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Conheça a lacraia-do-mar, que tem o soco mais ráp...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/02/2025 às 19:00 · Atualizado há 1 semana
Conheça a lacraia-do-mar, que tem o soco mais ráp...
Foto: Reprodução / Arquivo

Mesmo que nunca tenha entrado em uma briga, você provavelmente já assistiu a alguma cena de filme em que, depois de desferir muitos socos, os punhos de um personagem ficam sangrando.

Nem todas as espécies sofrem com esse desgaste. É o caso da lacraia-do-mar, também conhecida como tamarutaca, dona do soco mais rápido do reino animal. Seus golpes são mais rápidos que um piscar de olhos, e ela sai intacta da pancadaria. 

Esse crustáceo nativo de águas oceânicas rasas subtropicais desfere golpes a 80 km/h, o suficiente para quebrar conchas duras como se fossem biscoitos.

Ainda mais impressionante é que esse animal faz isso sem que suas “armas” se danifiquem, graças à estrutura incrível de seus dactyl clubs. Dactyl vem de dáctilo, estruturas como dedos, garras ou apêndices em geral. Já club é “clave” ou “porrete” em inglês.

Apesar de não terem um nome oficial em português, podemos imaginar os dactyl clubs como “garras-porrete”: uma estrutura feita para socar.

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No vídeo abaixo é possível assistir o momento em que a lacraia-do-mar dá um golpe em um caranguejo, arrancando dele uma pata de uma vez só. Não tem problema se você não enxergar o soco de primeira: ele é repetido em câmera lenta logo depois.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=8enojiJCD00[/embed]

Segundo um estudo publicado na última quinta-feira (6) na Science, o segredo está em um design naturalmente engenhoso: as garras são compostas por camadas de fibras de quitina (um polímero natural) organizadas em algo chamado “estrutura de Bouligand”.

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Trata-se de uma espécie de amortecedor que atenua o impacto dos golpes, evitando que o camarão se machuque enquanto faz estrago nos outros.

Ainda em 2015, pesquisadores já haviam sugerido que é essa estrutura incomum que confere a propriedade de absorção de choques. É como se essa camada do exoesqueleto fosse um filtro capaz de captar as ondas de choque de frequência mais alta, que são as mais perigosas e concentram sua energia em rajadas de apenas nanossegundos.

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 “Se a energia se concentra em uma escala de tempo curta, ela é mais destrutiva”, diz diz o coautor do estudo, Maroun Abi Ghanem, em entrevista à Nature. “Essa energia mecânica deve ser absorvida de alguma forma, para que não atinja o camarão e o prejudique.”

No estudo, a equipe queria testar as capacidades de absorção do exoesqueleto da lacraia-do-mar. Eles apontaram ondas de laser de alta frequência em uma amostra do exoesqueleto que reveste os porretes e utilizaram outro laser para medir como essas ondas ficam presas em sua camada intermediária. O experimento comprovou a hipótese anterior.

Os pesquisadores não são biólogos, mas engenheiros, que acreditam que o estudo dessa estrutura pode revolucionar a fabricação de implantes cirúrgicos ou filtros mecânicos para aparelhos eletrônicos.

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