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Castro diz que governo federal tem política de ‘não ceder’ ajuda ao RJ na guerra contra crime | Brasil

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 28/10/2025 às 14:14 · Atualizado há 1 dia
Castro diz que governo federal tem política de ‘não ceder’ ajuda ao RJ na guerra contra crime | Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta terça-feira que o Estado estaria “sozinho” na guerra contra o crime em solo fluminense. O político também teria afirmado que o governo federal teria uma “política de não ceder” ajuda, quando pedida pelo governo fluminense em momentos de crise de segurança pública. “As forças de segurança do Rio de Janeiro estão sozinhas”, afirmou.

O político deu as declarações em entrevista coletiva para explicar detalhes da “Operação Contenção”. A ação, deflagrada hoje por forças de segurança estaduais, com 2,5 mil agentes, visa capturar lideranças criminosas do Rio e de outros Estados, além de impedir expansão territorial da maior facção do Estado. A operação ocorreu nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio e já conta com pelo menos 20 mortos.

“Para uma guerra dessa, que nada tem a ver com a segurança urbana, realmente nós deveríamos ter um apoio muito, muito, muito maior, talvez até nesse momento, até de forças armadas, porque essa é uma luta que já extrapolou toda a ideia de segurança pública”, disse. “Já era para ter um trabalho de integração muito maior com as forças federais, o que neste momento não está acontecendo”, afirmou. “O Rio está sozinho nesta guerra e aí é muito fácil criticar as forças estaduais, criticar o governador, quando o Estado [do Rio] está, talvez sim, excedendo as suas competências”, completou. “Nós já pedimos os blindados [para forças federais] algumas vezes e todos foram negados”, afirmou.

Durante a entrevista coletiva, Castro foi questionado se, antes de deflagrar a ação desta terça-feira, teria pedido ajuda ao governo federal, como uso de Forças Armadas, por exemplo. “Não foram pedidas desta vez porque nós já tivemos três negativas [de pedido de ajuda]. Então, nós já entendemos que a política é de não é ceder [auxílio ao governo estadual em segurança]”, afirmou. “Cada dia nós temos uma razão [para eles] não emprestar e não estar colaborando. Então a gente entendeu que a realidade é essa. A gente não vai ficar chorando pelos cantos. A gente vai ficar trabalhando, que é o que está acontecendo hoje aqui”, afirmou.

Outro aspecto frisado por Castro é que a operação de hoje foi delineada para cumprimento de mandados judiciais contra criminosos suspeitos de tráfico. Ou seja, as forças estaduais de segurança não entraram nos locais sem estarem municiadas de mandados.

Na entrevista coletiva, ele foi questionado, também, sobre ações de retomada, do poder público, de áreas de comunidades carentes atualmente sob controle de forças criminosas, no Estado do Rio. “Vamos entender, a retomada é uma decisão do Supremo Tribunal Federal [STF]”, disse.

Castro refere-se à apresentação de plano de reocupação territorial - apresentação essa de responsabilidade do governo estadual - que atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, a ADPF das Favelas. O objetivo das ações seria viabilizar presença permanente, do poder público, por meio da instalação de políticas em prol de qualificação de serviços básicos, nessas áreas, além de prover oportunidades à juventude que mora nas localidades.

“O Rio já entregou a primeira parte [do plano ao STF] na data prevista dos 180 dias e nós estamos fazendo o processo de diálogo [com o STF]”, disse. “Estamos esperando isso ser encaminhado para o Supremo, ou então que a gente seja requerido a fazer novos estudos”, afirmou. “Por nós esses planos de retomada já começam imediatamente assim que a decisão for autorizada, enfim, pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

O governador do Rio destacou ainda a importância de integração de forças de segurança, em diferentes égides, estadual e federal. “Rio de Janeiro não produz essas armas [usadas pelo crime], não produz essas drogas, não produz esse poder bélico que está entrando pelas fronteiras. Esse poder bélico está sendo financiado via lavagem de dinheiro e por isso essa integração é tão importante”, afirmou. “Quero deixar claro que recentemente a Polícia Federal fez uma grande operação e nós elogiamos quando ela foi feita e elogiaremos sempre que a gente conseguir bloquear arma, bloquear dinheiro, bloquear droga. Isso aqui não é uma briga política, na verdade é um clamor por ajuda”, afirmou.

Castro frisou, ainda, investimentos que foram feitos na área com recursos dos cofres do Estado. “O Rio de Janeiro já passa de um investimento anual de R$ 16 bilhões pelo terceiro ano consecutivo nas forças de segurança, ou seja, tudo que o Estado pode fazer, está sendo feito”, disse.

O governador também foi questionado se a operação teria sido “vazada” a criminosos. Essa hipótese foi levantada mais cedo, visto que o conflito entre forças de segurança e traficantes foi intenso, o que pode sugerir que os suspeitos poderiam já estar preparados, e armados, para a chegada da Polícia. Castro informou não ter conhecimento de possível vazamento da ação.

— Foto: Luciana Whitaker/Valor

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