islâmicos desde que o Talibã tomou o poder em Cabul em 2021.
O recente atrito entre os antigos aliados surgiu depois que o Islamabad exigiu que o Talibã agisse para controlar ataques no Paquistão, dizendo que eles operavam a partir de refúgios no Afeganistão.
O Talibã nega a acusação e acusa o exército paquistanês de disseminar informações falsas sobre o Afeganistão, provocar tensões na fronteira e abrigar militantes ligados ao Estado Islâmico para minar a estabilidade e a soberania do país. O exército paquistanês nega as acusações.
Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão disse que os dois países implementariam um "cessar-fogo temporário" por 48 horas a partir desta quarta-feira, acrescentando que a trégua foi solicitada por Cabul.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, disse que o cessar-fogo se deveu à "insistência do lado paquistanês".
Cabul ordenou que suas forças observassem o cessar-fogo, desde que o outro lado não cometesse agressão, disse ele.
Mais cedo, o Paquistão realizou um ataque aéreo na província fronteiriça afegã de Kandahar e atingiu a cidade de Spin Boldak, disseram autoridades de ambos os países.
Autoridades de segurança paquistanesas disseram que o ataque aéreo teve como alvo uma brigada de tropas do Talibã afegão e que dezenas foram mortas, sem corroborar a alegação.
Enayatullah Khowarazmi, porta-voz do Ministério da Defesa do Afeganistão, disse que áreas residenciais de Spin Boldak foram atingidas.
Cada lado acusou o outro de lançar ataques terrestres.
O Talibã disse que ao menos 12 civis foram mortos e 100 ficaram feridos quando as forças paquistanesas lançaram ataques em Spin Boldak.
O Paquistão negou ter lançado esses ataques e disse que quatro de seus civis ficaram feridos em ataques das "forças do Talibã" no distrito de Chaman, em frente a Spin Boldak, do outro lado da fronteira.
Separadamente, combates entre tropas paquistanesas e membros do Talibã no distrito fronteiriço de Orakzai, no Paquistão, mataram seis soldados paramilitares e nove membros do grupo militante, disseram duas autoridades de segurança à Reuters.
Os vizinhos fecharam várias passagens ao longo da fronteira desde os conflitos do fim de semana, paralisando o comércio e deixando dezenas de veículos carregados de mercadorias retidos.
O Paquistão é a principal fonte de alimentos e outros bens para o Afeganistão, um país empobrecido e sem litoral.
China, Rússia e EUA expressam preocupação com confrontos
Os confrontos da semana passada atraíram preocupação internacional, com a China pedindo proteção para seus cidadãos e investimentos, a Rússia pedindo moderação e o presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo que poderia ajudar a acabar com o conflito.
Os últimos conflitos coincidiram com a primeira visita do ministro das Relações Exteriores do Talibã afegão, Amir Khan Muttaqi, à Índia, arquirrival do Paquistão, durante a qual Nova Délhi disse que reabriria sua embaixada em Cabul e o Talibã afegão disse que enviaria seus diplomatas à Índia.