A Construtora Barbosa Mello (CBM) foi eleita a empresa mais inovadora do setor de Engenharia e Construção no Brasil no Prêmio Valor Inovação 2025. A companhia mineira conquistou o 1º lugar no ranking setorial, resultado de uma trajetória de investimento consistente em transformação digital, automação e inovação aberta.
Desde 2020, a empresa já figurava entre as primeiras posições do setor, mas a atual conquista consolida a estratégia que vem sendo implementada há cinco anos, marcada pelo uso intensivo de tecnologias emergentes em obras de grande porte e alta complexidade.
O projeto vencedor, chamado “Novas Soluções de Engenharia e Construção Digital com Operação Remota”, combina o uso de equipamentos não tripulados com tecnologias como escaneamento a laser, drones, IoT, modelagem 3D e integração em nuvem.
A solução já foi aplicada em obras de descaracterização de barragens com risco de rompimento. Entre 2019 e 2024, os equipamentos operados remotamente permitiram a remoção segura de mais de 2,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos, consolidando-se como uma referência mundial.
“Nosso objetivo foi desenvolver uma tecnologia que aumentasse a segurança dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que garantisse maior previsibilidade e eficiência de execução”, explica Alícia Figueiró, vice-presidente corporativa da CBM. “Hoje conseguimos monitorar cada etapa do processo em tempo real, tomando decisões mais rápidas e reduzindo riscos ambientais e operacionais.”
O reconhecimento da CBM ocorre em um momento em que o setor de engenharia e construção enfrenta pressão crescente para modernizar processos e aumentar o cuidado com o meio ambiente. Nos últimos cinco anos, a demanda por soluções digitais como BIM, drones e equipamentos autônomos cresceu mais de 40% no Brasil, segundo dados da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial).
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Próximos passos: IA e logística em tempo real
A empresa já trabalha na segunda geração de sua frota autônoma, com integração de dados por telemetria, uso de inteligência artificial para identificar etapas de carregamento e descarga, além de sistemas de monitoramento em tempo real. O objetivo é elevar a produtividade e reduzir erros operacionais, reforçando ganhos de eficiência e sustentabilidade.
Entre as frentes em desenvolvimento, destacam-se também:
- Expansão da operação remota para novos tipos de equipamentos;
- Integração total de BIM (Building Information Modeling) em projetos de infraestrutura e mineração;
- Aplicações de IA em planejamento e execução, com foco em reduzir custos, atrasos e desperdícios;
- Parcerias com startups, universidades e fabricantes para acelerar inovação aberta.
Cultura de inovação e investimento recorrente
Atualmente, cerca de 100 profissionais estão dedicados integralmente a iniciativas de inovação na CBM, enquanto mais de 250 já receberam treinamentos para operar equipamentos remotos e digitais. A empresa destina de 3% a 5% de sua receita líquida anual a projetos de transformação tecnológica — um patamar considerado elevado para o setor de construção pesada.
Segundo Figueiró, a inovação é tratada como uma disciplina estratégica, não como ação isolada. “Mais do que tecnologia, é um processo cultural. Todas as áreas da companhia são estimuladas a propor melhorias. Isso nos permite escalar com consistência e consolidar nossa posição como referência no setor”, afirma.
Fundada há 67 anos, em Belo Horizonte, a CBM atua em segmentos como mineração, infraestrutura, saneamento, energia e mobilidade urbana. A empresa já participou de obras estratégicas para o país e, em 2024, foi reconhecida como a terceira maior construtora do Brasil pelo Anuário Valor 1000.