A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, criticou a Argentina por não ter assinado a resolução do grupo de trabalho do G20 que defendia a igualdade de gênero. A declaração foi dada durante a abertura do G20 Social, braço da sociedade civil do fórum internacional que reúne as maiores economias do mundo.
O grupo de trabalho de Empoderamento de Mulheres do fórum concluiu seus trabalhos em outubro desde ano com um comunicado feito pela presidência do GT, chefiado pelo Ministério das Mulheres. Segundo Janja, a Argentina não quis endossar o documento.
“O GT de Empoderamento saiu com uma resolução muito forte, muito potente. Infelizmente tivemos um país, que foi a Argentina, que por questões…”, disse Janja, dando de ombros e sem completar a frase.
Ela, então, continuou: “enfim, não assinou a resolução porque tinha no começo ‘igualdade de gênero’. E, por mim, não consigo conceber que hoje a gente possa pensar um mundo daqui para a frente sem termos igualdade de gênero.”
“Não consigo pensar em algum país que se negue a assinar uma declaração dessa, mas enfim”, completou.
A Argentina é presidida por Javier Milei, presidente da ultra direita que já fez críticas ao seu par brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O chefe da Casa Rosada está confirmado para a cúpula dos líderes do G20, nos dias 18 e 19 deste mês. Será a primeira vez que os dois mandatários se encontrarão frente a frente. Não há, no entanto, previsão de uma reunião bilateral entre os dois.
Ainda no discurso, Janja afirmou que a Aliança Contra a Fome, iniciativa da presidência brasileira no G20, pode ter a adesão de todos os países do grupo. Conforme o Valor antecipou, mais de 30 países já aderiram à iniciativa, enquanto 27 estão em processo de adesão.
“A gente está caminhando para uma adesão total dos países-membro do G20 e de outros países, de outros organismos, da sociedade civil e da academia. Estamos num momento de virada da humanidade em que precisamos efetivamente nos unirmos para um futuro que nos parece nesse momento um pouco incerto”, disse Janja.
Além da primeira-dama, discursaram na abertura do G20 Social os ministros Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência, Mauro Vieira, das Relações Exteriores, Margareth Menezes, da Cultura, além do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Pelo lado da sociedade civil, falaram Morgan Ody, representante Internacional, e Edna Rolland, representante brasileira.
Previstos para participar da fala inaugural do G20 Social, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), não compareceram ao evento. No lugar, por parte do governo federal, participaram da mesa os ministros Camilo Santana, da Educação, e Cida Gonçalves, das Mulheres. Já o governo do Estado foi representado pela secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Rosangela Gomes.
Também estiveram presentes os ministros Wellington Dias, de Desenvolvimento Sustentável, Esther Dweck, de Gestão e Inovação, e Jader Barbalho, das Cidades.
Antes da mesa de abertura do G20 Social, houve confusão e bate-boca na entrada do auditório porque os participantes do fórum foram impedidos de entrar ao local. O acesso ao espaço foi limitado por conta da lotação, e houve desorganização por parte da produção do evento.
No início dos discursos, Paes aproveitou a oportunidade para brincar com Janja e defender a volta da capital da República ao Rio de Janeiro.
“Brasília pode até ter tirado esse título da gente de capital do Brasil, mas a gente deu um jeito de arrumar outro rapidinho”, brincou o prefeito.
“Eu sei que, se dependesse da Janja, o presidente ficaria mais aqui do que Brasília, a capital voltava para o Rio de Janeiro imediatamente. Né, Janja? Pode falar”, disse Paes, logo emendando: “Melhor não falar não, para amanhã não dar escândalo.