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Acordo entre Venezuela e EUA para "entrega" de petróleo é avaliado em US$ 2 bilhões

Estados Unidos e Venezuela chegaram a um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo venezuelano para os EUA, conforme anunciou na noite de terça-feir...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/01/2026 às 08:31 · Atualizado há 1 dia
Acordo entre Venezuela e EUA para "entrega" de petróleo é avaliado em US$ 2 bilhões
Foto: Reprodução / Arquivo

Estados Unidos e Venezuela chegaram a um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo venezuelano para os EUA, conforme anunciou na noite de terça-feira o presidente americano, Donald Trump. Trata-se de uma negociação emblemática, que desviaria fornecimentos da China, ao mesmo tempo que ajudaria Caracas a evitar cortes mais profundos na produção.

O acordo é um forte sinal de que o governo venezuelano está atendendo à exigência de Trump de que o país se abra para as petroleiras dos EUA. Trump afirmou que quer que a presidente interina, Delcy Rodríguez, conceda a Washington e a empresas privadas "acesso total" à indústria de petróleo da Venezuela. Caso contrário, correria o risco de enfrentar uma maior intervenção militar.

Caracas tem milhões de barris de petróleo em navios-tanque e em tanques de armazenamento que não conseguiu embarcar devido a um bloqueio às importações imposto por Trump desde meados de dezembro.

O bloqueio fez parte da campanha de pressão dos EUA sobre o governo de Nicolás Maduro, que culminou na captura do agora ex-ditador por forças norte-americanas no último sábado. Autoridades venezuelanas classificaram a ação como um sequestro e acusaram a Casa Branca de tentar roubar as vastas reservas de petróleo do país.

entre 30 milhões e 50 milhões de

— Em uma publicação em uma rede social na noite de terça, Trump afirmou que a Venezuela iria "entregarbarris de petróleo sob sanção" aos EUA.

Esse petróleo será vendido a preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos

— acrescentou.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, será o responsável por executar o acordo, segundo Trump, acrescentando que o petróleo será retirado dos navios e enviado diretamente a portos americanos.

Fornecer esse petróleo retido aos EUA pode exigir o redirecionamento de cargas originalmente destinadas à China, disseram duas fontes à Reuters. O país asiático tem sido o principal comprador da Venezuela na última década, especialmente desde que os EUA impuseram sanções, em 202, a empresas envolvidas com o comércio de petróleo do país.

Trump quer que isso aconteça rapidamente para poder dizer que é uma grande vitória

— afirmou uma fonte da indústria do petróleo.

Os preços do petróleo nos EUA caíram depois do anúncio de Trump, já que o acordo deve aumentar o volume das exportações venezuelanas para os EUA. Esse fluxo é atualmente controlado integralmente pela Chevron, principal parceria da estatal PDVSA em joint ventures, sob autorização do governo americano.

A Chevron, que vem exportando entre 100 mil e 150 mil barris por dia de petróleo venezuelano para os EUA, é a única empresa que tem carregado e enviado petróleo bruto do país sem interrupção nas últimas semanas, apesar do bloqueio imposto por Trump.

Não está claro se a Venezuela teria algum acesso aos recursos obtidos com o fornecimento. As sanções excluíram a PDVSA do sistema financeiro global, com suas contas bancárias congeladas, e impedem a empresa de realizar transações em dólares.

A Venezuela vem vendendo seu principal tipo de petróleo, o merey, com desconto de US$ 22 por barril em relação ao Brent, para entrega em portos venezuelanos, o que atribui ao acordo um valor de cerca de US$ 2 bilhões.

Autoridades venezuelanas e americanas discutiram nesta semana possíveis mecanismos de venda, incluindo leilões para permitir que compradores interessados dos EUA disputem as cargas, e a emissão de licenças dos EUA a parceiros comerciais da PDVSA, que poderiam resultar em contratos de fornecimento, segundo duas fontes disseram à Reuters.

No passado, essas licenças permitiram que parceiros em joint ventures e clientes da PDVSA, incluindo a Chevron, a indiana Reliance, a China National Petroleum Corporation (CNPC) e as europeias Eni e Repsol, tivessem acesso ao petróleo venezuelano para refino ou revenda a terceiros.

Algumas dessas empresas começaram nesta semana a se preparar para voltar a receber cargas venezuelanas, disseram duas fontes.

Os EUA e a Venezuela também discutiram se o petróleo venezuelano poderá ser usado no futuro na reserva estratégica dos EUA, segundo uma das fontes. Trump não citou essa possibilidade no anúncio de ontem.

O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, afirmou ontem que um aumento do fluxo de petróleo pesado venezuelano para o Golfo do México seria uma “ótima notícia” para a segurança dos empregos, os preços futuros da gasolina nos Estados Unidos e para a Venezuela.

A Venezuela tem agora a oportunidade de receber capital e reconstruir sua economia, aproveitando esse momento

— disse ele à Fox News, ao ser questionado sobre as negociações entre os governos sobre exportações de petróleo. “Com tecnologia americana e parceria americana, a Venezuela pode ser transformada.”

As refinarias dos EUA no Golfo do México conseguem processar os tipos de petróleo pesado da Venezuela e importavam cerca de 500 mil barris por dia antes de Washington impor pela primeira vez sanções energéticas ao país.

A PDVSA já teve de cortar a produção devido ao embargo, pois está ficando sem capacidade de armazenamento para o petróleo. Sem uma forma de exportar o produto em breve, teria de reduzir ainda mais a produção, disse uma das fontes.

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