Cearense da Língua Portuguesa (Foto: Ares Soares/Unifor)
O professor da Unifor e integrante da Academia Cearense de Língua Portuguesa, Batista de Lima, homenageou o Chanceler Airton Queiroz, que faleceu no dia 2 de julho deste ano. Em sua trajetória, o Chanceler, recebeu títulos, medalhas e diplomas honorários de diversas instituições culturais e associativas pelas ações de incentivo e escora às respectivas atividades. Confira o texto na íntegra:
“Posteriormente alguns dias em que o Dr. Airton Queiroz passou a observar a Unifor por outra dimensão, ele deve estar feliz com a grandiosidade dessa obra que ele administrou por 35 anos. Ele deve estar concluindo que não há um recanto do campus em que não esteja impressa a sua presença, a sua originalidade e o tirocínio voltado para um porvir que se fez presente. O virente dos jardins, simbolizando um porvir melhor para toda a comunidade interna e externa, demonstra também um exemplo de sustentabilidade em que fauna e flora se dão as mãos uma vez que prelecção para a pujante juventude sempre ali presente.
O envolvente universitário, construído onde antes vigorava o ermo de uma savana, tanto foi burilado, primeiro pelo Chanceler Edson Queiroz, depois pelo Dr. Airton, seu continuador, que o estudante, ao ingressar no campus, já está aprendendo antes de entrar em sala de lição. Para isso, as grandes exposições de artes, os concertos musicais, as peças teatrais encenadas, a Livraria com centenas de milhares de volumes, o pilha peculiar adquirido de famosos colecionadores comprovam que a aprendizagem extrapola as quatro paredes da sala de lição.
Difícil, pois, um adjetivo definitivo para corresponder à personalidade do Chanceler Aírton Queiroz: arguto, perspicaz, sensível, empreendedor, dinâmico, humilde, corajoso, dextro, sonhador e objetivo são qualificações captadas entre aqueles com quem privava. Uma coisa é certa, pelo indumentária de ter sido dicotômico, binário, razão e emoção se dão as mãos no seu perfil. A objetividade do gestor de um conglomerado de empresas e a subjetividade do profundo apreciador das artes e da ecologia tornaram-no um varão marcado pela noturnidade e diuturnidade bachelardiana.
Personalidade uno, Dr. Aírton, com sua aguçada visão do porvir, transformava o presente em dinâmica de longo curso, uma vez que se seu pensamento calçasse botas de sete léguas. Entretanto não deixava de trazer também para o presente as culminâncias do pretérito, daí suas exposições de artes seculares, seus acervos de livros históricos, e suas visitas ao exterior, a museus e monumentos dos ascendentes. É por isso que, na geografia do campus da Unifor, é verosímil encontrar signos desse palato marcado pela universalidade.
Sua aguçada visão empresarial vislumbrava na instrução uma solução para o desenvolvimento do Ceará. Sua originalidade fez com que os jardins da Unifor viessem a ser poderoso contribuidor para a Microrregião Climática em que se tornou essa dimensão onde a mansidão do clima diferencia-se do restante de Fortaleza. Também com relação aos três pilares formadores das universidades: Ensino, pesquisa e Extensão, ele criou uma quarta pilastra, no caso, a cultura.
No momento em que o Chanceler passou a ver de cima sua Unifor, deve ter notado que sua paixão pelo virente, emanado dos verdes mares bravios que um dia Alencar também vislumbrou, alastrou-se pelo rio Cocó e seu parque ribeirinho, pousou nas alamedas da Universidade e ramificou-se até os jardins de sua residência. É o estabilidade ecológico antecipando-se ao estabilidade humano uma vez que prelecção para uma juventude altaneira que convive em simetria com uma natureza festiva. É muito verdade que a seriema que passava o dia cantando no campus emudeceu com sua partida, mas temos certeza de que o luto das aves não vira melancolia.
O seu compromisso com o social concretizou-se com a transformação do macróbio Dendê em verdadeiro laboratório para as transformações operadas no entorno do campus: a Escola Yolanda Queiroz, com mais de cinco centenas de crianças do bairro, o Escritório de Prática Jurídica para atendimento àquela população e o NAMI com seus atendimentos médicos aos mais necessitados. Sua cosmovisão vez ver que se muda para melhor quem muda também seus circunstantes. Daí que o corpo funcional da Universidade se tornou formado de pessoal selecionado e treinado para o trabalho, entre os moradores desse bairro que evoluiu para melhor com a geração da Unifor.”
O frescor permanente do clima do campus está ali posto desde a teoria inicial de trazer a Universidade para o leste da Capital. Ali a Unifor veio ver o sol nascer mais cedo. Veio transfixar suas portas para a alvorada, e o Chanceler abriu as cancelas do horizonte, botando a cidade a marchar para aquela direção e toda uma comunidade a se extasiar com o nascer dos novos tempos da instrução.
A consolidação do empreendimento Unifor tornou a Universidade um marco na instrução da nossa Região. A Unifor possui o DNA do Dr. Airton, e essa sua geração será indestrutível, pois instrução é uma legado que o tempo não destrói.