Por muitos anos, acreditou-se que o pedaço de terra que se formou entre a Sibéria (Rússia) e o Alasca (EUA) durante a Era do Gelo tinha um aspecto gramado e árido, como as estepes de hoje. Mas isso levantava uma questão: se a paisagem era assim tão amigável, por que alguns animais atravessaram da Eurásia para a América e outros não?
Agora, os cientistas podem ter a resposta: a “ponte” formada no estreito de Bering, na verdade, era um pântano cheio de rios. A descoberta foi anunciada no encontro anual da União Americana de Geofísica, a partir de uma pesquisa liderada pela geóloga Sarah Fowell, da Universidade do Alasca Fairbanks. Ela e sua equipe extraíram sedimentos do leito do Mar de Bering, o corpo d‘água que fica ao norte do Pacífico, onde está o estreito de Bering. Com esses sedimentos, eles reconstituíram a vegetação e o clima por ali durante a última era do gelo, entre 36 mil e 11 mil anos atrás.
É a primeira vez que um estudo desse tipo é feito. O mar no estreito de Bering é revolto, o que dificulta qualquer tipo de pesquisa na região.
Estávamos procurando por vários lagos grandes
— disse Fowell em um comunicado à imprensa. “Mas o que achamos foi evidência de vários lagos pequenos e canais fluviais”, contou. Os cientistas também encontraram pólen, pequenos fósseis, DNA antigo e matéria orgânica no leito marítimo. O pólen e os fósseis indicam a presença de árvores e musgos. Também foram encontrados restos de ovos de crustáceos do gênero Daphnia, que são de água doce.
Durante a última era do gelo, o nível do mar estava 122 metros abaixo do que é hoje. Portanto, boa parte do Mar de Bering era terra, o que permitiu a passagem de várias espécies de um lado para o outro. Até agora, acreditava-se que o aspecto de estepes teria sido predominante ali, a exemplo de como são hoje o Alasca e a Sibéria. Mas o novo estudo mostra que ali havia um sistema de paisagens mais próximo do que é visto no interior do continente.
Continua após a publicidadeEsse terreno pantanoso teria sido ótimo para algumas espécies, como pássaros, mas também há evidências de que grandes mamíferos passaram por ali, como mamutes, bisões e cavalos. Essas espécies teriam aproveitado as áreas mais elevadas e secas da passagem. No entanto, o ambiente acabou não atraindo algumas espécies, como o rinoceronte-lanudo (que permaneceu na Eurásia), e o urso-de-cara-achatada e o camelo americano (que ficaram na América)
A paisagem úmida e aquosa pode ter sido uma barreira para algumas espécies, ou também um caminho para espécies que viajam pela água
— afirmou a geóloga Jenna Hill, que fez parte da expedição.
AS MAIS LIDAS DA SEMANA
Toda sexta, uma seleção das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana. Inscreva-se aqui para receber a nossa newsletter
Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossas newsletters pela manhã de segunda a sexta-feira.