Publicidade
Capa / Econômia

Candidato esquerdista é o mais votado no Uruguai, mas não deve evitar 2.º turno | Mundo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 27/10/2024 às 21:32 · Atualizado há 9 horas
Candidato esquerdista é o mais votado no Uruguai, mas não deve evitar 2.º turno | Mundo
Foto: Reprodução / Arquivo

O esquerdista Frente Ampla, foi o candidato mais votado nas eleições presidenciais de ontem no Uruguai, indicou a pesquisa de boca de urna da consultoria Equipos. Mas não deve receber votos suficientes para evitar um segundo turno — contra o governista Álvaro Delgado, do direitista Partido Nacional — em 24 de novembro.

Orsi obteve 43,2%, segundo a Equipos. Delgado teve 28% e o advogado André Ojeda, do centrista Partido Colorado, ficou em terceiro, com 15,5%. Outras duas empresas de pesquisa, a Opción e a Cifras, apresentaram números parecidos. O ente eleitoral do país prometeu divulgar os primeiros resultados oficiais ainda ontem à noite.

O resultado também é consistente com o que as pesquisas eleitorais vinham indicando desde o início da campanha. Orsi, de 57 anos, é considerado um moderado na Frente Ampla.

Ele fez campanha prometendo não aumentar impostos, apesar do crescente déficit fiscal do país — 3,4 milhões de habitantes. Paralelamente ao primeiro turno da votação presidencial, os uruguaios foram chamados também a se pronunciar sobre a reversão de um item da reforma da previdência do atual presidente, Luis Alberto Lacalle Pou, e baixar de 65 para 60 anos a idade mínima para a aposentadoria. A proposta recebeu a aprovação de apenas 40% dos votos e foi derrotada.

Os uruguaios também votaram ontem para renovar todas as 30 vagas para senadores e 99 para deputados. Os resultados da votação legislativa só seria conhecido hoje.

Apesar da crise econômica agravada pela pandemia de covid e da criminalidade em alta durante seu mandato, Lacalle Pou manteve sua popularidade em torno do 50% — mas tem encontrado dificuldade para transferir esse capital político a Delgado, que foi seu chefe de Gabinete.

Padrinho político de Orsi, ex-presidente José “Pepe” Mujica foi um dos primeiros a votar ontem. O ex-presidente chegou a uma escola do bairro Cerro, na capital uruguaia, em uma cadeira de rodas e ajudado por alguns colaboradores — Mujica, de 89 anos, recebe tratamentos paliativos para um câncer de esôfago.

“Temos de apoiar a democracia, não porque seja perfeita, mas porque até agora os humanos não inventaram nada melhor”, disse Mujica. O ex-presidente mencionou a relativa apatia que predominou durante a campanha e afirmou que a classe política precisa reconquistar o interesse dos jovens. “Se não os conquistamos, é porque não os fazemos se apaixonar, é porque atraímos a aversão deles. Se houver propostas que os façam se apaixonar, o interesse deles voltará.”

Em meio a campanhas austeras e desinteresse generalizado, o voto dos cidadãos indecisos será fundamental tanto para a esquerda, que governou por 15 anos consecutivos e aspira retornar ao poder depois de perdê-lo em 2019, quanto para o Partido Nacional, atualmente no poder, que também não conseguiu conquistar a simpatia do eleitorado

“Foi uma campanha longe do povo, que não atingiu os níveis de mobilização que o Uruguai tem historicamente, onde a filiação partidária está entre as mais altas da América Latina”, disse o analista político Julián Kanarek à AP.

Diferentemente das divisões agudas entre direita e esquerda na Argentina, Brasil ou México, a arena política do Uruguai é relativamente livre de tensões ideológicas. Com frequência significativa, as principais forças políticas conservadores e liberais se juntam em coalizões relativamente sólidas.

“De certa forma, as eleições no Uruguai têm sido muito chatas, chato, mas chatas nesse sentido é muito bom”, disse Juan Cruz Díaz, um analista político que dirige o grupo de consultoria Cefeidas em Buenos Aires. “Vimos tantas mudanças dramáticas na Argentina, Brasil, Equador, Colômbia e, no Uruguai, sempre vemos um um consenso geral, há estabilidade.”


Source link

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade