Publicidade
Capa / Curiosidades

Teias mais resistentes do mundo são produzidas apenas por aranhas fêmeas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/12/2025 às 10:00 · Atualizado há 1 dia
Teias mais resistentes do mundo são produzidas apenas por aranhas fêmeas
Foto: Reprodução / Arquivo

De fio em fio, de forma em forma, oito patinhas frenéticas desenham no ar um esquema multíplice e frágil. No princípio, analisam o terreno e fixam os amparos do grande projeto. Das bordas ao miolo, esboçam os contornos; e, rastejando sobre os andaimes estirados, espiralam até o meio, enquanto traçam padrões que preenchem e texturizam a teia orbital, tal qual as fibras de um grande tecido.

O arranho só parece frágil. Teias desse tipo, circulares e bidimensionais uma vez que um grande véu estendido, são feitas para manter o impacto de presas velozes, uma vez que libélulas – que cortam os ares em velocidades de, em média, 16 quilômetros por hora.

Para isso, as aranhas-tecelãs do gênero Caerostris produzem um tipo de seda hiperresistente e extremamente extensível. Essa seda, aliás, é mais resistente que a maioria dos materiais, sejam eles frutos da biologia ou sintetizados pelo ser humano.

Compartilhe essa material via:

 

 

Oriente valor é restrito das donas aranhas. Nessas espécies, o dimorfismo sexual – isto é, a variação de características entre os sexos  – é tamanho que as fêmeas chegam a ter entre dez e centena vezes o peso de seus machos; e isso tem tudo a ver com a força de suas teias.

Continua posteriormente a publicidade

É o que descobriu uma equipe de cientistas posteriormente analisarem a resistência da seda de duas espécies de aranhas-tecelãs.  A Caerostris darwini, que estende as maiores teias orbitais já vistas no mundo sobre rios e lagos de Madagascar, tem fêmeas mais de três vezes o tamanho de seus machos. Na Caerostris kuntenri, essa diferença é de mais de cinco vezes.

(Wikimedia Commons/Reprodução)

Para testar a força das teias, os pesquisadores deixaram aranhas dos dois sexos, em diferentes fases do desenvolvimento, tecerem seus respectivos fios. Com um microscópio, eles mediram o diâmetros de cada exemplar. Depois, tensionaram-nas até o ponto de quebra.

Continua posteriormente a publicidade

Os resultados foram publicados no periódico Integrative Zoology e indicam que, em ambas as espécies, as teias das enormes fêmeas adultas eram muito mais resistentes e extensivas que a dos machos, e também ganhavam em força das teias de fêmeas mais jovens e menores. A resistência da teia, finalmente, era resultado direto do corpo que produzia sua seda.

A teias das aranhas pode ter diferentes funções. São, sim, armadilhas para presas, mas também podem facilitar na movimentação, prevenir quedas, proteger ovos e até servir uma vez que extensões sensoriais. As aranhas tecelãs, por sua vez, têm diversas glândulas que são capazes de produzir diferentes formas de seda. Elas variam entre as mais elásticas, as mais grudentas e as mais rígidas.

No caso da seda hiperresistente das Caerostris, a rigidez é valor de uma substância chamada prolina, que a compõe em opulência e cuja produção gasta muita virilidade. Esse dispêndio metabólico aponta para uma série de fatores que se somaram no desenvolvimento dessas fêmeas.

Continua posteriormente a publicidade

Durante a evolução dessas espécies, no caso das fêmeas, uma demanda crescente por provisões maiores e mais ricos em virilidade impôs uma novidade pressão. Para conquistar presas grandes e velozes (uma vez que as libélulas), suas teias teriam que se tornar fortes o suficiente para suportar o choque violento da comida voadora que se disparava contra a emboscada.

O desenvolvimento das presas permitiu gastos energéticos maiores na produção das teias. Para deter essa melhora na produção e no uso de virilidade durante a fabricação da seda, o corpo das fêmeas foi crescendo e crescendo. Enquanto isso, os machos se especializaram em presas menores, muito menos energéticas, e ficaram com o corpo pequeneninho.

Emaranhada nesses novos achados, agora resta à ciência entender os mecanismos moleculares e estruturais que possibilitaram um material tão fascinante quanto a seda dessas tecelãs. Estudos já indicam, aliás, que esses fios poderiam ter propriedades curativas, possivelmente servindo para regenerar ossos, nervos, ligamentos ou músculos.

Continua posteriormente a publicidade

 


Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade