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China lança o primeiro robô humanoide que opera 24h e troca a própria bateria

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 23/07/2025 às 14:00 · Atualizado há 3 dias
China lança o primeiro robô humanoide que opera 24h e troca a própria bateria
Foto: Reprodução / Arquivo

Um novo marco na robótica foi alcançado na China: a empresa UBTech, com sede em Shenzhen, apresentou ao mundo o primeiro robô humanoide capaz de operar de forma contínua e autônoma, trocando suas próprias baterias sem ajuda humana. 

O feito foi revelado por meio de vídeos de demonstração e já está chamando a atenção da indústria global de automação, que vê no modelo Walker S2 um divisor de águas na adoção de robôs em larga escala.

Nas imagens divulgadas pela companhia, o Walker S2 caminha até uma estação de carregamento, alcança com os próprios braços a parte superior das costas, remove uma bateria descarregada e encaixa uma nova – tudo isso em menos de três minutos e sem desligar.

O sistema é descrito como a primeira tecnologia hot-swappable: totalmente autônoma em robôs humanoides, permitindo a substituição de energia sem interrupção nas atividades.

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A inovação resolve um dos principais gargalos do uso de robôs em linhas de produção: o tempo de inatividade para recarga. “Antes, uma das grandes limitações dos robôs era o tempo de operação reduzido, geralmente em torno de quatro horas”, afirmou Fan Congming, presidente executivo da Associação da Indústria de Inteligência Artificial de Shenzhen, ao veículo CGTN

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“A tecnologia de troca de bateria estende significativamente esse tempo. Do contrário, eles teriam que parar para carregar e depois retomar o trabalho — mas uma linha de produção não pode ficar parada”.

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O Walker S2 tem 1,62 metro de altura e pesa 43 quilos, o equivalente a um adulto de porte pequeno. Ele é alimentado por um sistema de baterias de lítio de 48 volts, com duas unidades operando de forma intercalada. Quando uma está perto de acabar, o robô ativa a segunda ou decide, com base em prioridades de tarefa, se deve trocar a unidade descarregada.

Segundo a UBTech, o sistema de monitoramento energético inteligente identifica os níveis de carga e realiza a troca no momento mais estratégico, garantindo continuidade nas operações com o mínimo de interferência. As baterias, projetadas para funcionar como pen drives – com encaixe rápido e simples –, tornam o processo de substituição ainda mais eficiente.

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A empresa já iniciou parcerias com montadoras chinesas de veículos elétricos, como BYD, Nio e Zeekr, para testar os robôs em linhas de produção reais. As primeiras aplicações envolvem tarefas como manuseio de componentes, inspeção de qualidade, movimentação de peças e atividades repetitivas que hoje exigem mão de obra humana – muitas vezes, em jornadas exaustivas.

Com 20 graus de liberdade de movimento, conectividade via Wi-Fi e Bluetooth, e capacidade de operar com autonomia total, o Walker S2 está preparado para integrar o chão de fábrica e, mais adiante, outros setores da economia.

“Hoje, as empresas estão adotando processos de fabricação mais inteligentes. Em ambientes industriais, tarefas como movimentação, polimento, soldagem e pintura — além de levantamento de cargas pesadas e paletização na indústria automotiva — são repetitivas e exigem esforço físico. Por isso, estamos usando robôs para substituir a mão de obra nesses trabalhos”, disse Xing Fan, gerente de produção de uma fábrica de robótica em Foshan, ao CGTN.

O lançamento do Walker S2 reflete uma tendência mais ampla: a China está rapidamente se tornando uma superpotência global em robótica. De acordo com um relatório da Federação Internacional de Robótica (IFR), o país ocupa a terceira posição no uso de robôs na indústria, com 470 unidades para cada 10 mil trabalhadores – à frente de potências como Alemanha (429) e Japão (419).

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Além disso, a China detém mais de dois terços das patentes mundiais relacionadas a robótica, somando 190 mil registros. O sucesso vem da combinação de três fatores: investimentos maciços em pesquisa e desenvolvimento, baixo custo de fabricação e forte apoio do governo central, que reconhece a robótica e a inteligência artificial como setores estratégicos para o futuro da economia chinesa.

Relatórios recentes da Moody’s, agência global de classificação de risco, e da Morgan Stanley, banco de investimentos norte-americano, apontam que mais da metade das empresas listadas no mundo que trabalham com robôs humanoides são chinesas, e startups do país têm atraído um volume crescente de investimentos de capital de risco.

Segundo dados apresentados na World AI Conference 2024, em Xangai, o mercado chinês de robôs humanoides movimentou cerca de 2,76 bilhões de yuans (cerca de R$ 2,15 bilhões) neste ano. A expectativa é de que esse número cresça para impressionantes 75 bilhões de yuans (R$ 58,5 bilhões) até 2029.

Especialistas preveem que os robôs humanoides entrarão primeiro na indústria manufatureira, mas, com a redução de custos e o ganho de escala, devem migrar gradualmente para setores de serviços e até para o uso doméstico. 

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Cidades como Shenzhen já despontam como epicentros desse movimento: com mais de 1.600 empresas de robótica, o município tem metas ambiciosas para liderar o desenvolvimento e a adoção dessas tecnologias.

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