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Fazer pós-graduação é essencial? | Carreira no Divã

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 23/04/2025 às 06:01 · Atualizado há 2 dias
Fazer pós-graduação é essencial? | Carreira no Divã
Foto: Reprodução / Arquivo

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"Percebi que a maioria das pessoas ao meu redor fez pós-graduação ou MBA. Gosto muito de estudar, mas não me vejo cursando algo do tipo. Prefiro cursos livres e rápidos ou estudar por conta própria. Porém, já me disseram que para subir na carreira - ou mesmo se manter relevante - é preciso cursar pelo menos uma pós. Isso ainda faz sentido nos tempos atuais? Fazer pós-graduação é considerado algo essencial?".

Assessora de comunicação, 35 anos

Essa dúvida é muito comum. Até pouco tempo atrás eu diria que cursar uma pós-graduação e, principalmente, um MBA era uma condição quase que mandatória para uma potencial promoção a um cargo de liderança. Hoje em dia, isso tem mudado, mas ainda é algo muito valorizado. Então, sugiro que a sua decisão seja guiada pelo estilo da atual empresa em que atua, pela mentalidade das pessoas que ocupam cargos de gestão nessa companhia e pelo perfil das organizações na qual deseja trabalhar nos próximos anos.

Se você estiver em empresas da nova economia, como startups, pode ser que os cursos tradicionais de MBA e pós-graduações não sejam tão relevantes aos olhos da liderança. Nesse caso, pode ser muito estratégico para a sua carreira seguir um caminho de formação livre, como você mencionou — fazendo cursos rápidos, especializações modulares, certificações específicas, mentorias ou mesmo estudos autodirigidos.

Agora, se o objetivo é trilhar carreira em companhias mais tradicionais, como grandes agências de comunicação ou multinacionais, em algum momento você precisará cursar MBA ou pós em uma instituição de ensino conceituada para não ter o crescimento limitado. Em algumas dessas empresas, esses cursos são fundamentais para ocupar altos cargos de gestão. Além disso, nesses locais, a certificação é um sinal de que o profissional tem comprometimento com a educação, capacidade de investir em si mesmo e disciplina para concluir um projeto.

É importante que você saiba que poucos empregadores vão te contar que sua promoção não se concretizou pela falta de uma qualificação. Isso porque um profissional não é observado apenas pelos certificados que possui, mas também por valorizar o aprendizado contínuo, aplicar conhecimentos na rotina, se adaptar rapidamente às mudanças e identificar proativamente a necessidade de aprender mais.

Colunista afirma que, segundo pesquisas, o profissional do futuro será aquele que tiver a habilidade de aprender continuamente e de forma ágil, prática e personalizada — Foto: Pexels

No meu dia a dia como headhunter, inclusive, é muito comum que empregadores busquem profissionais no mercado por acreditarem que, internamente, não há colaboradores com as capacitações alinhadas às vagas em aberto. E, em áreas como comunicação, tecnologia, marketing digital, inovação e design, entre outras, muitas vezes, o que mais pesa não é o título acadêmico, mas sim o alinhamento de pensamento, conhecimento e prática às tendências do mercado.

Especificamente no seu caso, como assessora de comunicação, você está inserida em uma área que valoriza muito as habilidades práticas. É importante, por exemplo, ter conhecimentos sobre reputação em ambientes digitais, gestão de crises e employer branding, além de atualização constante em plataformas e estratégias. O mercado busca profissionais que consigam navegar bem por diferentes linguagens, audiências e canais. São domínios que nem sempre vêm de uma formação acadêmica tradicional.

Na dúvida, sempre prefira fazer escolhas alinhadas aos seus objetivos de carreira e ao seu estilo de aprendizado. Pesquisas mostram que o profissional do futuro será aquele que tiver a habilidade de aprender continuamente — de forma ágil, prática e personalizada. Em outras palavras, quem domina o próprio processo de aprendizado e coloca em prática o que aprende tem mais chance de se manter relevante, na comparação com quem apenas acumula diplomas.

Outro ponto a considerar: a construção da sua autoridade profissional não depende apenas da formação acadêmica, mas também da maneira como você compartilha conhecimento, gera valor para seu mercado e se posiciona como referência. Publicar artigos, participar de eventos, ministrar palestras ou mesmo produzir conteúdo estratégico nas redes sociais também ajudam muito a consolidar sua imagem de profissional de destaque.

Nunca perca, porém, o hábito de reavaliar onde está e onde deseja chegar na carreira. É em momentos de reflexão como esse que entendemos melhor se estamos no caminho certo ou se o melhor é recalcular a rota de planos, estratégias e estudos.

Isis Borge é headhunter, diretora executiva da Talenses e sócia do Talenses Group onde atua com recrutamento executivo e lidera a seleção no C-level para energia e indústria.

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Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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