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Economia verde pode movimentar até US$ 11 trilhões até 2040, aponta BCG | ESG

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 28/04/2025 às 06:00 · Atualizado há 5 dias
Economia verde pode movimentar até US$ 11 trilhões até 2040, aponta BCG | ESG
Foto: Reprodução / Arquivo

A transição para uma economia verde global pode gerar oportunidades de crescimento de até US$ 11 trilhões até 2040, de acordo com novo estudo do Boston Consulting Group (BCG), com base em dados da Agência Internacional de Energia (IEA). O relatório destaca quatro setores-chave: minerais críticos, tecnologia verde, materiais industriais descarbonizados e serviços verdes.

Segundo Santino Lacanna, sócio do BCG, a motivação para a realização do estudo veio da constatação de que a pauta das mudanças climáticas está se tornando cada vez mais urgente — e que o custo da inação, ou seja, de não fazer nada, só cresce com o tempo. Por outro lado, o custo para lidar com essas questões vem diminuindo com o avanço de tecnologias.

“Não fazer nada vai ficando mais caro. E quanto mais demorarmos, mais drástica e urgente será a trajetória de transição”, afirma Lacanna, em entrevista ao Prática ESG. “A ideia [do estudo] era entender como uma economia mais verde pode ser, também, uma grande alavanca de oportunidades”, explica.

Um dos principais achados, segundo ele, é justamente que há um enorme potencial de desenvolvimento ao enfrentar os desafios climáticos de forma proativa, com o mercado global de soluções voltadas à sustentabilidade podendo passar de US$ 2 trilhões hoje para US$ 11 trilhões até 2040. O incentivo vem dos compromissos assumidos por governos e empresas para limitar o aquecimento global a 1,5ºC até 2050. “Alguém terá que fornecer, escalar produtos e serviços. É uma oportunidade clara e crescente, com potencial de expansão muito forte nos próximos 15 anos.”

O relatório, intitulado “Economic Growth Opportunities in a Greening World”, traz, por exemplo, que a área de minerais críticos — essenciais para baterias e motores elétricos — deve saltar de US$ 100 bilhões para US$ 700 bilhões. Já o setor de tecnologia verde, que inclui energia eólica, solar e veículos elétricos, deve movimentar US$ 4,6 trilhões em 2040. Materiais industriais verdes e serviços verdes, como finanças sustentáveis e ecoturismo, também terão crescimento expressivo.

Lacanna destaca que a transição para uma economia verde também traz benefícios estratégicos adicionais, que variam conforme o país. Na Europa, por exemplo, trata-se de reduzir dependência energética e reconstruir capacidade industrial. No Brasil, a vantagem está em sua matriz energética mais limpa e abundância de recursos naturais.

Santino Lacanna, sócio da consultoria BCG — Foto: BCG/ Divulgação

Vantagens competitivos naturais do Brasil

Para o executivo do BCG, o Brasil, como grande economia do Sul Global, tem a chance de se posicionar como fornecedor relevante de soluções verdes no mundo. “A oportunidade é transformar isso em alavanca de desenvolvimento, atraindo investimento e construindo soluções não só para o mercado interno, mas para o cenário”, diz.

Uma das áreas onde o país pode ter diferencial competitivo natural é no desenvolvimento de novos materiais e cadeias industriais de baixo carbono, já que parte da energia e das emissões que outros países precisariam compensar, o Brasil praticamente já não tem, uma vez que a matriz elétrica brasileira é majoritariamente renovável e hídrica — algo que poucos países no mundo têm.

Além disso, o Brasil, destaca Lacanna, está bem posicionado na área de biocombustíveis e de novas tecnologias de energia limpa. “Em áreas como biocombustíveis, biometano, SAF (combustível sustentável para aviação) e hidrogênio verde, o Brasil tem uma vantagem competitiva muito grande, seja pela disponibilidade de recursos naturais, seja pela infraestrutura existente.”

Segundo ele, o país pode aproveitar essas vantagens para atrair investimentos e se consolidar como um dos grandes fornecedores globais de soluções energéticas sustentáveis.

A agricultura é outro campo com potencial de crescimento aqui. Na visão do BCG, apesar de desafios históricos como o uso intensivo da terra e a degradação ambiental, Lacanna aponta que o Brasil tem enorme potencial para liderar uma transformação rumo a uma agricultura regenerativa e sustentável.

“Uma parte significativa da agricultura brasileira já é mais regenerativa, e temos condições de nos tornar um grande hub global nesse tema, contribuindo também com a segurança alimentar mundial”, diz o sócio do BCG.

Ele cita como exemplo o Cerrado Summit, realizado recentemente em parceria com atores do setor público e privado no Tocantins, que reuniu lideranças em torno do tema da agricultura regenerativa no bioma do Cerrado. “Foi impressionante o nível de interesse de todos os participantes — da cadeia produtiva às multinacionais — e o tamanho do potencial que existe nessa agenda.”

Outro ponto relevante destacado pelo estudo é que essa agenda já não se restringe a soluções caras ou conceituais. Em diversos segmentos, a transição verde já ocorre em bases competitivas. Lacanna cita como exemplo a indústria automotiva, que, de três anos para cá, viu a proliferação dos carros elétricos chineses em diversos mercados. Hoje, diz o executivo, eles já dominam parte significativa do market share em diversos países. “O que antes parecia distante, agora é uma oportunidade macro concreta, com impactos reais.”

O BCG ressalta que cada país deve traçar sua própria estratégia, de acordo com seus recursos e estágio econômico. “Economias baseadas em recursos podem focar em exportações verdes; países avançados, em inovação tecnológica; e os emergentes, em adaptação climática”, explica Santino Lacanna, sócio do BCG.

A pesquisa enfatiza ainda o papel estratégico dos serviços financeiros verdes, da tecnologia da informação e da adaptação climática, setores que também devem atrair investimentos bilionários na próxima década.

“Os países que querem competir em mercados verdes de rápida evolução devem desenvolver posições viáveis”, diz Lacanna. Para isso, comenta, eles precisarão combinar incentivos amplos (como precificação de carbono), programas para descarbonizar redes elétricas e políticas industriais para nutrir setores verdes nascentes. “Políticas comerciais, incluindo cooperação com outros líderes verdes, também são importantes”, finaliza.

Conheça as avenidas de soluções verdes que tendem a crescer globalmente nos próximos anos, estimadas pelo estudo “Economic Growth Opportunities in a Greening World” publicado recentemente pelo BCG:

Essenciais para tecnologias como baterias, células fotovoltaicas e motores elétricos, os minerais críticos são a base da transição energética.

“Hoje esse mercado movimenta cerca de US$ 100 bilhões, mas pode multiplicar por sete até 2040”, diz Lacanna.

A China atualmente lidera essa cadeia, investindo ao longo do tempo em refinarias próximas aos centros consumidores. O domínio sobre minerais críticos será cada vez mais estratégico.

2. Tecnologias verdes de manufatura

Esse é o maior bloco de crescimento projetado. Envolve desde painéis solares até veículos elétricos e máquinas industriais mais limpas.

“Hoje já é um mercado de US$ 800 bilhões, com projeção de chegar a 4,6 trilhões até 2040. Isso representa 40% de tudo”, comenta o sócio do BCG.

3. Produtos industriais verdes

Apesar de ainda ser um segmento pequeno — com um mercado estimado em US$ 500 milhões — o potencial de crescimento é imenso. “A expectativa é que chegue a US$ 3,6 trilhões até 2040. A diferença é brutal.”

A Europa, por exemplo, tem avançado em novas tecnologias como o DRI (redução direta do minério de ferro com hidrogênio verde), enquanto a China tende a apostar mais em rotas de captura e armazenamento de carbono (CCUS), aproveitando sua base industrial recente.

4. Serviços verdes e financeiros

Outro pilar importante são os serviços verdes, que incluem desde soluções baseadas na natureza até produtos financeiros e de financiamento climático. Esse mercado, hoje na casa dos US$ 600 bilhões, deve chegar a US$ 2,2 trilhões em 2040, de acordo com a pesquisa.

Só os ativos verdes dos bancos devem mais que triplicar até meados da próxima década, alcançando cerca de US$ 4,5 trilhões— com uma rentabilidade projetada de pelo menos US$ 75 bilhões. “Esse movimento será viabilizado por modelos diversos de capital, desde blended finance e mecanismos catalíticos até investimento de mercado puro”, diz Lacanna.

5. Adaptação e resiliência

Esse campo, menos discutido mas igualmente importante, diz respeito à capacidade dos países de responder aos efeitos já em curso das mudanças climáticas.

“Hoje é um mercado de cerca de US$ 450 bilhões, que varia conforme o nível de exposição de cada país”, diz o executivo. Ele reforça que com o aquecimento global médio chegando a 1,5ºC ou 2ºC, algumas regiões sofrerão impactos ainda mais severos, o que intensifica a demanda por soluções de adaptação.

6. Turismo e transporte sustentável

Um segmento complementar, mas promissor, de acordo com o estudo do BCG, é o do ecoturismo e transporte sustentável. Estima-se que o mercado global de ecoturismo, que hoje gira em torno de US$ 70 bilhões, possa atingir US$ 750 bilhões. O SAF - combustível sustentável de aviação - é um dos biocombustíveis que o Brasil tem grande potencial de desenvolver internamente.


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