Em campanha para fazer seu sucessor, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), levou seu candidato na disputa pela presidência da Casa, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), para um evento do setor sucroalcooleiro nesta segunda-feira em São Paulo, como forma de aproximá-lo do grupo, que foi um de seus principais apoiadores no cargo.
“O etanol não pode estar atrás de nenhuma outra fonte de energia”, defendeu Lira na abertura da 24ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol.
A cerimônia foi marcada por homenagens e discursos exaltando o presidente da Câmara e o setor, que tem registrado ganhos recordes com o aumento da mistura do etanol aos combustíveis fósseis. O papel dele na aprovação do combustível do futuro, do Mover (nova política para o setor automotivo) e de uma emenda constitucional garantindo a competitividade tributária do etanol sobre a gasolina foram lembradas nas falas.
“A Câmara cumpriu papel fundamental na pauta verde e energética”, discursou o presidente. “[Foi] Uma construção que todos os astros ajudam. Do Arthur Lira, de um Estado produtor de Alagoas, do [presidente do Senado ser o] Rodrigo Pacheco, de um Estado produtor, Minas Gerais. Câmara e Senado atuando ativamente nessa pauta”, afirmou.
Além de Lira, apenas dois outros deputados discursaram, embora mais estivessem presentes: Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que é presidente da Comissão Especial da Câmara sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde e esteve envolvido na discussão de quase todos esses projetos; e Hugo Motta, levado por Lira como seu candidato à sucessão.
Motta foi apresentado pelo locutor como um dos responsáveis pela articulação para aprovar o combustível do futuro, como líder do Republicanos, e afirmou que há um compromisso com “um setor de tanta importância para o Brasil” e para a agenda da transição energética.
Ele também destacou que o diálogo entre o setor produtivo, o Parlamento e o Executivo foi importante para avançar na agenda verde. “Temos a condição de dizer que o Brasil hoje discute de igual para igual, com qualquer país do mundo, a transição energética”, afirmou.
O presidente da Câmara não fez nenhum gesto mais explícito do apoio a Motta na eleição para sucedê-lo durante o discurso, mas exaltou o papel dele como representante no evento do “colégio de líderes partidários”, que reúne todos os partidos com representação na Câmara para decidir a pauta de votações do plenário todas as semanas.
Lira disse que “muito se fala” sobre a qualidade da condução de sua presidência e que “isso se deve muito a qualidade dos seus líderes” que representam seus setores e bancadas partidárias. “O colégio de líderes na Câmara é imprescindível para a condução deste país”, afirmou o presidente, ao destacar a necessidade de segurança jurídica para o país crescer.
Os dois adversários de Motta neste momento também são líderes de seus partidos: Antônio Brito (PSD-BA) e Elmar Nascimento (União-BA) – que era o favorito de Lira e costumava participar com ele destes eventos até a escolha do candidato do Republicanos em setembro.
Diante de tantas homenagens, Lira ainda brincou que dava bom dia “talvez com ares de bota-fora” do cargo, mas que espera ser chamado nos próximos, mesmo após deixar a presidência da Câmara em fevereiro. “Eu, como eventual presidente da Câmara, não contando, e contando, os dias para que ele [mandato] chegue ao final, com a certeza de que se Deus quiser, e um convite eu receber, estarei aqui de novo ano que vem”, afirmou.
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