A Apple planeja adquirir mais de 19 bilhões de chips dos Estados Unidos este ano, parte de uma mudança na cadeia global de suprimentos para reduzir gradualmente sua dependência da China e fortalecer a Índia para a produção de iPhones.
O CEO Tim Cook falou sobre se apoiar mais fortemente na Taiwan Semiconductor Manufacturing, que está expandindo suas operações no estado americano do Arizona para meia dúzia de fábricas. Ele também confirmou as expectativas de que a Apple, no futuro, fabricará a grande maioria de seus iPhones destinados aos EUA na Índia — reduzindo a produção da China, já que o governo Donald Trump ameaça impor tarifas punitivas à sua rival asiática. A Índia foi mencionada quase tantas vezes quanto a China na teleconferência pós-resultados financeiros de quinta-feira, refletindo sua crescente importância.
Cook, no entanto, manteve-se em silêncio sobre uma série de perguntas sobre como as tarifas potenciais sobre eletrônicos de consumo podem afetar os negócios da Apple. Ele afirmou que “é muito difícil prever além de junho”. O diretor financeiro, Kevan Parekh, disse que o comentário da Apple durante a teleconferência pressupõe que as atuais tarifas e políticas globais permaneçam em vigor e que a perspectiva macroeconômica global não piore.
O tão aguardado relatório trimestral de lucros da empresa sediada em Cupertino, na Califórnia, não conseguiu acalmar as preocupações dos investidores sobre seus maiores desafios, incluindo o aumento dos custos tarifários e a desaceleração na China. As ações da empresa caíram até 4,2% no final do pregão de quinta-feira, após a Apple divulgar os resultados do segundo trimestre, que incluíram vendas piores do que o esperado na China.
A Apple acelerou sua expansão industrial na Índia, que está em ascensão como mercado — em um momento em que as vendas da Apple na China continuam em queda — e provavelmente se tornará uma parceira comercial dos EUA mais favorecida politicamente a longo prazo. A Apple já fabrica 20%, ou um em cada cinco, de seus iPhones no país do sul da Ásia. A empresa espera importar da Índia a maior parte dos iPhones destinados aos EUA até o final do próximo ano.
“Temos uma cadeia de suprimentos complexa, sempre há riscos na cadeia de suprimentos”, disse Cook a analistas na teleconferência. “O que aprendemos há algum tempo foi que ter tudo em um só lugar tinha muitos riscos e, portanto, ao longo do tempo, com certas partes da cadeia de suprimentos, não a cadeia inteira, mas certas partes dela, abrimos novas fontes de suprimento.”
Além da Índia, Trump quer que a Apple comece a fabricar seus dispositivos nos EUA. Mas é improvável que isso aconteça em larga escala em um futuro previsível. Por enquanto, Cook prometeu aumentar a aquisição local de chips e outros componentes.
A fabricante do iPhone obterá dezenas de milhões de processadores avançados de uma nova fábrica no Arizona, operada pela TSMC este ano, disse Cook. A fábrica começou a fabricar processadores para iPads de entrada e Apple Watches, informou anteriormente a Bloomberg News. A Apple e a TSMC anunciaram investimentos nos EUA no valor de centenas de bilhões de dólares, em linha com o esforço da Casa Branca para trazer manufatura avançada ao país.
O governo Trump impôs tarifas sobre produtos importados da China e ameaçou impor taxas adicionais a outras nações que não negociarem novos acordos comerciais nas próximas semanas. Alguns eletrônicos, incluindo iPhones, estão isentos no momento.
O CEO da Apple também discutiu como a empresa obtém vidro para as telas de iPhone nos EUA, provavelmente se referindo à Corning. No início deste ano, a Apple disse que investiria US$ 500 bilhões nos EUA nos próximos quatro anos, inclusive fabricando servidores de IA em uma fábrica no Texas.
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