O ex-secretário do Tesouro dos EUA, Lawrence Summers, criticou nesta segunda-feira (24) a pressão exercida pelo governo Donald Trump sobre a Ucrânia para que o país ceda parte de seus recursos naturais aos EUA, comparando as exigências americanas a um Tratado de Versalhes.
“O que o governo Trump parece estar propondo — e, para ser justo, ainda não vimos todos os detalhes — é um acordo semelhante ao de Versalhes, imposto não aos agressores, mas às vítimas da agressão”, disse ele no programa “Wall Street Week”, da Bloomberg Television, se referindo ao tratado, assinado após a Primeira Guerra Mundial, que impôs severas penalidades financeiras e outras restrições à Alemanha e é amplamente visto como um fator que garantiu a inevitabilidade de outro grande conflito.
A declaração acontece enquanto a Ucrânia está na fase final de negociações com os EUA sobre um acordo para conceder a Washington uma participação em seus recursos minerais. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também disse a repórteres no domingo que os EUA retiraram sua exigência de que Kiev se comprometesse a pagar US$ 500 bilhões provenientes da extração de recursos para um fundo como forma de reembolso pela ajuda americana.
"Para a política dos EUA culpar a vítima pela agressão e depois pegar essa vítima destruída e altamente endividada e dizer que nossa política é reivindicar os poucos ativos limitados que ela tem — como algum tipo de compensação pelo que fizemos — isso vai além de Versalhes", afirmou Summers.
Summers também traçou uma distinção entre os contornos do acordo proposto para a Ucrânia e a iniciativa americana pós-Segunda Guerra Mundial para financiar a reconstrução econômica da Europa Ocidental, conhecida como Plano Marshall.
“Após a Segunda Guerra Mundial, fornecemos o financiamento essencial que possibilitou a reconstrução da Europa Ocidental, o que foi fundamental para o sucesso dos EUA na Guerra Fria”, disse Summers. “Agora, reconheço que há necessidade de pragmatismo. Não sou daqueles que acreditam que seja viável para os Estados Unidos financiarem todas as aspirações ou desejos ucranianos”.
Além disso, o ex-secretário do Tesouro alertou sobre a repetição dos erros cometidos pelo Reino Unido em 1938 — quando falhou em enfrentar a expansão territorial da Alemanha nazista — no atual engajamento dos EUA com o presidente russo, Vladimir Putin.
“Não estamos apenas apaziguando, mas ativamente apoiando agressores, e me preocupo com o futuro em um mundo onde essa é a abordagem que os Estados Unidos adotaram”, disse Summers.