Apesar de um cenário internacional confuso, em meio a artilharia pesada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua guerra tarifária, o Brasil nunca esteve tão “barato” e pode se beneficiar de alguma forma, avaliou Guilherme Benchimol, sócio-fundador e presidente do conselho de administração da XP.
“Quem comprou o EWZ [índice da bolsa brasileira em dólar, negociado no mercado internacional] em 2010, 2011, perde 90%, o que quer dizer que 100 dólares viraram 20 dólares, houve uma grande destruição de valor em 15 anos”, comentou ao participar de evento da Fami Capital.
Enquanto o índice da bolsa americana, o S&P 500, negocia numa relação de preço/lucro (P/L, que dá uma ideia do prazo de retorno do investimento e, quanto maior, pior) de 20 vezes, mesmo após tudo que caiu neste ano, o múltiplo brasileiro está em 8 vezes. “É fácil ver que está barato porque o dinheiro no Brasil é muito caro, o investidor não corre risco.”
Para Benchimol, se o governo retomar o ajuste das contas públicas, a Selic tem condições de cair dos 14,25% ao ano atuais, de forma sustentável, e o dinheiro volta a circular na economia. “A despeito do mundo mais difícil e complexo, se o Brasil fizer o dever de casa, pode atravessar super bem.”
Os Estados Unidos, que eram uma economia a pleno vapor, se continuassem naquele ritmo “ia explodir”, avaliou o sócio da XP. “A economia cresceu muito por muitos anos, não teve folga em nenhum indicador, na taxa de desemprego, e a bolsa está cara, tinha que dar uma freada, não sei se dessa forma. Espero que Trump tenha um plano, só não entendi ainda qual é o plano”, comentou Benchimol.
Ele acredita que tudo remete a um dólar mais fraco no mundo. “Se a economia vai frear — acho que Trump quer isso, está começando o mandato e é importante que as maldades sejam feitas no começo —, o cenário é de dólar fraco, é um momento em que os emergentes se beneficiam.”
Como o Brasil foi taxado no piso de 10% nas tarifas de importação e com a moeda americana perdendo valor, o país tem uma grande oportunidade, “não depende de ninguém, basta fazer o dever de casa”, disse Benchimol.
Para o investidor que está começando, ele aconselhou não apostar em cenários, mas ter uma carteira diversificada e que assim consiga resistir ao vaivém, atravessando as crises de forma mais tranquila.
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