O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou acreditar que o Brasil pode crescer nos próximos anos a despeito da turbulência geopolítica e com menor ajuda do governo na expansão dos gastos.
"O Brasil vem subinvestindo há muito tempo, e tem um subconjunto de projetos que podem sair da gaveta se acertarmos uma série de políticas", afirmou Haddad, que participou do J. Safra Macro Day, em São Paulo.
O petista citou como exemplos o ritmo acelerado das concessões, capitaneadas pelo Ministério dos Transportes, o conjunto de iniciativas para baixar os spreads (o custo do dinheiro) - caso do marco de garantias -, e também o esforço para aumentar os investimentos em data centers no Brasil.
"Devo ir para a Califórnia esta semana começar a divulgar o marco regulatório do plano nacional de data centers. Somos deficitários na balança de serviços, contratamos 60% da nossa demanda lá fora e isso não se explica, porque o Brasil tem as maiores vantagens competitivas, sobretudo de cabeamento, mas de energia limpa. O lançamento dessa política vai fazer o investimento melhorar muito nessa área", afirmou.
Haddad afirmou que, dadas as atuais circunstâncias, é possível virar a chave no sentido de uma política fiscal menos atuante. "Acredito que o crescimento tem tudo para ser puxado por consumo das famílias e investimento. Não precisamos de impulso maior para crescer bem", declarou, reforçando que esse plano independe do cenário externo.
Sem entrar em detalhes, o ministro da Fazenda disse avaliar que o cenário externo turbulento pode se resolver esse ano e que o país tomou a decisão correta ao se manter fiel em sua tradição de não alinhamento externo.
"Não alinhamento é manter canais abertos com três grandes blocos. É uma política acertada com o presidente Lula, que é um grande ativo do país na diplomacia", disse, lembrando que o trabalho do Brasil na presidência do G20 em 2024 refletiu essa postura.
Haddad também elogiou o trabalho conduzido pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, à frente da reação brasileira ao tarifaço, e também citou que o novo contexto deve fazer avançar agendas como a do acordo entre Mercosul e União Europeia.
"Estive recentemente com o ministro das Finanças da França e vi da parte do governo francês uma abertura maior. À luz dos acontecimentos recentes, vai ganhar impulso."
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