O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o anúncio da revogação do visto americano do ministro Alexandre de Mores, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (18). A medida é a principal demanda de Eduardo em sua permanência nos EUA para articular ações do governo Trump contra a Justiça brasileira.
"Eu não posso ver meu pai e agora tem autoridade brasileira que não poderá ver seus familiares nos EUA também — ou quem sabe até perderão seus vistos", escreveu o deputado em postagem na rede social X. "Eis o CUSTO MORAES para quem sustenta o regime. De garantido só posso falar uma coisa: tem muito mais por vir", completou.
Eduardo postou "muito obrigado", marcando os perfis de Trump e do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que anunciou a medida contra o magistrado brasileiro, também no X. O parlamentar licenciado também incluiu um emoji que expressa gratidão.
As mensagens fazem alusão a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi alvo de decisão de Moraes nesta sexta. Uma das medidas cautelares determinadas pelo ministro foi a proibição de contato do ex-mandatário com Eduardo. A determinação ocorreu no âmbito de um inquérito na corte que investiga a atuação de Eduardo nos Estados Unidos, onde mora desde fevereiro.
Desde então, o deputado vem pedindo a membros do governo Trump sanções contra Moraes, que é o relator na corte dos processos relacionados à família e do julgamento que pode levar Jair Bolsonaro à prisão por tentativa de golpe de Estado.
Sob a justificativa de que o Brasil promove "uma caça às bruxas" ao ex-presidente, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações de produtos brasileiros. O presidente americano também ampliou a ofensiva em defesa de seu aliado com a abertura de uma investigação dos EUA para apurar supostas práticas desleais comerciais brasileiras.
Após a ameaça do "tarifaço", Eduardo e alas do bolsonarismo passaram a chamar a taxação de "custo Moraes", sob o argumento de que os eventuais prejuízos econômicos ao país se devem ao que seriam abusos do ministro que levaram à retaliação de Trump. Os bolsonaristas também culpam a política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por ter supostamente provocado a guerra tarifária.
Eduardo fez outra postagem, após o anúncio sobre os vistos, reforçando a mensagem de que Trump não recuará das condições impostas ao Brasil para suspender a tarifa. O principal pedido do presidente americano é que o julgamento de Bolsonaro seja imediatamente interrompido.
O deputado federal cobra ainda uma "anistia ampla, geral e irrestrita" para ele e seus aliados, como única saída para que o tarifaço seja anulado. "Aos que ainda não entenderam: não haverá recuo!", escreveu o filho do ex-presidente, que também agradeceu a Trump no dia em que ele divulgou a sobretaxa de 50% ao Brasil.
Marco Rubio afirmou que determinou também a revogação dos vistos de "aliados de Moraes na corte", sem especificar os nomes, bem como de seus respectivos familiares. O anúncio foi feito horas após as novas restrições determinadas por Moraes contra Bolsonaro, entre elas a proibição de usar redes sociais.
O efeito sobre os vistos é imediato, de acordo com a publicação feita por Rubio. Ele afirmou que Trump deixou claro que o governo americano responsabilizará cidadãos que promoverem censura. O argumento da liberdade de expressão tem sido usado pelos EUA na série de medidas que miram o Brasil.