Publicidade
Capa / Econômia

Executivo de Valor: A paixão pela matemática levou Raquel Reis, da SulAmérica, a se tornar a campeã em Seguros e Previdência | Executivo de Valor

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 16/06/2025 às 22:34 · Atualizado há 12 horas
Executivo de Valor: A paixão pela matemática levou Raquel Reis, da SulAmérica, a se tornar a campeã em Seguros e Previdência | Executivo de Valor
Foto: Reprodução / Arquivo

“A sensação que tive, quando voltei para a SulAmérica, foi aquela de você fazer uma viagem top, ficar 20 dias viajando pela Europa, com tudo maravilhoso, mas, quando chega em casa, você pensa: ‘estava com saudade, cheguei’.” Assim Raquel Reis, CEO da seguradora para os ramos de saúde e odonto, lembra-se de sua última transição profissional. Foi na virada de 2022 para 2023 que ela retornou à empresa na qual havia trabalhado por mais de uma década. A executiva tinha acertado ir para o outro lado do balcão, para a Rede D’Or, no início de 2022, justamente quando o grupo hospitalar anunciava a aquisição da SulAmérica. “Tive a oportunidade de vivenciar um lado do negócio que não conhecia”, afirma.

Ela descobriu que, mais do que bons médicos, equipamentos e uma boa hotelaria, o universo hospitalar tem áreas essenciais, como a lavanderia e a cozinha. “Foi bem interessante e derrubou algumas certezas – sempre que você tem muita certeza, está errado em alguma das suas conclusões”, pondera. Quando a aquisição recebeu sinal verde da Agência Nacional de Saúde (ANS) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a executiva foi convidada a assumir o cargo de CEO da SulAmérica Saúde e Odonto. Estava predestinada a voltar àquela companhia que lhe era tão familiar.

Não foi um retorno suave. Após os traumas da pandemia de covid-19, no biênio 2020-2021, em que os sinistros ficaram artificialmente baixos e sem reajustes, as seguradoras de saúde estavam em frangalhos. “Teve todo um trabalho de rearrumar a casa e colocar as coisas nos trilhos”, diz Reis.

Raquel Resi, CEO de Saúde e Odonto da SulAmérica: Passar para o outro lado do balcão “foi bem interessante e derrubou algumas certezas – sempre que você tem muita certeza, está errado em alguma das suas conclusões” — Foto: Bob Wolfenson/Bob Wolfenson

As iniciativas incluíram desde a recomposição de preços e redução de despesas até mudança de endereço. A SulAmérica saiu de um prédio moderno e sustentável, que tinha sido construído para a seguradora em Pinheiros, para um “retrofit” na alameda Santos, nos Jardins, na capital paulista. O custo anual de cerca de R$ 40 milhões foi reduzido em cerca de 70%. Em 2024, a companhia colheu o que foi plantado em 2023, diz Reis. A receita de saúde e odonto somou R$ 28,4 bilhões, com alta de 11,1%, a sinistralidade caiu quase cinco pontos percentuais e houve uma adição líquida de 175 mil vidas.

Sob sua liderança, a SulAmérica incorporou à oferta produtos mais acessíveis, investiu na regionalização dos planos de saúde, adequando coberturas e modelos de contratação de prestadores às diferentes realidades. Num segmento extremamente regulado, a executiva, também presidente da FenaSaúde, diz que à frente o setor vai enfrentar desafios nada triviais, com novos procedimentos entrando no rol de coberturas obrigatórias e aumento da judicialização.

Nos anos escolares, Reis adorava matemática e acabou seguindo o fluxo. Num setor carente de profissionais, foi recrutada no primeiro ano da faculdade para o programa de trainee da Yasuda Seguros, do grupo japonês Sompo. Depois passou na seleção de outra multinacional, a AGF (hoje Allianz). Como parte do programa, vivenciou os mais diversos setores. Ao fim do processo, os aprendizes listavam suas áreas de interesse, enquanto os gestores indicavam os candidatos de sua preferência. “Ali, eu escolhi saúde e saúde me escolheu, não saí nunca mais.”

 — Foto: Arte/Valor
— Foto: Arte/Valor

Mãe de um adolescente de 17 anos, Reis aproveita os fins de semana para cozinhar e preparar massa artesanal com o filho num refúgio no interior de São Paulo. Ela considera que os jovens enxergam o mundo de forma diferente, até mesmo por conta da formação escolar, bem diversa daquela de sua geração. No trabalho, acredita que a convivência intergeracional demanda abertura para o novo e o abandono de muitas das certezas colecionadas ao longo da vida.


Source link

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade