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Pesquisadores brasileiros estudam usar veneno de marimbondo contra Alzheimer

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 22/11/2025 às 12:00 · Atualizado há 2 dias
Pesquisadores brasileiros estudam usar veneno de marimbondo contra Alzheimer
Foto: Reprodução / Arquivo

Há 25 anos, a neurocientista e professora da Universidade de Brasília (UnB) Márcia Mortari se dedica a uma missão inusitada: identificar as substâncias presentes nas toxinas dos marimbondos, também chamados de vespas. Tudo começou com a reparo de que a picada desses bichos, que culpa inchaço e vermelhidão em humanos, pode paralisar presas pequenas, uma vez que outros insetos. 

“Observando esse comportamento, a gente teve a teoria de principiar a estudar compostos que são ativos no sistema nervoso, porque a paralisia vem da ação deste sistema”, contou Mortari em entrevista à Super

O sistema nervoso funciona uma vez que a médio de comando e informação do corpo. É através dele, por meio impulsos elétricos, que o corpo recebe, processa e transmite informações. É um QG poderoso, que controla várias funções, desde movimentos e pensamentos até processos involuntários uma vez que batimentos cardíacos e digestão. 

Por isso, a teoria desde o início era isolar alguns compostos entre as centenas presentes no veneno dos marimbondos e identificar os mecanismos por trás de cada um. Esse processo não é zero simples: a missão já dura antes, e ainda está longe de finalizar. 

Hoje, algumas dessas substâncias estão sendo estudadas para tratar epilepsia, mal de Parkinson, glaucoma e Alzheimer. Para essa última doença, que afeta mais de 55 milhões de pessoas no mundo e muro de 1,2 milhão no Brasil, os testes são promissores. 

Conheça inferior a história dos testes com venenos de marimbondos – e dessa equipe apaixonada pela ciência.

Isolando os compostos

Tudo começou com um formado tirado diretamente do veneno de marimbondo, chamado occidentalina-1202. Os pesquisadores detectaram que ele tem a capacidade de prevenir convulsões. Um de seus derivados, neurovespina, mostrou efeitos semelhantes, além de prevenir neurodegeneração e diminuir sintomas da doença de Parkinson. 

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Uma versão da occidentalina-1202 foi modificada para se tornar um novo formado, um peptídeo (uma calabouço de aminoácidos mais simples que uma proteína) chamado octovespina. Ela tem efeitos semelhantes aos das substâncias citadas anteriormente e um resultado ainda mais fabuloso na prevenção das primeiras mudanças fisiológicas do Alzheimer. 

Neste tipo de demência, o quadro começa quando o cérebro passa a amontoar uma proteína tóxica chamada beta-amiloide; isso ocorre anos ou mesmo décadas antes dos primeiros sintomas da doença, uma vez que confusão e esquecimento.  Em condições normais, a beta-amiloide deveria ser eliminada naturalmente, mas a coisa começa a retrogredir quando ela não some e passa a se juntar em pequenos carocinhos entre as células cerebrais, os neurônios. 

Vários outros fatores influenciam no desenvolvimento e na evolução do Alzheimer, mas o consenso entre os pesquisadores é que esses aglomerados marcam o primeiro patamar da doença. Eles atrapalham a informação entre as células e desencadeiam uma reação em calabouço: o cérebro tenta se proteger, gera inflamação e outras proteínas também começam a se desorganizar. Com o tempo, essa bagunça vai danificando as conexões e provocando a morte de neurônios.

Os testes mostram que octovespina, a versão modificada da occidentalina-1202, consegue interferir nesse mecanismo e diminuir a formação dos aglomerados de beta-amiloide. Quando injetada diretamente no cérebro de camundongos, ela também amenizou os sintomas da doença que os animais já exibiam, uma vez que esquecimento – um feito ainda mais difícil. 

“Um dos grandes limitantes das pesquisas de desenvolvimento de tratamentos [para o mal de Alzheimer] é justamente o indumentária de que elas não olham muito para a secção do comportamento. Inclusive, alguns medicamentos que foram aprovados melhoram essa redução da beta-amiloide, mas não reduzem os déficits cognitivos”, conta Luana Camargo, professora do Instituto de Psicologia da UnB que dedicou seu mestrado à pesquisa da octovespina contra o Alzheimer.

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Hoje, a investigação dos compostos de marimbondos não se restringe às ciências biológicas e tem pesquisadores de várias áreas, espalhados por laboratórios dos Institutos de Ciências Biológicas, de Psicologia e de Física da instituição. Neste último, são feitos os estudos computacionais, que simulam as interações entre moléculas do cérebro e compostos que estão sendo testados.

“Nós usamos um pouco de mecânica quântica e mecânica clássica para fazer esses cálculos”, conta Ricardo Gargano, professor do Instituto de Física da UnB. 

Essa lanço funciona uma vez que um teste prévio que permite aos pesquisadores prever algumas consequências e otimizar (e forrar) os testes de bancada. Mas eles não são zero simples: para rodar as simulações, os pesquisadores precisam alugar a capacidade computacional de grandes computadores do Brasil e dos EUA.

“Ou por outra, atualmente também estamos testando modificações desses peptídeos. Às vezes, uma pequena modificação pode produzir um efeito muito melhor contra a doença de Alzheimer”, explica Yuri Só, pós-doutorando do Instituto de Física que é orientado por Gargano. 

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As simulações indicam que a octovespina tem um potencial promissor para, além de reduzir a velocidade da reunião da beta-amiloide, desfazer os aglomerados que já existem. A possibilidade de volver o primeiro passo do Alzheimer é um encontrado empolgante – e pense numa equipe empolgada. 

Os olhos que brilham fazem a ciência

Quando viu esse resultado da simulação, produzida por Só, Gargano conta que ficou “muito feliz mesmo” e “também um pouco em choque”. “Depois, fui fazer liceu e fiquei rindo o tempo todo. Eu encontrava pessoas e elas diziam ‘você está mais jubiloso do que o normal’, mas eu não queria expressar o quê era”, conta o professor. 

Em entrevista à Super, os quatro pesquisadores, que são secção de uma vasta equipe que conta com mais algumas dezenas de especialistas, destacaram uma vez que são felizes pelo clima colaborativo e jubiloso das pesquisas que conduzem juntos.

A equipe coordenada pela professora Luana Camargo (ao meio, de calça cinza). (Luana Cristina Camargo/Registo pessoal)

Os dois físicos definem que a colaboração entre o campo teórico das simulações computacionais – e a prática – das bancadas de experimentos – é “o melhor dos mundos”

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“Muitas vezes, quando estamos mais distanciados do experimental, os resultados das simulações que nós fazemos só são utilizados e concretizados muito posteriormente”, explica Só. “Trabalhar junto e ver os dois lados ao mesmo tempo com certeza é muito gratificante. É muito bom ver essa colaboração experimental com teórico: é a ciência acontecendo de indumentária.”

Os resultados promissores devem demorar para se concretizarem em medicamentos para humanos. 

Mais testes precisam ser feitos com animais para definir uma via de emprego efetiva – finalmente, na prática, não é viável injetar substâncias diretamente no cérebro de ninguém. Depois, testes sobre dosagens e segurança ainda são necessários antes de partir para os testes clínicos em humanos. Segundo Luana, a estimativa é de pelo menos mais uma dezena de pesquisa.

Mas o longo prazo não assusta a equipe, que conta com investimento da Instauração de Suporte à Pesquisa do Província Federalista (FAPDF) e do Juízo Pátrio de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Eles devem continuar produzindo artigos, dissertações e teses, e se reunindo de altíssimo astral – com recta ao pão artesanal feito por Gargano.

“A coleta das vespas traz umas aventuras muito divertidas. A gente usa roupa [de proteção], mas, mesmo assim, elas são muito agressivas”, conta Mortari, aos risos. “A gente já teve que transpor fugindo, porque elas se organizaram e vieram detrás da gente. Eu tive que decorrer mais de século metros e me esconder no sege por horas até conseguir que elas se acalmassem e fossem embora.”

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Para quem acha que 25 anos correndo de marimbondos raivosos é uma proeza divertida, dez anos não botam terror.

 

 


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