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O DNA pode prever a personalidade do seu cachorro? Nova pesquisa indica que sim

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 28/11/2025 às 18:00 · Atualizado há 20 horas
O DNA pode prever a personalidade do seu cachorro? Nova pesquisa indica que sim
Foto: Reprodução / Arquivo

Um estudo publicado no periódico PNAS traz uma revisão importante sobre a história genética dos cães e também reacende o debate sobre até que ponto o DNA contribui para a personalidade de diferentes raças. 

A pesquisa analisou 2.693 genomas de cães e lobos e encontrou um padrão que os pesquisadores consideram decisivo: a maior secção das raças modernas carrega pequenas frações de DNA de lobo.

Seria esperado encontrar um tanto assim, já que os cachorros descendem dos lobos na árvore evolutiva. A surpresa é que esses pedacinhos de DNA encontrados não vêm do processo inicial de domesticação, e sim de episódios de interceptação posteriores, ocorridos ao longo dos últimos milhares de anos.

Essa constatação muda o entendimento tradicional, que atribuía quase toda a divergência entre cães e lobos ao período remoto em que as espécies se separaram. Agora, a evidência aponta que elas continuaram a cruzar entre si, ainda que raramente – e que esses cruzamentos deixaram marcas detectáveis no genoma dos cães atuais.

Os fragmentos herdados dos lobos são pequenos e estão espalhados pelo genoma, mas aparecem com frequência suficiente para mostrar que esse intercâmbio genético foi mais generalidade do que se imaginava.

Isso vale para raças de perfis muito diferentes entre si: desde cães de companhia porquê o Pug e o Shih-tzu, até raças maiores e de trabalho, porquê o Pastor Germânico, o Mastim Tibetano e o Husky Siberiano. Algumas raças conhecidas por terem pretérito por cruzamentos recentes com lobos – caso do Cão-Lobo Tchecoslovaco – exibem frações maiores, porquê esperado. 

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Mas o ponto mediano do estudo é que mesmo cães sem qualquer histórico moderno de mistura carregam, em proporções mínimas, trechos de ancestralidade lupina adquiridos muito tempo depois a domesticação.

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Para os autores, o interesse não está exclusivamente na presença desses fragmentos, mas no que eles revelam sobre a evolução e o comportamento. Ao cruzar os dados genéticos com descrições padronizadas de comportamento usadas em clubes de raça, os pesquisadores encontraram associações consistentes.

Em raças que apresentam níveis muito baixos de ancestralidade lupina – porquê Labradores, Beagles ou Cavalier King Charles Spaniels – aparecem descrições mais frequentes de sociabilidade, facilidade de treino e procura ativa por interação humana.

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Já raças com níveis um pouco mais altos – porquê Akitas, Chow-chows ou certos pastores de grande porte – tendem a ser associadas a perfis mais independentes, atentos, reservados ou desconfiados com estranhos. Mas isso não é uma regra, e os pesquisadores deixam simples que comportamento individual depende fortemente de envolvente e socialização.

Ainda assim, o padrão estatístico sugere que o pretérito compartilhado com os lobos deixou marcas que se refletem em tendências comportamentais observadas entre raças.

A influência dessa legado também aparece nos cães de vila, que vivem sem tutor em áreas rurais e urbanas de vários continentes. Nessas populações, os fragmentos de origem lupina se concentram em grupos de genes ligados ao olfato.

Essa distribuição indica que, para cães que precisam se orientar e sobreviver sem suporte humano direto, variantes derivadas de lobos podem ter oferecido vantagens funcionais, aumentando a capacidade de farejar e velejar no envolvente. É um exemplo concreto de porquê trechos muito antigos, mas adquiridos depois a domesticação, continuam a ter impacto biológico.

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Com esse conjunto de evidências – ancestralidade lupina detectável, presença dos fragmentos em regiões funcionais e associação com tendências comportamentais –, começa a surgir a possibilidade de testes genéticos mais precisos para prezar perfis de comportamento. Testes comerciais desse tipo já existem, mas se baseiam em bancos de dados pequenos e relações pouco consistentes.

O novo estudo fornece uma base genômica mais ampla e detalhada, capaz de orientar pesquisas que tentem prever predisposições gerais de sociabilidade, independência, vigilância ou sensibilidade a estímulos. Isso não significa prever exatamente porquê um filhote irá agir, mas entender tendências hereditárias que podem influenciar o comportamento.

Os autores reforçam que ainda há muito a investigar, principalmente para enobrecer se certos comportamentos surgem diretamente de variantes herdadas dos lobos; ou se humanos, ao selecionar cães para tarefas específicas, acabaram preservando acidentalmente trechos que vêm dos lobos.

Mesmo com essas ressalvas, o estudo mostra que a personalidade dos cães não é construída exclusivamente por envolvente ou convívio: secção dela está ligada a uma legado genética pouco reconhecida até agora. 

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